Halliburton – Incidente com a Deepwater Horizon pode ter novos desdobramentos

5

A Halliburton, empresa americana que tem o clã Bush como um de seus proprietários, sabia dos problemas com a cimentação do Poço de Macondo meses antes do acidente com a Deepwater Horizon.

Segundo pesquisas feitas na época, a mistura usada no processo de cimentação não era estável, declarou a National Oil Spill Comission, nesta última quinta feira. Essa declaração derrubou as ações da Halliburton em 16%, tocando um verdadeiro “barata vôa” na empresa.

Uma série de testes realizados nas semanas que antecederam a catástrofe mostravam que o material estava instável. Apesar disso, a Halliburton continuou utilizando o cimento, por algum motivo ainda desconhecido pelas autoridades, o que leva a duas possíveis interpretações: ou a Halliburton não comunicou o fato ou a BP e a Transocean não deram a devida atenção a um possível comunicado.


O Capitão de Mar e Guerra Hung Nguyen "aperta" o pessoal no Tribunal

Afirmar que a BP tinha conhecimento do fato, conforme afirma a Comissão, sem a apresentação de provas concretas, na opinião deste colunista, é bastante imaturo. Partindo-se da velha máxima que ronda as atividades do petróleo que diz que “Filho feio não tem pai”, muito ainda deve ser investigado a respeito do ocorrido. Mesmo assim, a British Petroleum, numa atitude mais que responsável, não exime-se da culpa, mas busca provar que ela tem uma fatia deste “bolo”, e não o “bolo” todo, buscando a divisão das responsabilidades entre os responsáveis pelo incidente em Macondo. Não acredito que uma Organização como a BP deixaria isso passar em branco. Falha em cimentação é algo muito sério e todo tipo de ação é SEMPRE imediata.

Presidentes da BP, Transocean e Halliburton no Tribunal

Documentos da Halliburton mostram que a empresa realizou dois ensaios sobre a pasta do cimento, em Fevereiro de 2010, e ambos indicaram que não era estável. Segundo a empresa, os resultados de um desses dois testes foram apresentados para a BP e para a Transocean em março, mas não há nenhuma indicação de que a Halliburton destacou para a BP a importância dos dados referentes à estabilidade da pasta, ou que o pessoal da BP levantou dúvidas sobre isso.

Um terceiro teste foi realizado em 13 de abril, sete dias antes da explosão, mais uma vez demonstrando que a pasta era instável, mas a Halliburton não forneceu os dados para a BP, segundo as investigações.

Apenas no quarto teste, realizado no laboratório  da Halliburton pouco antes do incidente, é que foi usado o procedimento correto, diferente do usado anteriormente, adicionando mais um ensaio. Este teste produziu resultados informando, mais uma vez, sobre a instabilidade da mistura usada e, pasmem: nem mesmo depois do acidente com a plataforma Deepwater Horizon esses resultados estavam disponíveis, o que evidencia que a mistura foi usada no poço antes mesmo de se ter em mãos os resultados dos testes.

O Portal Marítimo clipou em setembro uma matéria do Jornal O Globo, que já citava esse problema com a cimentação.

O problema que vejo nisso tudo foi o silêncio da Halliburton antes do incidente. A empresa estava realizando os testes de espessamento e força de compressão, mas sem a análise de estabilidade da mistura, fornecendo, assim, dados incompletos.

Apesar disso, a empresa alega que fornecera esses dados à BP. Não seria uma contradição? Ou então alguma estória está incompleta nesse caso.

Vejam abaixo uma reportagem a respeito do ocorrido:

Fica a pergunta: o que foi feito pela Halliburton?

Como já disse, afirmar que ela simplesmente não comunicou, ou então que comunicou e a BP não deu a devida importância é imaturo e muita coisa deve ser investigada. Papéis, comunicados, algo tem que aparecer.

Notei que os Peritos estadounidenses ficaram muito em cima do BOP em si, como era de se esperar. Tentaram até mesmo “empurrar” uma parcela de culpa para a Cameron, mas a situação começa  a ficar mais clara agora.

A situação da Cameron é bem simples: há um Manual de Instruções do BOP e os possíveis arranjos hidráulicos para a seqüência de fechamento das gavetas. Se o usuário seguiu e, mesmo assim, falhou, vamos investigar mais um pouco, indo atrás da falha mecânica. Agora, se não seguiu, se inventou, se deu “orelhada” como já vi muito Subsea tentando fazer, tentando “inventar” em cima de um manual, a falha é humana.

A própria Halliburton reconhece que após quatro meses de testes mostrando a instabilidade do poço, a BP ordenou que se trocasse a mistura. E aí? Foi trocada?

Essa parte da estória já fica bem clara para nós: Não. Não foi trocada.

Até a Chevron foi envolvida pelo Governo nesta perícia, devido sua credibilidade e, segundo a Companhia, seus técnicos não conseguiram gerar em laboratório uma pasta estável com o material cedido pela Halliburton. No laboratório não é possível simular as exatas condições de operação de campo, mas os dados obtidos nos testes dão fortes evidências de que a pasta usada para o cimento de Macondo era instável e isso pode ter contribuído para o desastre. Quem conhece o processo e os procedimentos usados para se matar um poço de petróleo sabe do que estou falando.

Diversos profissionais foram dispensados após a Moratória conseqüente ao incidente

Há claras evidências de que este cimento usado pela Halliburton, devido sua instabilidade, pode ter deixado hidrocarbonetos fluirem pela coluna de perfuração até o Piso de Perfuração da Plataforma.

Cimentação de poços é uma atividade complexa e falhas de cimentação não são tão incomuns, mesmo na melhor das circunstâncias. Como forma de prevenção de falhas nas operações de cimentação, a indústria petrolífera desenvolveu testes, como o teste de pressão negativa e avaliação de “cement log”, que é basicamente uma avaliação de medição e registro com ferramentas ultra sônicas que avaliam a integridade do cimento dentro do poço, como ele está acomodado, se há espaços vazios, etc visando a identificação de possíveis falhas de cimentação. Como consequência, diversos métodos foram desenvolvidos para corrigir as possíveis deficiências encontradas no processo.

Embora existam provas cabais que indiquem as responsabilidades, ou os relatórios foram mal interpretados pelo pessoal da BP e da Transocean ou a Halliburton optou, por ela mesma, por não realizar os testes corretos no Poço de Macondo.

Eu estive pensando também na possibilidade de mistura de tipos diferentes de cimentos nos silos, que sempre devem ser limpos antes de uma carga com um novo tipo de cimento, mas seria um erro muito primário por parte deles. Não acredito que uma empresa do porte da Halliburton ou até mesmo da Transocean possa ter cometido um erro desses. Além disso, costumamos ter a bordo diferentes silos para diferentes tipos de cimento. Não descarto, todavia, um possível erro de operação por parte de quem possa ter carregado os silos. Uma falta de atenção e podemos abrir a válvula errada, carregando o silo com o cimento errado, misturando com outro tipo. Todos estamos sujeitos a isso.

Apesar dos pesares, as coisas vão clareando e em breve poderão voltar ao normal no Golfo

Os desdobramentos podem ser muitos mas, por ora, o que a Comunidade Offshore Mundial tem em mãos já dá uma diretriz a respeito do que aconteceu.

Este jovem latino americano que vos escreve espera ter dado alguma contribuição para que se esclareça o caso. Perdoem-me a pretensão, mas é que, quando se trabalha em cima de uma plataforma, temos que avaliar tudo o que acontece por aí, pois amanhã ou depois, podemos ser nós os envolvidos.

Aprendendo com os erros do passado, melhoramos nosso presente e futuro.

Vamo que vamo!

Por Rodrigo Cintra



5 COMENTÁRIOS

  1. Profundo essa matéria do Vasamento da BP, Eu como Estudante na aréa Técnica em Petróleo e gás, Sempre me Preocupei. e Preocuro sempre prestar muito bem atenção na aréa de Perfuração, Principalmente, nas disciplinas como, (Perfilagem e cimentação de poço).
    (Segurança de cabeça de poços). ( Blowout ou o Kick ) ( Fluidos de perfuração ) ( perfuração Direcionais ) Asisto muito Videos You tubes de Acidentes com Plataformas,são muitos Perigosos.
    Qualquer Descuido de uma Equipe é fatal p/ todos.
    Rodrigo Cintra, meu querido Amigo.meus parabéns pelas Matérias
    que vc tem Posto no Portal Maritimo. vc está de parabéns
    um grande abraço….

    • Eu é que agradeço em nome da Equipe do Portal Marítimo por sua visita.
      Ainda temos muito o que melhorar por aqui.
      Nosso foco é a informação e divulgação das profissões do mar.
      Estude bastante a área de Perfuração, pois é uma profissão muito interessante, Geilson.
      Um forte abraço.
      Recomende o Portal aos amigos!
      Obrigado, mais uma vez, pela visita.

  2. De nada meu amigão. Eu que tenho Muito que lhe agradecer muito.
    O Portal Maritimo tem sindo muito Gratificante e Muito Forte p/ o meu Aprendisado na aréa Offshore. Eu vou sim com toda Certeza
    Recomendar aos meus amigos da Escola Técnica. pode contar Comigo.
    Um bração….

Deixe uma resposta