Statoil quer maior participação no Brasil

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Dos mares gelados do Ártico às águas quentes do Atlântico Sul. A Statoil, gigante norueguesa do setor do petróleo, colocou o Brasil como uma de suas prioridades de expansão em 2011 e avisa: está buscando oportunidades de investimento, seja no pré-sal ou em outras descobertas. Em declarações ao “Estado”, o Vice-Presidente da empresa, John Knight, assegurou que a companhia “está em busca de boas oportunidades no Brasil”.

A empresa já investiu US$ 5 bilhões no País e começará sua produção de petróleo do campo Peregrino com a chinesa Sinochem a partir de 2011. A projeção inicial é de uma produção de 100 mil barris por dia. No campo de Peregrino, a estimativa é de que existam entre 300 milhões e 600 milhões de barris de petróleo recuperáveis.

John Knight - Vice-Presidente

Mas Kinght insiste que a meta é expandir as atividades do grupo no Brasil. “Em 2010, várias propostas de negócios no Brasil foram avaliadas por nós e, de fato, tentamos chegar a um acordo para expandir nossas operações no Brasil. Mas, por enquanto, não encontramos ainda uma que tenha um preço que consideramos atrativo”, disse. “Vamos continuar a buscar essas oportunidades. Quando encontrarmos, certamente não vamos deixar passar em branco. O Brasil é um mercado promissor e suas reservas são de importância estratégica no mercado global”, explicou o executivo, em entrevista concedida em Genebra.

Depois de passar anos limitada à exploração de petróleo nas águas da Noruega – que trouxe uma revolução para a renda do país escandinavo -, a Statoil se internacionalizou. Hoje, 25% de sua produção total de 2 milhões de barris de petróleo está no exterior, em países como Iraque, Venezuela, Angola e Nigéria.

Nobel

Com 67% do seu controle nas mãos do governo da Noruega, a Statoil foi alvo de uma polêmica há apenas algumas semanas que poderia ameaçar sua parceria com os chineses na exploração do pré-sal. O Comitê do Prêmio Nobel da Paz, que fica em Oslo, escolheu como vencedor um dissidente chinês. As autoridades de Pequim deixaram claro, mesmo antes da entrega do prêmio, de que não ficaram satisfeitos com a escolha dos noruegueses e que a decisão teria repercussões até comerciais.

Mas Knight garante que o prêmio ao dissidente chinês não teve qualquer tipo de repercussão. Em junho, a Statoil assinou um acordo e vendeu 40% das ações no campo de Peregrino aos chineses por US$ 3 bilhões (ver acima). O acordo ainda aguarda a aprovação pelas autoridades chinesas e brasileiras.

Jonas Gahr Stoere - Ministro das Relações Exteriores

O Ministro de Relações Exteriores norueguês, Jonas Gahr Stoere, insistiu que seu governo não tem influência sobre a escolha do premiado. “É importante sublinhar o óbvio, a clara distinção entre o comitê Nobel, que toma as decisões de forma totalmente independente, e o governo da Noruega, que desenvolve e aprecia as relações bilaterais com a China”, disse Stoere, em um comunicado.

Para ele, portanto, a Noruega “não tem de pedir perdão”. “Não há base para que haja um impacto direto das relações da China com a Noruega”, afirmou o ministro. “Acho que, se isso ocorrer, teria um impacto negativo para a reputação da China.”

O ganhador do prêmio é escolhido pelos cinco membros do comitê do Nobel, eleitos pelo parlamento norueguês. O comitê, neste ano, é liderado por Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro do país.

Com as informações – Jamil Chade, do Estado de S.Paulo

Por Rodrigo Cintra

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