Estaleiros sul coreanos numa encruzilhada

0

Diversas declarações recentes dos estaleiros sul coreanos ressaltam os avanços sem precedentes feitos por esse país na globalização da Indústria Naval.

Primeiro veio a notícia de que a unidade do Brasil “Hanjin Heavy Industries & Construction” recebeu um pedido do Grupo Indiano Adoni Group, da ordem de US $ 120 milhões para construir dois navios graneleiros, elevando para 19 o número de ofertas pela unidade revebeu até agora este ano.

Isso foi seguido pela assinatura de um acordo entre o Presidente da Daewoo Shipbuilding,Nam Sang-tae, e o presidente da estatal russa United Shipbuilding Corp, Roman Trotsenko, para construir um estaleiro perto de Vladivostok, no leste da Rússia.

Essas estóriasotimistas foram contrabalançados pelas manchetes da Romênia, onde onde a subsidiária Daewoo Mangalia Heavy Industries anunciou que poderia receber uma garantia de empréstimo de US $ 83.5 milhões do Governo romeno para ajudar a compensar a queda no número de novas encomendas ,que começou no final de 2008.

O Monte Aconcagua foi construído pela Daewoo

As notícias a respeito de acordos e contratos dos estaleiros da Coreia do Sul e suas atividades no exterior tem aumentado ano a ano. As última manchetes servem como um lembrete da importância da globalização como um pilar na Coreia do Sul. No entanto, a questão que permanece é se a estratégia vai dar origem a uma vantagem competitiva de longo prazo.

É difícil apontar exatamente quando os construtores da Coreia do Sul decidiram prosseguir a expansão de seus negócios internacionalemnte. A Hyundai Heavy Industries investiu em uma participação minoritária na siderúrgica chinesa Shougang Concord em 2006. O Grupo Aker STX chegou em 2007 e tem uma unidade de produção de blocos em Ningbo, China. A Hyundai Mipo tem um estaleiro no Vietnã. Adicione a isso o estaleiro Hanjin Heavy em Subic Bay, nas Filipinas e as instalaçãoes daDSME Romênia na Rússia, e é fácil ver porque, como um grupo, estaleiros sul-coreanos se destacam contruindo para p mundo inteiro.

Investimentos dos contrutores navais sul coreanos no Brasil

Por trás de muitas das decisões encontram-se dois fatores fundamentais: o acesso a mão de obra barata e a mercados. Às vezes, ambos entram em jogo simultaneamente.

No caso das Filipinas, Vietnã e China, por exemplo, a capacidade de conseguir uma mão de obra barata é uma vantagem óbvia. É sabido que a relação custo benefício sul coreana foi uma das principais razões pelas quais o país, cosm seus estaleiros, tomaram uma boa fatia do mercado dos japoneses na década de 1980 e 1990. Como a Coréia do Sul aderiu às fileiras das nações industrializadas, os salários aumentaram, erodindo a vantagem competitiva.

Acesso a mercados é também um vetor essencial. Isto parece especialmente verdadeiro para o caso dos países chamados BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. Estas economias grandes e emergentes vão continuar a consumir grandes quantidades de minério de ferro, petróleo e outras matérias-primas e fontes de energia, se mantiverem suas trajetórias de crescimento. No caso de Brasil e Rússia, os dois países também são produtores importantes de recursos naturais.

Seja como produtor, consumidor, ou ambos, todos esses países vão querer aumentar suas frotas mercantes, o que normalmente significaria estimular oportunidades para estaleiros sul coreanos.

Naturalmente, os Brics têm plena consciência de seu próprio potencial e estão determinados a consolidar a construção naval e o transporte locais.

O Brasil, em particular, está investindo pesadamente no crescimento local, especialmente como construtores de olho no país sul-americano, aonde explodiu a demanda por navios offshore. Isso levou estaleiros sul-coreanos para investir em empresas locais do Brasil como um meio de acesso a este setor em crescimento.

Através da criação de estaleiros locais, muitas vezes em estreita colaboração com parceiros locais, construtores navais sul-coreanos estão esperando para entrar nesse jogo e crescer junto com os BRICs.

Matéria publicada no Lloyd’s List

Tradução livre feita por Rodrigo Cintra

Deixe uma resposta