EUA condenam cinco somalis à prisão perpétua por pirataria

0

 

Cinco jovens somalis foram condenados à prisão perpétua por atos de pirataria cometidos contra um navio da Marinha americana em abril. Foi o primeiro julgamento de um caso de pirataria marítima em quase 200 anos nos Estados Unidos.

Promotores afirmam que os jovens atacaram o navio USS Nicholas por engano, confundindo-o com um navio mercante, e almejavam obter ao menos US$ 40 mil (R$ 69 mil) em resgate pela embarcação.

Já os advogados de defesa alegaram que os jovens eram pescadores pobres que foram forçados por piratas a atacar o navio e que usaram suas armas de fogo no episódio apenas para chamar atenção e obter ajuda. Os réus, têm cerca de 20 anos, foram detidos em abril, junto com seis outros supostos piratas capturados dias depois perto de Djibuti. Eles foram condenados por pirataria, por ataque com objetivo de saquear uma embarcação marítima e por agressão com arma perigosa.

O julgamento ocorreu em Norfolk, no Estado americano de Virgínia, uma das maiores bases navais dos EUA e porto do USS Nicholas. O navio estava navegando a costa leste da África justamente em uma missão antipirataria quando foi atacado.

Resgates milionários

No início de novembro, outros grupos de piratas somalis receberam estimados US$ 12,3 milhões (R$ 21,3 milhões) em resgate, em troca da liberação de dois navios e seus tripulantes.

O resgate do petroleiro sul-coreano Samho Dream custou cerca de US$ 9,5 milhões, uma soma recorde paga aos corsários. O navio, que levava US$ 170 milhões em petróleo do Iraque aos Estados Unidos, havia sido sequestrado em abril.

Outro resgate milionário – US$ 2,8 milhões – foi pago pela liberação do Golden Blessing, um navio de bandeira de Cingapura com tripulação de 23 chineses, sequestrados também em abril.

Acredita-se que ao redor de 25 navios ainda estejam na costa da Somália sob o domínio de piratas, atuantes principalmente no golfo de Áden, uma das rotas marítimas mais movimentadas e perigosas do mundo.

Entre janeiro e setembro de 2010, piratas invadiram 128 navios, em ações que resultaram em um tripulante morto, 27 feridos e 773 feitos reféns, segundo o Birô Marítimo Internacional. É o índice mais alto de sequestros nos últimos cinco anos, e os piratas somalis são responsáveis pela maioria dos casos.

A fragilidade do governo somali é apontada como um dos fatores que facilitam a atuação dos piratas.

Uma corte especial para julgar os corsários detidos foi montada no Quênia, a partir de acordo firmado com a União Europeia, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, o Canadá, a China e a Dinamarca.

Com todas as informações – BBC Brasil

Por Caê Mahan

Deixe uma resposta