Estaleiros de reparos estão em baixa

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Se os estaleiros de construção vão bem, o mesmo não ocorre com os de reparos, conforme estudo feito por Bruno Stuperllo, do Centro de Estudos de Gestão Naval. Mesmo com a realização de 70% dos reparos da frota brasileiras no exterior, há falta de dois diques de reparos. Em dez anos, a necessidade será de nove diques.

Segundo Stuperllo, da Comissão Técnica Aquaviária da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), só são reparados no Brasil barcos de apoio e sonda, devido a lucro cessante e tempo de deslocamento. Os estaleiros brasileiros de reparos – ou de construção que têm parte dedicada ao reparo – são antigos, têm preços e prazos não competitivos e as condições de trabalho são piores do que as da construção naval. Além disso, o financiamento desses serviços, embora legalmente incluído no Fundo de Marinha Mercante, se mostra problemático.

Especula o estudioso que os novos estaleiros deverão se situar na região Sudeste, para ficar próximo ao pré-sal. Algumas empresas, como CBO e Wilson, Sons optaram pela verticalização e fazem reparos no próprio estaleiro da empresa, respectivamente Aliança (Rio) e Wilson, Sons Guarujá. O minucioso estudo aponta que navios de granéis que operam na cabotagem conseguem frete para a Ásia, de modo a viabilizar seu deslocamento. Navios de contêineres buscam concorrentes locais, como Argentina, Uruguai e países da América Central. Navios de longo curso fazem o reparo em algum estaleiro próximo a sua rota. No caso de uma sonda de 25 anos, o custo médio de reparo é de US$ 2,5 milhões, mas o lucro cessante com o deslocamento para Europa ou Estados Unidos atinge US$ 12 milhões. Os reparos de emergência têm de ser feitos localmente; tais reparos correspondem a 25% do movimento do setor.

Preços mais altos

Prossegue o estudo de Bruno Stuperllo: o preço médio da tonelada reparada é de US$ 2 a US$ 4 na Ásia e de US$ 10 a US$ 12 no Brasil. Os preços finais são até três vezes mais caros no Brasil. Em favor dos reparos, há que se destacar que a baixa escala causa demanda irregular e contribui para elevar preços. A ausência de política industrial, como o Promef e os incentivos da construção naval, contribuem para a difícil situação da reparação naval.

Em relação à mão-de-obra, a reparação não retém o pessoal por tempo suficiente para percorrer a curva de aprendizado. Diz ainda: “As condições de trabalho são precárias, piores do que na construção naval e civil, em termos de segurança e ambiente.

Com as informações – Sérgio Barreto Motta / Monitor Mercantil

Por Rodrigo Cintra

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