Dispersantes aumentam toxicidade do petróleo derramado

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Produtos químicos usados para reduzir as manchas de petróleo resultantes do derramamento nas águas profundas do Golfo do México podem ter tornado o petróleo mais tóxico do que os relatórios oficiais sugerem, de acordo com um especialista canadense.

Peter Hodson, toxicologista aquático da Queen’s University em Kingston, Ontário, apresentou a sua tese em 9 de novembro à Society of Environmental Toxicology and Chemistry, em Portland, Oregon, em sessão que destacou os efeitos aleatórios de tratamentos com a fauna marinha.

Os produtos químicos, conhecidos como dispersantes, são usados para reduzir a tensão superficial do petróleo derramado, permitindo que o vento e as ondas quebrem-no em gotículas microscópicas. Essas gotículas são dispersadas pela água do mar em vez de formar manchas de petróleo flutuantes, que podem atingir a costa. Também são mais facilmente atacadas por bactérias que se alimentam de petróleo.

Mas até ser degradado por bactérias, o petróleo se mistura na água em vez de flutuar. Isso significa que seus componentes tóxicos, principalmente os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), podem ter um efeito maior sobre a fauna marinha.

As declarações oficiais da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) relataram que a mistura de dispersante de petróleo resultante do derramamento de Horizon não é mais tóxico do que o próprio petróleo. Apesar de ser tecnicamente verdadeira, essa afirmação é enganosa, ressalva Hodson, que vem estudando o efeito da dispersão de petróleo em embriões de peixes.

Hodson acrescenta que, embora a dispersão permita que o petróleo seja afastado de forma mais rápida, ele ainda pode demorar até um mês para que os micróbios tenham um impacto mensurável sobre a quantidade de petróleo presente.

Clipping direto – Scientific American Brasil

Por Marcus Lotfi

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