DPC baixa duas Portarias questionáveis e contrárias ao STCW

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Verificando o Diário Oficial da União, após alertados por um de nossos mais ilustres leitores do Portal Marítimo, pudemos ver que a Diretoria de Portos e Coostas (DPC) baixou duas portarias questionáveis.

O que me deixa mais triste é que fazem isso bem no dia 23 de Dezembro, no “apagar das luzes”, quando ninguém está atento, pois estamos todos envolvidos com as Festas de fim de ano.

Apesar de ainda não estar no site da mesma, já está publicado no D.O.U.

As portarias alteram as Normams 1 e 13 e agora permitem aos Condutores de Máquinas exercerem as funções de  Oficias de Máquinas em embarcações com menos de 500 AB.

Vejam abaixo os textos:

ALTERAÇÕES NA NORMAM 01:

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ALTERAÇÕES NA NORMAM 13:

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Estas portarias ferem as detrminações da Convenção Internacional de Padronização de Treinamento e Certificação de Marítimos (Standards of Training and Certifications Watchkeeping Convention- STCW).

Esta Convenção Internacional foi ratificada por nosso país e a Marinha do Brasil não pode simplesmente ignorá-la. Lembramos que não é a primeira vez que isso ocorre.

Na referida Convenção, os tripulantes da Seção de Máquinas têm responsabilidades e competências definidas única e exclusivamente pela potência do propulsor da embarcação.

Isso abre um precedente que pode vir a gerar problemas e ainda vai dar o que falar. Espero sinceramente que os Sindicatos e Associações afetadas por estas portarias se manifestem.

Não podemos improvisar em uma área como a nossa somente porque algumas empresas estão literalmente desesperadas para safar a onça em que estão, não conseguindo Oficiais para tripularem suas unidades.

Algo deveria ser feito para que a Comunidade Marítima como um todo fosse consultada quando da tomada de decisões como estas. A coisa não pode ser feita unilateralmente, até porque envolve muita gente.

Muita gente ainda acha que essa é uma saída para não tripularmos embarcações com estrangeiros. Poderiam arrumar qualquer saída, menos uma improvisada.

“Jeitinho Brasileiro” não pode ser envolvido em coisas como essas, até mesmo por envolverem a segurança na navegação.

Não tem que mudar a Legislação.

O que tem que mudar são as condições laborais e o respeito ao marítimo.

Força e Honra! Sempre!

Por Rodrigo Cintra

COMANDO DA MARINHA
ESTADO-MAIOR DA ARMADA
PORTARIA No- 304/EMA, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2010
O CHEFE DO ESTADO-MAIOR DA ARMADA no uso da
delegação de competência que lhe confere o Anexo C da Portaria nº
156/2004, do Comandante da Marinha, resolve:
Art. 1o Alterar o art. 3o, da Portaria no 47/EMA, de 15 de
março de 2010, publicada em 29 de março de 2010, na Seção 1,
página 7 do Diário Oficial da União para conceder autorização ao
navio de pesquisas “A.R.A. PUERTO DESEADO”, de bandeira argentina,
para realizar trabalhos de investigação científica em Águas
Jurisdicionais Brasileiras, obedecendo à derrota previamente apresentada
à Marinha do Brasil conforme a seguir:
Onde se lê:
Art.3o A autorização a que se refere esta Portaria terá validade
para os períodos de 1o a 12 de julho e de 6 a 19 de dezembro
de 2010.
Leia-se:
Art.3o A autorização a que se refere esta Portaria terá validade
para os períodos de 1o a 12 de julho e de 20 a 30 de dezembro
de 2010.
Art. 2o Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação
em Diário Oficial da União.
Alte.-Esq. LUIZ UMBERTO DE MENDONÇA
DIRETORIA-GERAL DE NAVEGAÇÃO
DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS
PORTARIA No- 278/DPC, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2010
Altera as Normas da Autoridade Marítima
para Aquaviários (NORMAM-13/DPC).
O DIRETOR DE PORTOS E COSTAS, no uso das atribuições
que lhe foram conferidas pela Portaria nº 156, do Comandante
da Marinha, de 3 de junho de 2004, e de acordo com o contido
no art. 4º, da Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1997 (LESTA),
resolve:
Art.1º Alterar as Normas da Autoridade Marítima para Aquaviários
(NORMAM-13/DPC), como se segue:
§ 1º Na página 2-A-11, Anexo 2-A, Quadro Geral de Certificações
do Grupo Marítimos, Seção de Máquinas, no quadro relativo
ao Nível 5, Categoria CDM, na coluna “Limitações nas Embarcações
Nacionais” o texto passa a ter a seguinte redação:
– Chefe e Subchefe de Máquinas de embarcações até 1.000
kW, na Navegação de Cabotagem e de Apoio Marítimo, ambas dentro
dos limites das águas jurisdicionais brasileiras.
– Nas embarcações com arqueação bruta menor do que 500,
empregadas na Navegação de Apoio Marítimo, dentro dos limites das
águas jurisdicionais brasileiras, poderá exercer as funções de Chefe e
Subchefe de Máquinas, desde que a potência propulsora não ultrapasse
3.000 kW.
– Chefe e Subchefe de Máquinas de embarcações até 5.000
kW na Navegação Interior.
– Subalterno de Quarto de Máquinas de embarcações de
qualquer kW.
Art. 2º Estas alterações à NORMAM-13 representam a Modificação
17 (Mod.17).
Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação
em DOU.
Vice-Almirante EDUARDO BACELLAR
LEAL FERREIRA
PORTARIA Nº 279/DPC, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2010
Altera as Normas da Autoridade Marítima
para Embarcações Empregadas na Navegação
de Mar Aberto – NORMAM-01/DPC.
O DIRETOR DE PORTOS E COSTAS, no uso das atribuições
que lhe são conferidas pela Portaria nº 156, do Comandante
da Marinha, de 03 de junho de 2004, e de acordo com o contido no
artigo 4º da Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1997 (Lesta),
resolve:
Art. 1° Alterar as “Normas da Autoridade Marítima para
Embarcações Empregadas na Navegação de Mar Aberto” (NORMAM-
01/DPC), aprovada pela Portaria nº 45/DPC, de 11 de maio de
2005, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 27 de junho de
2005; alterada pela Portaria nº 88/DPC, de 25 de outubro de 2005,
publicada no DOU de 07 de novembro de 2005 (Mod 1); pela Portaria
nº 29/DPC, de 17 de março de 2006, publicada no DOU de 27
de março de 2006 (Mod 2); pela Portaria n° 33/DPC, de 28 de março
de 2006, publicada no DOU de 30 de março de 2006 (Mod 3); pela
Portaria n° 54/DPC, de 22 de maio de 2006, publicada no DOU de 24
de maio de 2006 (Mod 4); pela Portaria n° 113/DPC, de 30 de
novembro de 2006, publicada no DOU de 13 de dezembro de 2006
(Mod 5); pela Portaria n° 8/DPC, de 6 de fevereiro de 2007, publicada
no DOU de 9 de fevereiro de 2007 (Mod 6); pela Portaria n°
43/DPC, de 27 de março de 2007, publicada no DOU de 29 de março
de 2007 (Mod 7); pela Portaria n° 28/DPC, de 17 de março de 2008,
publicada no DOU de 19 de março de 2008 (Mod 8); pela Portaria nº
39/DPC, de 16 de abril de 2008, publicada no DOU de 17 de abril de
2008 (Mod 9); pela Portaria nº 65/DPC, de 02 de junho de 2008,
publicada no DOU de 03 de junho de 2008 (Mod 10); pela Portaria nº
111/DPC, de 20 de outubro de 2008, publicada no DOU de 22 de
outubro de 2008 (Mod 11); pela Portaria nº 134/DPC, de 08 de
dezembro de 2008, publicada no DOU de 10 de dezembro de 2008
(Mod 12); pela Portaria nº 72/DPC, de 9 de julho de 2009, publicada
no DOU de 14 de julho de 2009 (Mod 13); pela Portaria nº 84/DPC
de 22 de julho de 2009, publicada no DOU de 24 de julho de 2009
(Mod 14); pela Portaria nº 105 de 31 de agosto de 2009, publicada no
DOU de 09 de setembro de 2009 (Mod 15) e pela Portaria nº
119/DPC, de 18 de setembro de 2009, publicada no DOU de 21 de
setembro de 2009 (Mod 16) e pela Portaria nº 214/DPC, de 08 de
outubro de 2010, publicada no DOU de 20 de outubro de 2010 (Mod
17), conforme abaixo especificado. Esta modificação é denominada
Mod 18.
I – No Capítulo 2 – “INSCRIÇÃO, REGISTRO, MARCAÇÕES,
NOMES E CORES DE EMBARCAÇÕES, NÚMERO DE
IDENTIFICAÇÃO DE NAVIOS E REGISTRO ESPECIAL BRASILEIRO”:
a) No item 0202 – “DEFINIÇÕES”:
1.Na alínea e) “Navegação costeira”:
1.1 Substituir o texto pelo seguinte:
“e) Navegação costeira: é aquela realizada em mar aberto,
até o limite de visibilidade da costa, estabelecida em 20 (vinte) milhas
náuticas. Para o apoio marítimo estende-se a navegação costeira até o
limite das águas jurisdicionais brasileiras”.
II- No Anexo 1-D – “TABELA DE TRIPULANTES PARA
EMBARCAÇÕES DE APOIO MARÍTIMO”:
a) No inciso II – “Seção de Máquinas”:
1.Inserir a alínea (d) com o seguinte texto:
“(d) Embarcações de apoio marítimo com AB menor ou
igual a 500 e com potência propulsora instalada maior que 1000kW e
menor ou igual a 3000kW”.
TIPO DE
GRAU
CATEGORIA / QUANTIDADE TO TA L
CDM MNM MOM
A 2 2 – 4
B 2 1 1 4
C 2 1 – 3
D 2 1 – 3
E 2 – 1 3
F 2 – – 2
Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação
em DOU.
Vice-Almirante EDUARDO BACELLAR
LEAL FERREIRA
PORTARIA No- 280/DPC, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2010
Altera as Normas da Autoridade Marítima
para Tráfego e Permanência de Embarcações
em Águas Jurisdicionais Brasileiras –
NORMAM-08/DPC.
O DIRETOR DE PORTOS E COSTAS, no uso das atribuições
que lhe são conferidas pela Portaria nº 156, do Comandante
da Marinha, de 3 de junho de 2004, e de acordo com o contido no
artigo 4o da Lei no 9.537, de 11 de dezembro de 1997 (LESTA),
resolve:
Art. 1º Alterar as “Normas da Autoridade Marítima para
Tráfego e Permanência de Embarcações em Águas Jurisdicionais Brasileiras”
– NORMAM-08/DPC, aprovadas pela Portaria nº 106/DPC,
de 16 de dezembro de 2003, publicada no Diário Oficial da União
(DOU) de 12 de fevereiro de 2004, alterada pela Portaria n° 30/DPC,
de 30 de março de 2005, publicada no DOU de 27 de abril de 2005
(Mod 1); pela Portaria n° 83/DPC, de 14 de outubro de 2005, publicada
no DOU de 28 de outubro de 2005 (Mod 2); pela Portaria n°
98/DPC, de 19 de dezembro de 2005, publicada no DOU de 23 de
dezembro de 2005 (Mod 3); pela Portaria n° 12/DPC, de 01 de
fevereiro de 2006, publicada no DOU de 10 de fevereiro de 2006
(Mod 4); pela Portaria n° 64/DPC, de 16 de junho de 2006, publicada
no DOU de 26 de junho de 2006 (Mod 5); pela Portaria n° 124/DPC,
de 21 de dezembro de 2006, publicada no DOU de 22 de dezembro
de 2006 e 18 de janeiro de 2007 (Mod 6); pela Portaria n° 14/DPC,
de 13 de fevereiro de 2007, publicada no DOU de 15 de fevereiro de
2007 (Mod 7); pela Portaria n° 25/DPC, de 06 de março de 2007,
publicada no DOU de 08 de março de 2007 (Mod 8); pela Portaria n°
42/DPC, de 22 de abril de 2008, publicada no DOU de 25 de abril de
2008 (Mod 9); pela Portaria n° 74/DPC, de 10 de julho de 2009,
publicada no DOU de 13 de julho de 2009 (Mod 10); pela Portaria n°
168/DPC, de 11 de novembro de 2009, publicada no DOU de 12 de
novembro de 2009 (Mod 11); pela Portaria n° 32/DPC, de 02 de
março de 2010, publicada no DOU de 04 de março de 2010 (Mod
12); pela Portaria n° 180/DPC, de 25 de agosto de 2010, publicada no
DOU de 26 de agosto de 2010 (Mod 13); e pela Portaria n° 223/DPC,
de 19 de outubro de 2010, publicada no DOU de 22 de outubro de
2010 (Mod 14), conforme abaixo especificado. Esta modificação é
denominada Mod 15.
I – No ANEXO 1-E “INSTRUÇÕES SOBRE O SISTEMA
DE IDENTIFICAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DE NAVIOS DE
BANDEIRA BRASILEIRA A LONGA

10 COMENTÁRIOS

  1. Há um movimento claro para colocar suboficiais em comando e chefia de embarcações que só atuam nas AJB (off shore e apoio portuário), de forma a criar uma sobra de oficiais para tripular navios de maior porte. Vocês notam isso?

    • Óbvio que notamos, Müller. A meu ver isto configura uma tentativa de “empurrar” os Oficiais de volta para os navios. Os Sub Oficiais são mais baratos e, por isso, caso a coisa continue como está, terão a preferência das empresas, a não ser das que decidam por manter um nível de excelência em suas embarcações. Pior é que tem gente que acha isso uma forma de evitar que estrangeiros tripulem nossas embarcações. É muita ingenuidade mesmo… A única maneira de evitarmos isso é um investimento maciço na formação dos Oficiais.

      • Prezado Rodrigo, é por pensamentos como o seu que fazem com q as empresas criem alternativas para solucionar essa questão, qdo vc diz “manter um nível de excelencia em suas embarcações”, olha tem muito CDM e CTR por ae em comando e chefia que desenvolve suas funções a bordo com muito mas prática e responsabilidade do que certos oficias, não generalize a classe dos sub oficias, pq vc sabe q também na classe de vcs oficias tbm tem muito REMO TORTO IRRESPONSAVEL. Abraço, Charlles – CDM – CHEMAQ – APOIO MARITIMO

        • Como já disse aqui antes, prezado Charlles, não se trata de COMPETÊNCIA, mas sim de PREPARO. Temos remos tortos em todo lugar, isso é fato. O que vejo com muitas reservas é o caminho que vem tomando o Ensino Profissional Marítimo, que busca o improviso para resolver problemas antigos. Não estou generalizando nada, até porque a nossa classe é a de Marítimos, e não essa ou aquela porque uns tiveram mais oportunidades de estudar do que outros. Entenda, caro colega, que QUALIFICAÇÃO é importante. Hoje bate no offshore um “sem número ” de marítimos que não se adapta às instalações novas, justamente por não terem se QUALIFICADO. Funções a bordo não exigem somente prática, mas muita teoria também e não vejo nenhum nexo em querer comparar um comando e chefia numa pequena embarcação com comando e chefia numa plataforma de petróleo ou um navio. Os escopos são COMPLETAMENTE diferentes e as atribuições, idem, isso sem falar no nível de impacto causado nas operações pelos diferentes tipos de unidades. Ontem escutei de um grande Comandante que ele está preocupado com o nível de tecnologia instalado nas novas embarcações e o nível da tripulação. Ele me disse que não consegue ver como os profissionais disponíveis em sua empresa vão poerá-los, por questões como: QUALIFICAÇÃO, COMPROMETIMENTO e principalmente INTERESSE.
          Respeito sua opinião, mas não retiro uma vírgula do que escrevi antes, colega.

        • A respeito de sua comparação, eu também já vi muito CDM muito bom. Aliás, os dois dos melhores que conheci são oficiais hoje, que é justamente o que se espera de profissionais que se destacam em qualquer carreira: QUE ASCENDAM na mesma. Almir e Aldenor. Nunca vou esquecer desses colegas. Por outro lado, já muito CDM ruim, e o mesmo vale para os oficiais. Eu sempre tenho muito tato com determinadas comparações, porque acho uma covardia o que muitos fazem em querer comparar o conhecimento prático de um CDM experiente com o de um Oficial recém formado. É claro que o CDM conhece mais, mas o fato é que o conhecimento teórico compensa isso em alguns anos. O mesmo vale se quiserem comparar os conhecimentos de um CDM recém formado com a de um Oficial experiente. Por outro lado, devido a necessidade do Mercado, você vai ver muito profissional acomodado, tanto CDM como Oficial, que não está nem aí, parceiro. Sugiro que você leia o meu texto “A Maldita Cultura do Inho” aqui no portal, que entenderá do que estou falando:
          http://portalmaritimo.com/2011/08/04/a-cultura-do-inho-edicao/
          Toda comparação tem que ser criteriosa, tem que ter algum parâmetro e lembro que quem comparou foi você, pois meu questionamento foi em relação ao PREPARO, e não à COMPETÊNCIA de cada um. No mundo todo é de um jeito. Por que aqui seria diferente? Abração.
          Queria que mais leitores como você aparecessem por aqui, pois nosso fórum seria bem mais interessante do que é hoje. Obrigado, campanha

  2. Prezado Rodrigo,
    No meu entendimento , a alteração em questão é válida pelo aspecto legal, ou seja, como qualquer outra convenção da IMO, a DPC enquanto repesentante da Autoridade Marítima tem o poder de fazer adaptações de acordo com as necessidades locais. Foi com esse espírito, de atender uma necessidade da comunidade marítima, que a portaria de alteração foi lançada.
    Existe um grande número de embarcações de pequeno porte(pouco mais de 30 m) mas com potência de até 4000BHP, engajadas no Apoio Marítimo, nas quais dificilmente os Oficiais de Máquinas querem embarcar. Ruim para oficiais mas bom para condutores que têm a oportunidade de ascender na carreira, oferecendo um horizonte promissor para aqueles que iniciam a carreira como Moço ou até mesmo Marinheiro Auxiliar de Máquinas.
    Compreendo sua preocupação como Oficial de Máquinas, pois foi a mesma que tive quando vi os Mestres de Cabotagem comandando fora da “visibilidade da costa” mas não demorei muito para ver e entender o quadro de maneira mais ampla, concluindo que os interesses dos Oficiais de Náutica não seriam afetados.
    Tenho certeza de que, mesmo que não concorde comigo hoje, mais para frente irá constatar que a tendência é o equilíbrio, onde serão mantidas boas oportunidades para todos os marítimos independentemente de nível ou seção.
    Grande abraço e parabéns pela inicitiva na criação do portal

    • Anderson
      Só o tempo vai dizer isto mas, a princípio, vejo com reservas estas portarias.
      Não se trata de manutenção de oportunidades para marítimos de todos os níveis ou não. Trata-se de uma questão técnica que envolve a Segurança na Navegação. Infelizmente na nossa Marinha Mercante toda questão levantada tecnicamente sobre inclusão de categorias em situações que só contemplavam outras mais acima, descamba para o fator discriminação, separatismo, etc e esse não é o ponto. Sentir-se e declarar-se discriminado é muito mais fácil que buscar a qualificação necessária para ascenção profissional. A questão é técnica, puramente técnica. Não é com improviso que vamos resolver detrminados problemas criados ao longo dos anos em nossa Marinha Mercante. Isso pode causar um dano irreparável em nossa profissão. Decisões como esta precisam ser discutidas com os Marítimos. Se tivéssemos um Conselho Federal de Marinha Mercante certamente isso seria mais discutido.
      Obrigado por sua participação no Portal Marítimo.
      Forte abraço.

  3. Prezado Rodrigo,
    É importante que mantenhamos este forum sobre o tema mas seria interessante que mais Oficiais e até os próprios Condutores se manifestassem. Li a posição do Sindimar e notei que faltou abertura para debater o tema, fica parecendo que são os donos da verdade e falam em nome de toda classe de marítimos.

    Sobre a questão da técnica, a não ser que seja questionada a competência do Condutor em chefiar uma embarcação de 1000KW de potência propulsora, gostaria de propor uma provocação:

    – normalmente temos no Apoio Marítimo embarcações de dois eixos onde o nosso amigo Condutor chefiaria, sem contestação, uma embarcação de manuseio de espias de 1200BHP(os famosos LH1200), o que nos dá aproximadamente 450kW por eixo – até aí, tudo bem; agora suponhamos que ao invés de dois eixos fosse somente um de 1000kW, como era antes – sem problema. Agora eu pergunto: será que existe muita diferença entre ser responsável por três motores de 1000kW ao invés de um? indo mais além: será que eu preciso transformar um Condutor em Oficial, através de curso,para que ele possa ser responsável por dois motores de 1500kW?

    Acompanho as embarcações que têm Condutores como chefes bem de perto onde o “não deixar pegar” é a tônica que se reflete em números pois apresentam uma taxa de inoperância muito baixa. Desta forma, acredito que neste novo cenário continurão não deixando pegar e se eu estiver errado e eles venham a deixar a desejar, os armadores acabarão optando por tripulantes mais qualificados porque navio parado não rende; se isso for sintomático, tenho certeza que a Autoridade Marítima fará uma nova leitura e as devidas alterações serão feitas.

    Finalizando, uma pergunta sem provocação:
    Considerando que para ter força, o Conselho Federal de MM necessariamente seria ligado ao Estado, quais seriam seus poderes? Como ficaria diante do Comando da Marinha e da ANTAQ?

    • Vamos lá, Anderson:

      1- Sobre a opinião do Sindmar, o que percebi é que falaram, falaram, deram volteios e nada disseram. Ficou uma coisa meio “em cima do muro”, até porque nossos colegas do Sindicato não conhecem muito bem o Apoio Marítimo. Acredito que as prioridades daquela instituição deveriam ser revistas para que realmente pudessem falar em nome dos Marítimos, que andam bem distantes do Sindicato, até mesmo para que se melhore a imagem deles perante os mesmos. Fica aqui a sugestão. Além disso, deveriam procurar inteirar-se sobre a realidade de fato do Offshore, basta ter proximidade e perguntar a quem está “sentindo o sal na face”. Sugerir não é proibido e perguntar não ofende. Assim, espero que ouçam mais os marítimos.

      2- Sobre a competência dos Condutores, é óbvio que não posso questionar, uma vez que isso é um fator pessoal de cada um, ainda mais vendo o pessoal “da antiga” tendo um rendimento muito bom. O que me preocupa como um todo é a formação a granel TAMBÉM dos Técnicos “de terra” como CDM. Perceba que não questiono o fator competência, mas sim os fatores preparo e qualificação, o que é bem diferente. Você acredita que com esse padrão de formação atual seria possível embarcar um CDM desses como Chefe? Eu não colocaria MESMO. Mas te digo: na onça, muita empresa vai colocar para o barco poder “sair”. Os CDM da “nata” não vão querer as pirangueiras e aí vão colocar o primeiro que aparecer. Sobre “transformar um Condutor em Oficial”, não se trata de dar um título a ele, mas sim de dar mais um curso de qualificação ao mesmo. Acredito que todo treinamento agrega valores ao profissional e à empresa para qual ele trabalha sendo, assim, sempre muito importante.

      3- Sobre o Conselho Federal, este regulamentaria a nossa profissão e fiscalizaria DE FATO. Função de Sindicato é proteger os trabalhadores de uma determinada classe. Função do Conselho é proteger a Sociedade de maus profissionais. A relação do Conselho como Comando da Marinha e ANTAQ, seria a mesma, por exemplo, da OAB com o Ministério da Justiça e Ministério Público, ou do CRM e COREN com o Ministério da Saúde e por aí vai. Uma relação de parceria. Se você levar em conta a função principal de um Conselho, que é ajudar a Sociedade, vai entender perfeitamente o que estou dizendo. Se pedirem hoje um estudo técnico completo sobre a atividade de Marinha Mercante e TODAS as suas nuances, caro colega, você acredita que alguma Instituição estaria apta a apresentá-la? Eu sinceramente não vejo nenhuma.

      4- Sobre a participação do pessoal, você pode me ajudar muito divulgando o Portal para os seus colegas de profissão e convidando-os para o debate. Isso é muito saudável, ainda mais sabendo que temos plenas condições de mantê-lo em alto nível, visto que temos colegas bastante gabaritados em ambas as categorias.

      Finalizando, convido você e a todos os que acompanham esta matéria a lerem a matéria sobre o Conselho Federal de Marinha Mercante no link abaixo:
      http://portalmaritimo.com/2011/01/09/conselho-federal%c2%a0de%c2%a0marinha%c2%a0mercante-isso-sai-ou-nao-sai/

  4. Apoio o ” L. ANDERSON, Capitão de Cabotagem “, pois oque temos hoje é um EPM fraco o diferencia é o grau de responsabilidade de cada Hum!
    Tanto o CDM quanto um OF, terão um Ensino e o diferencial sera o comprometimento e profissionalismo.
    isso ocorre em qualquel lugar…
    devemos cobrar um ensino de qualidade pela autoridade “responsável” …

    Remo Carvalho

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