Em 2004, Transpetro gerava verdadeira guerra entre Estados da Federação

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Vejam esta notícia de 2004, uma época em que tudo ainda era muita incerteza: Há tempos um negócio não despertava tanto alarido no Brasil. Bastou a Transpetro, a empresa de transportes da Petrobras, anunciar meses atrás a decisão de encomendar um lote de 22 novos petroleiros fabricados no Brasil para desencadear uma intensa movimentação envolvendo empreiteiras e sete estados da Federação.

O edital com os termos da licitação só vai ser divulgado em outubro, mas a disputa por um negócio avaliado em 3 bilhões de reais já produz faíscas. A decisão da Transpetro de acolher propostas de todo o Brasil, dando aos interessados condições de igualdade para competir, mesmo a estados com pouca ou nenhuma tradição na indústria naval, provocou uma reação irada do governo de Rosinha Matheus, do Rio de Janeiro. “Estamos nos sentindo como o maratonista brasileiro que foi tirado da corrida no último minuto”, diz Wagner Victer, secretário de Energia, da Indústria Naval e do Petróleo do estado do Rio. “Fizemos um esforço monumental para ressuscitar nossos estaleiros, que hoje operam a todo o vapor, mas nada disso vai ser levado em consideração.” Na Bahia, um dos estados interessados em investir no pólo naval, a reação de Victer é recebida com ironia. “Não temos nada a ver com o complexo de perseguição do Rio de Janeiro”, diz Otto Alencar, secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia. “É pensar muito pequeno querer que toda a indústria se concentre ali.”

O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ex-senador do PMDB pelo Ceará, diz que não há nenhum estaleiro no Brasil com tecnologia capaz de atender às especificações técnicas e de prazos exigidas pela Petrobras. A construção desse primeiro lote de navios — um outro, de 31 embarcações, será licitado em seguida — vai requerer, segundo ele, a implantação de pólos navais com tecnologias de quarta geração. Além de Rio de Janeiro e Bahia, estão interessados no contrato Pernambuco, Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Pernambuco, que assinou um protocolo de intenção com a Camargo Corrêa, é um dos mais adiantados na disputa. Possui uma área de 78 hectares no porto de Suape com todas as licenças ambientais necessárias às obras já concedidas. São Paulo foi o último a entrar no páreo. O governador Geraldo Alckmin pretende construir no Guarujá ou em Santos dois estaleiros. Um para construção e outro para reparo de navios.

“Cada um desses estados tem de correr, buscar parcerias tecnológicas, investir em equipamentos e treinamento de mão-de-obra para se habilitar”, diz Machado. É o que estão fazendo, em parceria com empresas como Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS e Queiroz Galvão, que passaram os últimos meses sondando a possibilidade de fechar acordos de transferência de tecnologia com armadores do Japão e da Coréia do Sul, os líderes do setor no mundo.

Não é só o valor do contrato da Petrobras que explica o interesse pela implantação de pólos navais no país. Até 2010, os navios petroleiros terão de ter casco duplo para atender às novas determinações ambientais da Organização Marítima Internacional. Além disso, devido ao aquecimento da economia mundial puxado pela China, hoje faltam navios no mundo. A cada ano o Brasil gasta 6,5 bilhões de dólares em frete, boa parte dos quais paga a armadores internacionais. A esperança da Transpetro é que essa megalicitação de navios possa manter uma boa parte desse dinheiro no Brasil.

Com as informações – Nely Caixeta, do site Exame

E aí? Alguma coisa mudou?

Continuamos esperando os 22 navios. Foram 6 anos e nada!

Verdadeiros navios de papel.

Essa foi só para refrescar a memória do pessoal…

Por Rodrigo Cintra

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