OPEP de olho no barril a US$100

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A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) realizou sua última reunião do ano em Quito observando com prudência o fato de o barril ter superado pela primeira vez desde 2008 os 90 dólares, e sem um consenso sobre o que seria um preço “justo” do petróleo para os próximos meses, em um contexto econômico ainda frágil.

“Um barril a 100 dólares não nos dá medo. É um preço evidentemente positivo do ponto de vista das receitas, mas é preciso ver o outro lado: a estabilidade do preço a longo prazo”, declarou o ministro equatoriano de Recursos Não Renováveis, Wilson Pástor.

No último sábado (11), a Opep optou pela cautela e manteve suas quotas de produção no mesmo nível que ostenta desde janeiro de 2009, considerando que o abastecimento do mercado é correto e que a instabilidade do clima econômico mundial pode distorcer a demanda em 2011, o que teria impacto sobre os preços.

“O que motivaria uma mudança das quotas é um desabastecimento, mas não serão alteradas em função do preço, que também reflete a especulação. Nós não miramos no preço, e sim no mercado”, declarou o responsável líbio, Chukri Ghanem.

Fruto desta tranquilidade é que a organização não previu uma nova reunião até junho de 2011.

“Se o barril subir para 100 dólares, veremos. Se isso perturbar a demanda e a oferta, será preciso convocar uma reunião extraordinária da Opep, mas agora não é o momento”, disse Pastor, que descreveu o aumento dos preços do barril de “vai e vem especulativo”.

“O preço atual não afetou negativamente o crescimento mundial”, declarou o secretário-geral da organização, Mohammed El Badri.

Pela primeira vez na história, o barril superou os 100 dólares em janeiro de 2008 e chegou em julho deste ano a 147 dólares. Dois meses depois, caía novamente para menos de 100 dólares.

Segundo os responsáveis dos 12 países-membros da Opep, nesta ocasião os preços sobem não por problemas na demanda ou na oferta, mas pela especulação e desvalorização do dólar, sua moeda de referência.

Nos bastidores, os membros não entram em acordo sobre qual deveria ser o valor mais “justo” do barril: 80 dólares para a Arábia Saudita, maior produtor do mundo com mais de 8 milhões de barris por dia, 90 para Angola, 100 para Líbia e Venezuela.

Para os mais conservadores, um preço muito alto colocará em risco a incipiente recuperação econômica; para outros, um barril acima dos 100 dólares financiará seus enormes custos de produção e compensará a perda de receitas provocadas pela desvalorização da moeda americana.

Com as informações – AFP

Por Rodrigo Cintra

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