Problemas históricos nos Terminais Portuários são acentuados pelas importações

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Os terminais portuários caminham para a saturação, as instalações privadas apresentam mais eficiência que as áreas públicas e os custos de movimentação diminuem quanto maior é a eficiência de escala. Essas são algumas das conclusões do estudo do Coppead.

De acordo com o professor de Logística e Supply Chain Management do instituto, Peter Wanke, a pertinência da pesquisa é ter uma visão de como está a infraestrutura no Brasil em termos de utilização, produtividade e capacidade. E o resultado do levantamento é um prenúncio do que veio a se acentuar com a retomada dos volumes no pós-crise em 2010, especialmente com o impulso das importações. “Sistematicamente estão acontecendo filas de navios nos portos e os terminais estão batendo recordes de movimentação. Está na hora de expandir a oferta porque as folgas são pequenas e não se amplia porto de uma hora para outra. Porto não é só construir, tem de licitar, obter a licença ambiental”, sustenta o pesquisador.

A avaliação do Coppead baseou-se em três indicadores: eficiência, custo de movimentação e tempo de espera para o navio atracar. Foi atribuída uma colocação por ordem crescente para cada terminal de acordo com o desempenho em cada categoria. As três variáveis têm peso igual e o resultado final é a média entre elas. Vale destacar que o custo da movimentação refere-se aos gastos que a instalação tem, composto especialmente por mão de obra. Não é, portanto, quanto o terminal cobra do embarcador para operar. “Mas, cedo ou tarde, os custos pressionam o preço”, explica Wanke.

Peter Wanke

Só integraram os rankings os terminais que forneceram dados para os três tópicos. Por isso um terminal de uso privativo, como por exemplo o da Vale, em Tubarão (ES), ficou de fora, apesar de ser considerado no universo de granéis sólidos o mais produtivo.

O presidente da Associação Brasileira de Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), Sérgio Salomão, alerta que elaborar rankings sem considerar todos os operadores pode não refletir necessariamente a realidade. “Exames incompletos podem levar a diagnósticos distorcidos”, diz Salomão.

Mas Wanke argumenta: “O Brasil tem cerca de 150 terminais que operam entre granel e contêiner, conseguimos dados disponíveis para 37 terminais de contêineres e 53 terminais de granéis. Em termos acadêmicos, chama-se amostragem por conveniência, o pesquisador trabalha com a informação disponível.”

Para o diretor executivo do Centro Nacional de Navegação (Centronave), Elias Gedeon, o estudo corrobora o que o setor fala há anos. “O grande número de cancelamentos de escalas desde janeiro deste ano comprovam que o comércio exterior brasileiro está enfrentando um sério gargalo por falta de infraestrutura adequada nos portos. Os navios de companhias associadas ao Centronave ficaram mais de 3 mil dias à espera de atracação e embarque e desembarque neste ano. É um número absurdo, com forte impacto negativo na cadeia produtiva.”

O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, destaca que grande parte do problema está do porto para fora — nos acessos terrestres para se chegar ao porto com a mercadoria. “Na maioria dos portos os acessos são difíceis, o que contribui para gerar as filas de navios. É por isso que as obras previstas no PAC têm de continuar”, defende Gedeon.

O dirigente defende também a necessidade de o governo dar mais impulso ao modal hidroviário – que “precisa deslanchar” – e pondera que iniciativas com vistas à desburocratização, como o projeto da Secretaria de Portos denominado Porto Sem Papel, estão no caminho certo.

Com as informações – Valor Econômico

Por Rodrigo Cintra

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