Aumenta a fila de navios em portos brasileiros

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Até alguns anos atrás, a principal preocupação dos portos nacionais era acabar com as filas de caminhões que abarrotavam a entrada dos terminais. Elas continuam. Mas, hoje, as autoridades portuárias têm uma dor de cabeça adicional para resolver: a fila de navios que congestionam os canais de acesso marítimo.

Entre janeiro e agosto deste ano, as embarcações que fazem escala no Brasil esperaram, juntas, 78.873 horas (ou 3.286 dias)para atracar nos portos nacionais – cada dia parado custa algo em torno de US$ 20 mil. O número é 16% superior ao verificado em igual período do ano passado, quando o tempo de espera já havia começado a piorar. Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Centro Nacional de Navegação (Centronave).

O trabalho considerou a movimentação das cinco maiores empresas de navegação nos 17 principais terminais de contêineres do País, como Santos, Paranaguá, Rio Grande e Rio de Janeiro. De acordo com o levantamento, os atrasos e tempo de espera dos navios no País provocaram 741 cancelamentos de escala – 62% superior ao de 2009. “São números significativos que mostram o gargalo da infraestrutura brasileira”, lamenta o presidente do Centronave, Elias Gedeon.

Ele reconhece que o governo tem tentado melhorar a situação dos portos, mas a demanda está superando o resultado das ações e o aumento da oferta. O executivo observa que, em Santos, o volume de contêiner aumentou 215% nos últimos dez anos. Enquanto isso, houve um aumento de apenas 23% no comprimento nos berços de atracação e 20% na área alfandegária. “Vale lembrar que o tamanho das embarcações cresce ano após ano. De 2005 pra cá, o aumento foi de cerca de 30 metros”, diz Gedeon, explicando que navios maiores comprometem mais berços na atracação. O diretor da Associação dos Usuários dos Portos da Bahia (Usuport), Paulo Villa, lembra que a armadora Maersk acaba de encomendar 20 navios de 19 mil teus (unidade padrão representada pelo contêiner de 20 pés). Os maiores em operação no mundo são de 15 mil teus, equivalentes a quatro quarteirões, e nunca estiveram no Brasil.

Para o especialista, o Brasil precisa de mais terminais e berços para atender a demanda crescente. Mas também é preciso melhorar a infraestrutura de armazenagem e modernizar os equipamentos de operação de carga e descarga de contêineres. Apesar de todos os avanços, os terminais nacionais fazem entre 20 e 40 movimentos de contêineres por hora, segundo o Centronave. No exterior, esses números caem, pelo menos, pela metade.

Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, outra deficiência que atrasa o embarque e desembarque de mercadorias nos portos é a burocracia e a falta de coordenação entre os diversos órgãos que atuam nos portos, como agências reguladoras, polícia federal, receita federal, etc. “Qualquer coisa na vida precisa de administração, de gestão. No porto não é diferente. Ele precisa de planejamento”.

Carlos Kopittkae, diretor da Companhia Docas de São Paulo (Codesp), que administra o Porto de Santos, reconhece que o tempo de espera dos navios aumentou este ano – chegou a ter 120 navios fundeados na barra. Ele destaca, porém, que alguns terminais de contêineres planejaram a entrada em operação de berços adicionais, tiveram problemas com licenças ambientais e não conseguiram cumprir as escalas agendadas. “Isso acabou acumulando um número grande de navios na barra.” Segundo ele, a adoção de sistemas de monitoramento de carga e desburocratização devem acelerar as operações no porto.

Com as informações – A Tribuna

Por Rodrigo Cintra

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