Diário da Gafe: Diário do Pará publica “Sargento da Marinha Mercante”

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Não é de hoje que a imprensa não se preocupa em como tratar dos militares nos termos corretos. Engraçado, porque dizer as palavras certas é uma atividade que sempre esteve na cartilha dos jornais, mas com os “milicos”, a história é outra. Com certeza, isto deve ser algum resquício da ditadura. Vingança, só pode ser. O fato é que a Marinha Mercante acaba entrando neste balaio , como é o caso desta matéria publicada no Diário do Pará, que diz ter sido assassinado um “sargento da Marinha Mercante”.

É, querido Diário…O mercante foi assassinado e o bom-senso “foi de bucha”. Sargento da Marinha Mercante não existe! A Marinha do Brasil, chamada popularmente de Marinha de Guerra tem patentes militares, mas a Mercante não tem patentes, mas postos, numa hierarquia funcional. Sargento da Marinha, portanto, existe.  Não ocorre aos redatores que milhares de leitores são mercantes ou militares? Não ocorre aos editores executivos e aos diretores de marketing que cada contato com a marca deve ser positivo? E ainda querem limar nossos diplomas! Pensando bem, pode até ser justo. Afinal, de que adiantam os oito períodos?

Parece sargento?

Eu sei que a diferença é sutil para quem é leigo, mas para isso existe uma coisa que se chama manual de redação. A Folha de São Paulo tem, O Globo tem, o Estadão também tem. São normas básicas de como falar sobre assuntos que não entendemos. Aliás, este é o grande equívoco do jornalista. Como precisa falar um pouco sobre várias coisas, muitos jornalistas acham que entendem muito sobre muitas coisas – sem contar aqueles que acham que entendem tudo sobre tudo.

Não é pelo fato de trabalharmos com jornalismo especializado que dedicamos um artigo a isso. O fato é que esta falha é grotesca, e nos remete a vários erros da imprensa que causaram consequências gravíssimas, como é o caso da Escola Base, entre tantos outros.

Assessor, sua antinha!

Aprendi trabalhando com jornalistas que já ganharam Prêmios Esso e prêmios internacionais. Com eles, coloquei na minha cabeça que jornalismo é apuração. Em outras palavras, procurar saber quem sabe das coisas.

Eu sou um mero ex-aluno da EFOMM. Em termos de Marinha Mercante, sou um zero à oitava…Um zero quase à esquerda. No entanto, caros coleguinhas, estou muito bem acompanhado por especialistas na área, e evito ao máximo dizer algo que não sei. Um dos principais problemas da imprensa hoje em dia é não querer saber.

Já dizia minha avó: Não confunda liberdade com libertinagem. Então, vamos parar com esta libertinagem de expressão e tratemos de apurar as coisas antes de dizer.

Seguindo com a matéria do Diário do Pará, li que o “militar aposentado” estava…

Caros colegas: Aposentado, sim. Militar, não. A Marinha Mercante não tem farda, tem uniforme ; não tem militares, tem marítimos e, para terminar, tem capitães, mas não os de fragata, os de corveta e nem os de mar-e-guerra, ok?

Enfim, a desinformação já é tanta que vão matar um “Coronel da Marinha Mercante” qualquer dia…

Segue o link da matéria – Diário do Pará

Por Marcus Lotfi

1 COMMENT

  1. Tem muito sabido de Marinha Mercante por aí. Por essa e por outras que o Pará precisa de mais veículos como o Jornal O Liberal que, apesar de algumas rasgações de seda desnecessárias com “personas non gratas” na Marinha Mercante, em geral cobre bem a área, preocupando-se em noticiar a atividade com qualidade.

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