Capitania periciou navio que incendiou no porto

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Na tarde de hoje, inspetores navais da Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul, com sede em Rio Grande, fizeram perícia no navio mercante Lion, de bandeira maltesa, no qual houve um incêndio na última segunda-feira.

O incidente ocorreu por volta das 16h40min, no terminal portuário da empresa Yara Brasil, no Superporto, onde o navio estava em operação de descarga de 8,7 mil toneladas de matéria-prima para produção de fertilizantes. O fogo começou pelo camarote do comandante do Lion e alastrou-se para outros compartimentos. Bombeiros do centro da cidade levaram em torno de duas horas para controlar o incêndio. Conforme o inspetor naval Wilmar Altair Oliveira Silveira, que participou da perícia, o navio ficou com muitas avarias.

Os camarotes do comandante e do imediato, situados no terceiro convés, tiveram perda total. A copa do comandante, que fica no corredor em frente ao camarote, também queimou toda. A sala de comando (passadiço), localizada no quarto convés, para o qual o fogo subiu, teve queima parcial, e alguns equipamentos, como GPS, radares, GMDSS, VDR (registro de viagem do navio) e AIS (sistema de identificação da posição da embarcação), foram danificados, sendo parte deles pelo fogo e parte pela água usada no combate às chamas. O corredor do terceiro piso também foi parcialmente afetado. Certificados e planos do navio, mais os certificados dos tripulantes, foram queimados. A praça de máquinas não foi atingida e está funcionando bem, assim como a frigorífica e a cozinha, entre outros setores do Lion.

Comandante ficou na onça - hora de contabilizar os prejuízos

Os camarotes não-atingidos pelo incêndio ficaram sem iluminação porque os fios elétricos foram consumidos pelo fogo. O restante do navio tem iluminação. A carga também não foi afetada, e nesta terça-feira o navio continuou a operação de descarga normalmente. No entender de Silveira, o navio não tem condições de deixar o porto antes de passar por conserto, pois o estrago foi grande, havendo muitos equipamentos para trocar. “Ele tem a propulsão, mas o controle dela, que fica na sala de comando, foi comprometido”. Silveira relatou que o superintendente da operadora do navio, que é da Grécia, deve chegar amanhã (quinta-feira), em Rio Grande, para verificar a embarcação e definir as medidas que serão tomadas.

O comandante da embarcação, Tzevelekis Dimitrios, já acionou a seguradora. Um vistoriador da Sociedade Classificadora também deve vir ao porto rio-grandino para avaliar as condições do navio. O superintendente da operadora pode resolver rebocar o Lion para um estaleiro no Brasil ou no exterior para o conserto necessário. Durante a perícia, os inspetores navais ouviram o comandante da embarcação, que contou que estava dormindo no momento em que o incêndio começou e que acordou com o cheiro da fumaça. Ele sofreu queimaduras de segundo grau nas mãos ao tentar fazer o primeiro combate ao fogo e recebeu atendimento médico. Os outros tripulantes não sofreram ferimentos. A tripulação do Lion é de 24 pessoas, incluindo o comandante. São dois da Grécia, três de Montenegro, um romeno e os demais filipinos.

A causa do incêndio ainda não está definida, mas os indícios são de que tenha sido um curto-circuito. A perícia realizada pelos inspetores navais é destinada a uma investigação de segurança de acidente ou incidente marítimo. Paralelamente, outra equipe também fez vistoria para o inquérito administrativo aberto pela Capitania dos Portos para averiguar o que causou o incêndio. A capitania tem 90 dias para conclusão do inquérito, prazo que pode ser prorrogado.

Com, as informações – Jornal Agora

Por Rodrigo Cintra

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