ALL entra na disputa pelo Mercado de contêineres

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Após fusão de ativos com a Standard Logística, será criada a Brado Logística, empresa que nasce com ativos de R$ 1,5 bilhão e previsão de investimentos de R$ 1 bilhão em cinco anos, principalmente na compra de locomotivas e vagões ferroviários.

A América Latina Logística (ALL), maior companhia ferroviária do Brasil, anunciou ontem a criação de uma nova operadora logística para atuar no setor de contêineres. A empresa, chamada de Brado Logística, nasceu da fusão com a Standard, uma companhia especializada em transportes de cargas frigorificadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A nova operadora será independente da gestão e administração da ALL, que tem 21,3 mil km de ferrovias. A empresa vai assumir a gestão dos terminais de contêineres de Porto Alegre, Uruguaiana (RS), Araucária (PR) e Tatuí (SP). Também ficará responsável pelos contratos de transporte de contêineres assinados com a ALL.

Além disso, a Brado contará com a infraestrutura da Standard Logística, que está presente em São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Tem cinco terminais intermodais, cinco complexos logísticos de cargas frigorificadas e um porto seco no interior paulista. Antes da fusão, Standard e ALL já haviam firmado parcerias em cinco terminais intermodais rodoferroviários. Dois deles escoavam a produção de indústrias para o Porto de Paranaguá (PR), dois para o Porto de Rio Grande (RS) e um para Santos (SP). Juntos, os terminais movimentavam uma média mensal de 3 mil contêineres.

Com a fusão, a nova empresa terá R$ 1,5 bilhão em ativos. Nos primeiros cinco anos, vai investir R$ 1 bilhão em vagões e locomotivas, que serão destinados às rotas com potenciais cargas de contêineres. Os recursos também serão aplicados em melhorias e ajustes da via permanente da malha ferroviária. A Brado será responsável por um projeto pioneiro no Brasil, que é o transporte de vagões Double Stack (dois contêineres empilhados um sobre o outro).

A nova operadora não só fará o transporte, como vai oferecer uma série de serviços para os clientes, desde a fábrica até o porto ou centro consumidor – ou vice-versa. Com a estrutura que passa a ter, a Brado pretende atrair clientes de médio e pequeno porte, que hoje estão à margem do transporte ferroviário.

Um dos principais objetivos da empresa é conseguir abocanhar até 50% de toda movimentação de contêineres dos portos onde a ALL atua hoje – Santos, Paranaguá, São Francisco (SC), Rio Grande e o porto seco de Uruguaiana. Segundo a concessionária, o mercado total na sua área de atuação é de aproximadamente 2,6 milhões de contêineres por ano. A participação da ALL nesse mercado é de apenas 2%.

“Nossa participação no mercado de contêineres é muito baixa. Além de investimentos específicos, vamos oferecer nível e variedade de serviços inéditos no mercado nacional, possibilitando acesso ao modal ferroviário para clientes que não usam hoje esse modal”, disse, em nota, Paulo Basílio, diretor-presidente da ALL.

O Presidente da Brado será José Luis Demeterco Neto, fundador e diretor-presidente da Standard. O negócio foi assessorado, do lado da ALL, pelo banco Credit Suisse e o escritório de advocacia Barbosa, Müssnich & Aragão. A Standard foi assessorada pelo banco de negócios BR Partners e pelo escritório Vieira, Rezende, Barbosa e Guerreiro Advogados.

Nos últimos meses, o setor de logística virou foco de grandes empresas, sejam ferroviárias ou portuárias. O motivo é o crescimento exponencial do segmento, diz o especialista em logística Antonio Wrobleski, sócio da AWRO Logística. “O setor cresce três vezes mais que o PIB. Ou seja, algo em torno de 21%.” Para ele, os processos de fusão e aquisição deverão se intensificar daqui pra frente. Isso porque o setor de logística no Brasil é muito fragmentado, com empresas de pequeno e médio porte.

Com as informações – Renée Pereira / O Estado de S.Paulo

Por Rodrigo Cintra

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