Chavez vai as compras na terra do Bacalhau

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O presidente da Venezuela veio a Portugal passar um domingo chuvoso. Levou dois navios asfalteiros, um ferry, 12 512 casas para habitação social e 1,5 milhões de computadores Magalhães. E deu ao “amigo José” as “duas mãos” e mais de 1 bilhão de Euros.

O dia seria “grande” para cooperação económica entre Portugal e a Venezuela, resumia Sócrates, o “amigo José”, nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, ainda Hugo Chávez ia a caminho da capital do Alto Minho, ao volante de uma carrinha Mercedes. Porque acabaria com mais uns milhões na balança das exportações portuguesas para a Venezuela, destino que, há três anos apenas, era desprezível.

Eram os únicos números que o primeiro-ministro português trazia na algibeira: em 2007, Portugal exportou para a República Bolivariana “pequenas” coisas no valor de 17 milhões. No ano passado, a conta subiu aos 122 milhões. E este ano, até Agosto, já vai perto dos 100 milhões. Ontem, assinou e apalavrou negócios no valor de 1 bilhão, que, prometeu Sócrates, significam “emprego, dinamismo e estabilidade”.

Chavez em Portugal

Hugo Chávez veio com meio governo dar “as duas mãos” ao “amigo José”. Disse-o logo à chegada ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro. E repetiu-o depois, entre agradecimentos ao empurrão que o Governo de Sócrates deu, diz ele, à abertura das relações comerciais com a Venezuela.

Em Viana do Castelo, para lá das compras efectivas, Chávez visitou o ferry Atlântida, “bom, bonito e barato”, de que Sócrates lhes falara em Maio, quando visitou a Venezuela. Ninguém confirmou, mas deverá ter ficado firmada a aquisição do navio, encomendado pelos Açores mas rejeitado por não cumprir a velocidade estipulada. Está a ser adaptado para transporte de passageiros e deverá ver nascer um irmão, em breve. “Quero dois”, disse Chávez.

Ainda em Viana, o presidente venezuelano e o chefe de Governo português viram rubricados memorandos de entendimento para cooperação energética (com a Galp) e cooperação na área da ciência e tecnologias (com a JP Sá Couto dos Magalhães). Perante a “crise capitalista”, diria Chávez, mais tarde, nas instalações da JP Sá Couto, em Matosinhos, “não há mais caminho se não urnirmo-nos”. Veio ajudar Portugal e ser ajudado.

Sócrates agradeceu. E agradeceu. E ainda agradeceu. A ajuda do governo venezuelano à comunidade portuguesa que lá vive, na transferência de verbas para apoio às vítimas das enxurradas na Madeira e na possibilidade de portugueses regressados receberem cá a sua reforma. E mostrou outra oportunidade de negócio: a energia eólica, na Enercon. “Contamos com vocês!” para quatro projectos de parques eólicos, assegurou Chávez. Que também agradeceu, sobretudo o “maravilhoso” Magalhães, porque só a educação torna um povo livre, disse, citando Simon Bolívar.

Com as informações – Jornal de Notícias

Por Rodrigo Cintra

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