Instalações offshore: pioneirismo brasileiro

1

Todas as instalações offshore (marítimas) existentes no País atualmente têm a finalidade de extrair gás e petróleo, sendo a Petrobras a única a explorar essa tecnologia. Com a exclusividade das operações em território nacional, a empresa teve de investir em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e fazer parcerias com diversas universidades para criar tecnologias de exploração offshore. Assim, o País passou a explorar águas cada vez mais profundas e tornou-se reconhecido internacionalmente como líder em tecnologia offshore.

A capacidade de produzir petróleo de cada país é um dos termômetros para quantificar e qualificar sua influência econômica e política no cenário mundial. Atualmente, os maiores produtores de petróleo dividem-se entre os Estados Unidos e diversos países do Oriente Médio, nações constantemente envolvidas em lados opostos de questões polêmicas. O Oriente Médio ainda possui o maior número de poços e também é o maior exportador do insumo.

A prospecção de petróleo confere poder político-econômico às nações exploradoras, já que a produção de energia impacta diretamente na indústria e no desenvolvimento do país, fomenta P&D e exportação do insumo e seus derivados. A luta pelos poços de petróleo já levaram a inúmeros conflitos, até mesmo armados, como a Guerra do Golfo, quando o Kuaite foi invadido pelo Iraque e seu território anexado ao país, em 1990, devido à queda de preços do petróleo. O Iraque chegou a bombardear todos os poços petrolíferos kuaitianos. Até hoje, conflitos religiosos e territoriais englobam, também, a luta pelo domínio do petróleo.

Apesar de a luta pelo líquido escuro e valioso ter seu início com o advento da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), quando foi usado como fonte de energia nos meios de transporte. Mas foi durante a Segunda Grande Guerra (1939-1945) que a disputa por petróleo ficou mais evidente, já que constava entre as estratégias de alguns países envolvidos nos conflitos, como os Estados Unidos.

Contudo, o petróleo já era explorado décadas antes. Um dos primeiros serviços a utilizar o petróleo como fonte de energia foi a iluminação pública no início do século XIX, em substituição a um gás obtido por meio do carvão vegetal. O insumo permaneceu nessa função até meados da década de 1870, quando Thomas Alva Edison inventou a lâmpada incandescente e diminuiu consideravelmente a sua utilização.

Até então, um dos fornecedores do óleo era os Estados Unidos, que perfurou em 1859, na Pensilvânia, o primeiro poço de petróleo do mundo, descoberta que incentivou iniciativas em diversos países. Um deles foi o Brasil, que encontrou seu primeiro poço petrolífero em 1864, em Bofete, interior de São Paulo, que rendeu apenas dois barris. Até o final do século XIX, dez países possuíam produção própria de petróleo onshore (extração terrestre).

Algumas décadas depois, no início do século XX, a invenção dos motores movidos a gasolina e a diesel retomou o interesse econômico e, consequentemente, os investimentos para o desenvolvimento de novas tecnologias para extração do petróleo.

Assim, os primeiros sinais de que o Brasil finalmente entraria na “corrida pelo petróleo” foram dados com a posse, em 1950, do presidente Getúlio Vargas, que tinha o setor de energia como um dos principais dentre seus planos de expansão.

Mas os investimentos em extração de petróleo só alavancaram com a criação, em 3 de outubro de 1953, da Petróleo Brasileiro S.A., mais conhecida como Petrobras. A fundação da empresa ocorreu após uma espécie de “comoção popular” gerada pelo slogan “O petróleo é nosso”, citado por Vargas em 1947 após a descoberta de mais um poço petrolífero, desta vez na Bahia, impulsionando os estudos nessa área.

Assim, Vargas abriu caminho para Juscelino Kubitschek e seu “Plano de Metas”, que tinha como lema “Crescer 50 anos em cinco” e incluía a produção de energia elétrica e o refino de petróleo. Para sua empreitada, Kubitschek pôde contar com investimentos estrangeiros devido a sua decisão de manter a Instrução nº 113 da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) que concedia a empresas estrangeiras a isenção de taxas de importação de máquinas e equipamentos, mesmo se houvesse materiais similares de fabricação nacional. Segundo o engenheiro de suporte técnico às plataformas offshore da Petrobras, Estellito Rangel Junior, ainda nessa época houve grande esforço para que os equipamentos fossem fabricados por empresas nacionais. Apesar dos pontos negativos, como a inflação, a indústria elétrica cresceu 300% durante os seis anos do mandato de Kubitschek.

Leia na íntegra em: O Setor Elétrico

Por Marcus Lotfi

1 COMENTÁRIO

  1. A Petrobras destaca-se nao so pelo seu desempenho financeiro, mas tambem pelos profissionais altamente qualificados que compoem seu quadro tecnico, como o eng. Estellito Rangel citado na reportagem, o qual possui diversos artigos publicados em revistas tecnicas nacionais e internacionais, sendo o primeiro profissional brasileiro a obter na Inglaterra a certificacao completa CompEx, o que o distingue como especialista em prevencao de explosoes e instalacoes eletricas especiais .

Deixe uma resposta