Anadarko empolgada com o pré-sal

0

A Anadarko Petróleo está animada com o potencial das descobertas de Wahoo e Ipaitu, no pré-sal da costa brasileria, e vê seus ativos no Brasil como um trampolim para a expansão em outros países latino-americanos, disse Gregory F. Hebertson, Gerente Geral de Exploração da empresa na América doSul para a Anadarko, na Conferência LatAm Oil & Gas Outlook em Houston, nesta quinta-feira.
Hebertson disse que a “expertise” em águas profundas da Anadarko, uma parte importante da estratégia de crescimento da empresa, pode ser aplicada com sucesso no mercado brasileiro, observando que a Anadarko já instalou mais sistemas submarinos de águas profundas do que qualquer outra empresa. “Os esforços da empresa para contratar os melhores do Mercado, os trabalhadores mais capacitados, juntamente com o acesso à avançada tecnologia em  perfuração que foi agregada após a aquisição da Kerr-McGee, somados às comprovadas habilidades de gestão de projeto, permitirá à empresa prosseguir com êxito nas operações do pré-sal na costa do Brasil”, disse Hebertson.


Gregory Hebertson

O Brasil ainda vai finalizar os detalhes do quadro de exploração e produção das Bacias de Santos e Campos após as eleições presidenciais do país, mas o enorme potencial do Brasil no pré-sal faz com que diversas empresas estejam voltadas para aquele Mercado. A atividade de petróleo e gás no Brasil deverá crescer significativamente com a Petrobras e com a exploração e produção (E & P) por parte de outras empresas. As empresas procuram desenvolver as descobertas do pré-sal, o que poderia aumentar as reservas provadas no Brasil de 15 bilhões de barris para algo entre 70 e 100 bilhões de barris.

A Política do Brasil a respeito de uso de tecnologia e mão de obra local cria um verdadeiro escudo para as empresas brasileiras. Como resultado, as empresas estão estabelecendo-se no país através de filiais ou então comprando  parte de empresas de serviços locais para conseguirem adentrar esse já grande e cada vez maior mercado brasileiro.

A Modal Administradora de Recursos (MAR), representante local do Grupo Modal, já movimentou US$ 1,1 bilhões desde a sua criação em 2009, principalmente com fundos de pensão e no BNDES, o banco de fomento estatal brasileiro, para o financiamento do Brasil na Indústria de Petróleo e Gás, através de dois fundos de investimentos privados. O FIP Oil & Gas, o primeiro e único fundo de investimento privado de óleo e gás no Brasil, completou o seu primeiro ano no final em maio, com cerca de US$ 280 milhões. Através deste fundo, que tem o apoio oficial da Petrobras, a MAR visa a aquisição de participações minoritárias em empresas que operam na cadeia de petróleo e gás, quer como prestador de serviços ou como fabricantes de equipamentos.

A MAR disse em um comunicado que acredita haver uma oportunidade única para os fornecedores da Indústria de Petróleo e Gás do Brasi crescerem exponencialmente na próxima década, com base nos planos da Petrobras de investir US$ 224 bilhões ao longo dos próximos cinco anos, investimento esse significativamente maior do que os US$ 79 bilhões investidos na últimos cinco anos. “Além disso, a Petrobras acaba de concluir o maior processo de capitalização nunca antes feito no mundo, levantando aproximadamente US$ 70 bilhões em recursos que serão usados para o financiamento de seu Plano de Investimentos”.

O potencial do Brasil após as descobertas do pré-sal tornou-se um importante tópico de recentes relatórios da mídia, mas várias oportunidades de exploração e produição em outras partes da América Latina também estão atraindo o interesse de empresas estrangeiras, incluindo empresas da China, enquanto a demanda global por energia vai crescendo e novos recursos devem ser aproveitados. Roger Tissot, um Economista independente especializado na área de Energia que atua sobre o mercado da América Latina, disse aos participantes da conferência que a América Latina vai se tornar uma grande fornecedora de petróleo e gás para os mercados emergentes como a China e a Índia, enquanto continua a abastecer o mercado norte-americano.

Operar na América Latina representa desafios importantes e muitas vezes caros, mas também muito bem premiados, disse Steven Crowell, CEO da Pluspetrol, companhia baseada em Buenos Aires, Argentina. A Pluspetrol é uma companhia privada de petróelo e gás que opera em seis países da América do Sul, como Bolívia, Argentina, Peru, Colômbia, Chile e Venezuela. A empresa é o maior produtor de petróleo e gás no Peru e o quarto maior produtor na Argentina.A disposição da empresa em prosseguir com projetos de exploração e produção, desafiando as formações geológicas, como a Cordinlheira dos Andes, investindo em infra-estrutura para permitir que seu petróleo e gás encontre acesso nos mercados e execute com sucesso um projeto, e ao mesmo tempo investir tempo e dinheiro para dar resposta às preocupações da população local sobre o Meio Ambiente, permitiu que Pluspetrol crescesse significativamente ao longo dos últimos 15 anos.

Crowell destacou os desafios de se trabalhar na América do Sul através dos detalhes do projeto da empresa de Camisea, em Cuzco, na Bacia do Peru. O rio local nesta província só possui profundidade suficiente para se operar com equipamentos flutuantes durante 4 meses do ano. “Você sabe que o equipamento que você precisa tem que deixar os EUA ou para onde ele está vindo para chegar em Quito no começo de janeiro, se você perder o prazo, você tem que esperar um ano para transportá-lo de volta”.

A empresa também teve de se adaptar a trabalhar em um ambiente em mudança com o seu projeto Centario na Argentina. O projeto começou fora das fronteiras de uma cidade local, mas ao longo do tempo, a cidade cresceu e agora abrange o local de campo. “Nós temos poços no aeroporto e tem um campo de golfe nas proximidades”, observou Crowell.

Para produzir no campo de gás de Ramos, na Argentina, a empresa investiu US$ 400 milhões em ativos de geração térmica de energia para criar um mercado para o gás do campo, em vez de reinjetá-lo no campo ou vender no mercado local.

Assim como em outras regiões do mundo, a América do Sul tem formações de gás de xisto inexploradas. No entanto, a infra-estrutura e os investimentos necessários para explorar e desenvolver recursos de gás convencionais não existem. “Desafios de infra-estrutura de preços atuais, incluindo controles de preços, torna difícil para explorar e desenvolver recursos de gás convencionais”, observou Crowell. Como o petróleo e gás foi fácil, as empresas devem estar dispostas a investir e se adaptar aos desafios de novos mercados.

Informações colhidas no Noticiário Internacional durante a semana.

Por Rodrigo Cintra

Deixe uma resposta