Governo não dá informação sobre o sequestro do navio pesqueiro na Beira

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O Governo moçambicano está fechado em si mesmo em relação às informações sobre o sequestro do navio pesqueiro “Vega 5”, pertencente à PESCAMAR. A embarcação desapareceu sexta-feira última. Dados disponíveis indicam que foi sequestrado e foi visto a ser escoltado por supostos piratas somalis. Nas instituições do Estado que lidam com a fiscalização marítima, ninguém dá informações sobre o caso.

A última informação oficial veio do vice-ministro das Pescas, Gabriel Muthisse, através do jornal oficial “Notícias”, que disse que o Governo não tinha elementos para afirmar se se tratava de um sequestro ou não. Até a tarde de ontem, circulavam informações em Maputo que davam conta que a embarcação já estava fora das águas nacionais, acompanhado de duas pequenas embarcações, que normalmente são usadas em ações de pirataria. Mas essas informações estão muito atrasadas em relação a informações que estão a ser veiculadas internacionalmente por órgãos de comunicação social com fontes em instituições relevantes para este caso.

O vice-ministro das pescas diz (sem apresentar elementos) que a “situação está a ser devidamente monitorada com base no trabalho das instituições do Estado moçambicano e na cooperação com os países vizinhos e da região”.

Na manhã de ontem, a reportagem do Canalmoz esteve no Instituto Nacional de Marinha (INAMAR), onde foi informada que o assunto é “muito sensível” e que “a pessoa indicada para falar do mesmo é o director”, que na altura “estava muito ocupado”. Não podia falar.

A mesma pessoa (do Gabinete do Director) com quem falámos a partir do telefone da recepção do INAMAR, que se identificou como técnica, disse-nos (telefonicamente) que o assunto estava a ser tratado de forma “multi-sectorial”, envolvendo o Ministério das Pescas, Instituto de Mar e Fronteiras e o próprio INAMAR. O envolvimento de várias entidades, segundo a fonte que temos vindo a citar fazia com que o Director do INAMAR não fosse a fonte autorizada.

Conferência de imprensa que não aconteceu

Entretanto, estava previsto que na tarde de ontem fosse realizada uma conferência de imprensa na sede da empresa PESCAMAR, na cidade da Beira. Os jornalistas afluíram à PESCAMAR, mas a referida conferência de imprensa não chegou a ser realizada, e não houve sequer explicações das razões do adiamento, apurou a nossa reportagem.

O navio “Vega 5” pertence à PESCAMAR, uma sociedade entre a PESCANOVA, espanhola, e o Estado moçambicano, com sede na Beira. Quando desapareceu, transportava 24 pessoas, dos quais 19 são moçambicanos, três indonésios e dois galegos (espanhóis). Não se sabe até aqui o estado de saúde dos tripulantes. A televisão oficial de Espanha, na segunda-feira noticiou que navios de guerra espanhóis estavam no encalço do navio pesqueiro de pavilhão moçambicano que foi sequestrado entre Bazaruto e Madagáscar no Canal de Moçambique onde agora parece já não haver dúvidas que se tornou espaço operativo de piratas somalis, cada vez mais a sul do Oceano Indico.

Clipping direto – Matias Guente / Moçambique Para Todos

Por Marcus Lotfi

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