Vídeo: Brasileira que estava à bordo do Clelia II conta como foi a tempestade

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O pacote de uma viagem em um navio de luxo prometia um passeio de quatro dias para apreciar icebergs e pinguins nos mares da Antártida. Mas o que os passageiros do cruzeiro viram foi um encontro assustador com ondas de quase nove metros de altura.

O programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, localizou uma tripulante brasileira desse navio em Ushuaia, extremo sul da Argentina, para contar os detalhes dessa aventura.


Avistar terra firme foi um alívio. Das 165 pessoas a bordo do navio grego Clelia II, apenas uma ficou levemente ferida. Foi o final feliz de uma história que, três dias antes, parecia um filme de terror.

“O continente Antártico é espetacular do ponto de vista de paisagem. Eu diria que é um turismo radical. Em 24 horas, você tem todos os tipos de clima possível”, conta o oceanógrafo Frederico Brandini.

Na terça-feira passada (7), o cruzeiro estava a 120 quilômetros da Península Antártica, perto das ilhas Shetland do Sul, quando foi atingido por uma tempestade.

Entre os 77 tripulantes do navio, estava a bióloga brasileira Cláudia Roedel. E ela conta tudo o que viu. “Quando eu olhei para fora, eu reparei uma onda, falei ‘essa onda é muito grande. Eu preciso segurar’”, lembra.

Ondas gigantes da altura de um prédio de três andares invadiram a cabine de comando do navio. “O chão estava balançando, tinha faísca para todo lado”, diz a bióloga.

Ela estava ao lado do comandante naquele momento. “O que o capitão acredita que aconteceu foi que uma das partes de madeira do bote da embarcação se soltou com a onda e bateu nas janelas, quebrando as janelas.”

A água causou curto-circuito nos equipamentos. O timão principal do navio foi danificado e o Clelia II ficou sem radar, praticamente, sem comunicação. Naquele momento, os passageiros assistiam a uma palestra e não perceberam nada, como mostram as imagens registradas pela americana Daniele Mates.

“No final da palestra, demos o anúncio que todo mundo deveria voltar para as cabines e ficar até segunda ordem, porque a tempestade tinha aumentado”, conta Daniele.

Uma passageira conta que ficou incomodada com o balanço intenso. “Muita gente bateu a cabeça nas paredes das cabines, tinha que se segurar muito bem pra não cair”, revela outro passageiro.

“Precisaram fechar a parte elétrica de várias partes. Uma das partes que foi fechada foi a cozinha. Então, não houve almoço, nesse dia, quente. A cozinha preparou sanduíches para todos. Esses sanduíches foram entregues nas cabines dos passageiros,” conta a bióloga.

Prosseguir com a viagem naquelas condições seria perigoso demais. “A gente esperou, decidiu não avançar contra a tempestade,” disse Cláudia.

Durante quase 24 horas, o navio ficou praticamente parado, em um dos mares mais perigosos do mundo.

Clipping direto – G1

Por Marcus Lotfi

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