Por falta de subsídios, estaleiros brasileiros usam aço importado

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O preço do aço nacional continua longe de ser atrativo para os estaleiros brasileiros. Tanto que de 65% a 70% do produto usado na fabricação dos 49 navios do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), incluindo os 30 contratados com o Estaleiro Atlântico e Sul e o Promar, é importado. A subsidiária da Petrobras na área de transporte vem comprando da Ucrânia, da Coreia do Sul e da China o aço necessário para a construção das embarcações porque o custo do produto brasileiro tem se mostrado pouco competitivo.

Apenas duas siderúrgicas brasileiras estão aptas a fornecer as chapas grossas utilizadas na fabricação dos petroleiros – Usiminas e Cosipa, que inclusive pertencem ao mesmo grupo econômico. A última licitação realizada pela Transpetro para compra de 4,4 mil toneladas quem levou foi a Usiminas. Segundo o presidente da estatal, Sérgio Machado, as negociações envolvem 15 siderúrgicas de nove países. Até agora já foram adquiridas 150 mil toneladas de aço de um total de 712 mil que serão necessárias para a construção das 49 embarcações do Promef e mais os 20 empurradores e 80 barcaças do Promef Hidrovia.

´A retomada da indústria naval brasileira tinha dois gargalos: mão de obra e aço. A mão de obra conseguimos resolver, mas a compra do aço, que representa de 20% a 30% do custo de um navio, continua com esse problema. Nosso interesse é comprar aqui, mas somente se os preços seguirem o mercado internacional`, comenta Machado. Mesmo assim, o executivo destaca que o Promef tem alcançado um índice de nacionalização próximo dos 70%.

Este ano já foram lançados ao mar três navios do Promef. O primeiro, em maio, foi o João Cândido, produzido pelo Estaleiro Atlântico Sul. O segundo foi em junho – o Celso Furtado, fabricado pelo Estaleiro Mauá, em Niterói (RJ), o primeiro estaleiro brasileiro, erguido ainda no século 19. E o último petroleiro também acabou saindo da carreira do Mauá, o Sérgio Buarque de Holanda, batizado sexta-feira com a presença dopresidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Trata-se de um navio para transporte de derivados claros de petróleo, como gasolina e diesel, com 183 metros de comprimento e capacidade para 48,3 mil toneladas de porte bruto, cujo nome é uma homenagem a um dos maiores intelectuais brasileiros.

Com as informações – Micheline Batista, do Diário de PE

Por Rodrigo Cintra

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