Travessia do Atlântico – Um dos velejadores sonha em entrar para a EFOMM

0

Ouro nas Olimpíadas de Atlanta (96) e Atenas (2004), o iatista Torben Grael já tinha duas medalhas olímpicas (um bronze e uma prata) em 1993, quando completou sua primeira regata oceânica. Experiente e vencedor, Torben tinha 33 anos quando participou da Cape Town-Rio, regata tradicional que sai da Cidade do Cabo, na África do Sul, para o Rio de Janeiro. Hoje, Torben se enche de orgulho ao ver que quatro jovens do Projeto Grael participarão da mesma regata oceânica na qual ele estreou. Samuel Gonçalves, de 23 anos; Hallan Batista, 22; Alex Sandro Mattos, 21; e Allan Tavares, de 18, partem dia 15 da Cidade do Cabo para uma travessia de pelo menos 20 dias em mar aberto, num barco de 41 pés, ao lado de dois iatistas sul-africanos experientes. Serão os únicos brasileiros da regata.

“Vai ser uma experiência muito enriquecedora para eles. Primeiro, por conhecerem a África do Sul. Depois, pela regata em si. Quando eu participei, fui achando que a regata era algo como cruzeiro, então nós fomos com um barco mais adequado a isso, e nos deparamos com um monte de barcos de competição. Eles, não. Já vão com um barco de regata mesmo”, comenta Torben, que acredita no potencial dos quatro pupilos: “Os quatro têm participado de muitas competições e têm experiência de vela oceânica”.

O instituto, que funciona em Niterói, foi criado há dez anos por Torben, Lars e Axel Grael e Marcelo Ferreira, para promover a educação, através da vela, para crianças e adolescentes de comunidades carentes de Niterói e São Gonçalo. Um ano depois, Samuel Gonçalves, então com 14 anos e 98 quilos, assistiu a uma palestra sobre o projeto em sua escola. Apaixonou-se imediatamente. Entre 2001 e 2004, fez os cursos básico e avançado, que incluem disciplinas como carpintaria e mecânica, ganhou o certificado da Federação Brasileira de Vela como gerente de barcos e tornou-se tricampeão brasileiro na classe Ranger. Estudante de Desenho Industrial na UERJ, Samuel não se esquece das vezes em que ficou na frente até de seus ídolos.

“Em 2009, fui convidado por um suíço para velejar com ele no Sul-Americano de Vela, pela classe Star, que é olímpica. Na classificação final, não deu, mas teve uma regata em que cheguei à frente do Torben! Depois, fui convidado por um brasileiro para disputar o Europeu da Star na Itália. Eram 143 barcos e chegamos em terceiro lugar em uma das regatas, na frente do Robert Scheidt. Nesse dia até pulei na água na chegada. Outra grande emoção foi quando o Torben me chamou para velejar ao seu lado, este ano, na Soto 40”, lembra ele, que hoje, nove anos depois de seu primeiro contato com a vela, pesa 85 quilos: “O Projeto Grael mudou minha mente e meu corpo”, afirma.

Em 2002, Alex Sandro soube por um amigo que havia vagas em um projeto social da triatleta Fernanda Keller, que ficava em um contêiner em Charitas. Foi até lá, mas entrou no contêiner errado. “Naquela época o Projeto Grael não tinha ainda sede própria, ficava num contêiner vizinho ao da Fernanda. Quando percebi meu erro, resolvi saber do que se tratava. Gostei e fiquei. Fiz o curso básico de Optimist e quase todos os profissionalizantes, como mecânica diesel, marcenaria, eletrônica e fibra de vidro. Depois, fiz o de vela avançada”, enumera o rapaz, que é filho de empregada doméstica e está tentando entrar no curso de Construções Navais, da Faetec.

Hallan interrompe para explicar que não basta saber velejar: “Numa regata, é você quem cuida do seu barco. Tem que saber tudo”, diz ele, que chegou ao Projeto em 2005, junto com seu irmão gêmeo, Rennan, e seis meses depois já participava de regatas na Bahia. Filho de uma diarista e de um pescador, Hallan sonha dar a volta ao mundo através da vela. “A Cape Town é um primeiro passo. Quero participar da Volvo Ocean Race, que dá a volta ao mundo”, diz. Samuel também sonha com a Volvo, enquanto Alex pensa nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Para Allan, filho de uma costureira, o objetivo é entrar na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante e se tornar prático de porto.

Leia a matéria completa na Veja

Por Rodrigo Cintra

Deixe uma resposta