Rio era azarão

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Quando a GE anunciou, em janeiro do ano passado, a intenção de instalar no Brasil um grande centro de pesquisa, o Rio entrou como azarão na lista das cidades candidatas. Acabou sendo agora escolhida por causa da boa receptividade que o projeto encontrou junto às autoridades, especialmente da prefeitura, e de uma bem-sucedida mobilização empresarial local.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Felipe Góes, o principal executivo da agência Rio Negócios, Marcelo Haddad, e o diretor do parque tecnológico da UFRJ na Ilha do Fundão, Maurício Guedes, visitaram nos Estados Unidos o centro de pesquisas da GE para abrir portas. Empresários como Olavo Monteiro de Carvalho, Maria Silvia Bastos e Eike Batista apoiaram pessoalmente a iniciativa. E a própria Petrobras manifestou simpatia em ter o centro de pesquisas da GE como quase vizinho do seu Cenpes, que há poucas semanas inaugurou novas instalações no Fundão.

O desafio foi conseguir uma área livre de 20 mil quadrados nas redondezas, pois o parque tecnológico da UFRJ já não tem disponíveis terrenos nessas dimensões.

O prefeito Eduardo Paes negociou uma área que pertence ao Exército e o município a cederá, em comodato, à GE, por 50 anos. Simultaneamente baixou um decreto reduzindo para 2% o ISS sobre qualquer centro de pesquisa independente dentro do município.

Felipe Góes considera que esse centro de pesquisa será um novo marco na trajetória de revitalização da cidade, pois suas atividades não se limitarão a petróleo e gás, e abrangerão também fontes de energia limpa, transportes, aviação e medicina.

A obra será feita em 18 meses, começando no início de 2011. O projeto é do tipo verde, com aproveitamento de luz ambiente, água da chuva, etc.

A OGX, companhia brasileira de petróleo cujo maior acionista (62%) é Eike Batista, está perfurando o seu vigésimo quarto poço em busca de petróleo e gás. Até 2013, serão 87 poços exploratórios, número que ultrapassará o total previsto para o período por todas as demais companhias de petróleo que operam no Brasil, exceto, obviamente, a Petrobras.

A empresa, com uma equipe formada originalmente por experientes técnicos que saíram — ou se aposentaram — da Petrobras, fez apostas audaciosas e acabou tendo sorte.

No sul da Bacia de Campos, a cerca de 60 quilômetros de Arraial do Cabo, a companhia adquiriu sete blocos (além de mais 14 em outras bacias) na 9aRodada de Licitações da ANP. Essa área era vista como o patinho feio da Bacia de Campos, com possibilidade de abrigar apenas petróleo pesado, de pouco valor comercial e em volumes que não compensariam o investimento.

Efetivamente, quase ao lado, foram descobertos campos de óleo pesado (Peregrino, Polvo, Papa Terra e Maromba). Na verdade, vulcões extintos, submersos a mais de 80 milhões de anos, dificultavam a visualização do que havia embaixo. Somente com a perfuração do primeiro poço confirmou-se a existência de várias camadas de óleo relativamente leve (de 24 a 28 grais API), como se fosse um mil folhas.

O anúncio das primeiras descobertas foi intensamente comemorado dentro da OGX, mas ainda há muita gente no mercado que continua esperando por um teste São Tomé para acreditar.

De certa maneira, isso já aconteceu, pois em uma das plataformas foi feito um teste de longa duração, queimando o equivalente a US$ 300 mil em óleo por 36 horas seguidas.

No quarto andar do prédio onde funciona a OGX, na Praia do Flamengo (no ano que vem a empresa vai se mudar para instalações do antigo Hotel Serrador, na Cinelândia), uma área está agora reservada para abrigar o pessoal que cuidará da produção. Essa nova etapa da empresa começará com a chegada de um navio FPSO, arrendado da OSX, outra companhia de Eike Batista, encarregada de construir embarcações e equipamentos para a indústria do petróleo. O FPSO OSX-1 está sendo adaptado em um estaleiro de Cingapura para o tipo de óleo que será extraído nos blocos da Bacia de Campos. Em julho ou agosto de 2011 estará produzindo cerca de 20 mil barris diários de óleo e gás, mas terá capacidade para chegar a cem mil barris. O diretor geral da OGX, Paulo Mendonça, acredita que os poços horizontais — técnica que não havia ainda sido usada nessa região — e bombas de sucção mais potentes resultarão em alta produtividade no campo.

As projeções da OGX são ousadas. Em 2015, a empresa espera produzir 730 mil barris de óleo e gás por dia, com base nas descobertas já feitas. E em 2019, 1.380 mil barris diários.

A OGX perfurou também poços em águas rasas na Bacia de Santos (ao lado do campo de gás Mexilhão, da Petrobras). Em terra, está perfurando seu segundo poço na Bacia do Parnaíba, no Maranhão. Lá o grupo de Eike Batista está associado aos detentores iniciais dos blocos (a empresa chamada Petra), numa área total que territorialmente supera a Bacia do Recôncavo, na Bahia, a mais antiga em atividade no Brasil.

Os levantamentos sísmicos em três dimensões e o teste de produção do primeiro poço apontam para a existência de reservatórios expressivos de gás natural.

Se os novos poços exploratórios confirmarem esse potencial, o grupo Eike Batista (EBX) planeja usá-lo em uma usina termelétrica, por meio da MPX , aproveitando a proximidade de um dos linhões de transmissão vindos de Tucuruí.

Uma aposta tão ousada quanto a que foi feita pela OGX no sul da Bacia de Campos está reservada para a costa do Maranhão e do Pará. A esperança nessa parte do Brasil se baseia no fato de ter mesma formação geológica da costa oeste da África (Gabão, Nigéria etc), região produtora de petróleo.

Mas se lá se enconde alguma província petrolífera, isso só vai se saber depois que alguns poços forem perfurados.

Clipping direto – Clipping MP

Por Marcus Lotfi

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