Maersk Line quer dominar o Dragão

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A Maersk Line, maior transportadora de contêineres do mundo, quer uma fatia maior dos embarques relativos às importações para a China, que vem tendo um alto padrão de crescimento econômico, puxado pela crescente demanda interna por produtos importados.

“Vamos disponibilizar mais vendas e serviços aos clientes no mercado de importação”, disse Tim Smith, Diretor Executivo para a região da Ásia do Norte.

“Isso está muito ligado ao mercado interno da Ásia porque muitas das importações da China vêm de diferentes partes do continente. A China recebe as matérias-primas ou mercadorias parcialmente processadas, monta-as e envia para exportação. Então, nós estamos tentando combinar importações com exportações internas na Ásia”.

O volume transportado de mercadorias relacionadas com a China aumentou em mais de 10 por cento, 3 pontos percentuais acima do ganho global, contribuindo com 25 por cento do volume global da empresa e 35 por cento do seu volume total de exportações.

Tim Smith: “Nós vimos uma evolução no mercado de importação da China, que vai ajudar a demanda global. Nós estamos olhando isso muito de perto”

Nos primeiros nove meses deste ano, a Maersk Line assistiu a uma recuperação fantástica de sua perda histórica de 2009 de US$ 2,1 milhões para um lucro de quase US$ 2,3 milhões, graças a um aumento médio nas taxas de frete da ordem de 34 por cento ao ano, 7 por cento de aumento em volume transportado e substanciais economias feitas no transporte por unidade, oq ue barateou o custo das operações para a empresa.

Smith, um veterano de 25 anos da indústria naval, descreve a situação da empresa em 2010 como “estranha”, seguindo os padrões imprevisíveis de crescimento no trimestre.

O segundo trimestre deste ano registou um crescimento forte seguido de um crescimento médio inesperado no terceiro trimestre e uma ligeira queda no quarto trimestre, o que é incomum, devido à demanda sazonal de fim de ano já esperada.

“Nós fomos surpreendidos pela rápida melhora. A situação em 2010 é um pouco melhor do que o nível normal. 2011 não será necessariamente tão bom como este an, uma vez que a demanda pode diminuir, e temos que acompanhar atentamente a relação entre oferta e procura”, disse ele.

Navio da Maersk no Canal de Hong Kong - presença cada vez mais marcante na Ásia

Embora a recuperação mos mercados mais maduros, como Europa e EUA, ainda não seja suficientemente forte, o forte crescimento econômico nos mercados emergentes vão garantir-nos ainda mais motivos para sermos otimistas, disse Smith, estimando um crescimento da procura global de 8 por cento no próximo ano, em comparação com 2010.

“Não será necessariamente um crescimento consistente mês a mês, podendo haver variações, subindo ou descendo um pouco”, disse o Executivo da Maersk.

O volume transportado nas rotas transatlânticas aumentou 3 por cento nos primeiros nove meses deste ano. Em outras rotas, o crecimento foi bem maior: 7 por cento nas rotas transpacíficas e 16 por cento na América Latina e rotas da Oceania.

Tim Smith espera um aumento contínuo da demanda de carga na Ásia, América Latina e África para o próximo ano. Para o aumento da capacidade de transporte de contêineres, o que afetaria as taxas de frete, ele previu de 10 a 12 por cento da capacidade de crescimento anual, uma vez que mais navios novos são entregues aos Armadores em 2011.

Segundo o Executivo, fica muito difícil prever se as taxas de frete vão aumentar muito no futuro, mas com base nos níveis atuais, a empresa espera ver um bom lucro à frente.

O Grupo AP Moller Maersk aumentou em 17 por cento seus ganhos, atingindo a incrível marca de US$ 41,4 bilhões nos primeiros nove meses de 2010, principalmente devido ao aumento das taxas de frete para o transporte de contêineres e dos preços do petróleo, segundo declarações oficiais do Grupo publicadas em em 10 de novembro.

Para o mesmo período, o Grupo registrou um lucro líquido de US$ 4,2 bilhões contra uma perda histórica de US$ 1 bilhão em 2009.

O Grupo levantou a expectativa de um lucro anual de US$ 4 bilhões para US$ 5 bilhões, apesar da previsão de queda sazonal em ambos os volumes e nas taxas de frete para as atividades com transporte de contêineres prevista para o final do ano.

Por Rodrigo Cintra

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