Especialista critica dispersão de estaleiros

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Floriano Pires, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta alguns desafios da construção naval. Afirma que a dispersão da atividade por todo o país, embora com bons objetivos sociais e regionais, tira eficácia ao setor, pois dificulta o aprimoramento da mão de obra e impede a criação de um “cluster”, ou seja, um ajuntamento de atividades correlatas.

– Em minha opinião, o Brasil pagará um preço por essa dispersão.

Informa que, para navios oceânicos, o potencial de nacionalização é estimado em 73%. Os produtos foram divididos em três grupos, sendo o 1º o de alta chance de nacionalização, como sistemas de iluminação, sistemas de convés, de segurança e de salvatagem; no segundo grupo, com média chance de nacionalização, estão sistemas de geração auxiliar, sistemas elétricos e térmicos; e, no grupo 3, com baixa chance da nacionalização, destacam-se sistemas de propulsão e geração de potência; sistemas de navegação e controle; sistemas de comunicação e entretenimento; e sistemas de operações especiais.

Segundo Pires, com longa tradição no estudo do setor, com a crise, houve interrupção no suprimento de mão de obra para estaleiros. Diz: ” Não há oferta suficiente de trabalhadores para os processos tradicionais, particularmente nas atividades mais especializadas; não há oferta de mão de obra gerencial, não há profissionais com perfil adequado aos futuros padrões de operações, nem com o perfil convencional. Novos patamares de competitividade demandarão recursos humanos compatíveis com a melhor prática internacional”.

Segundo Floriano Pires, observa-se a proliferação de cursos de engenharia sem um mínimo de qualidade – embora não tenha detalhado a questão.

Lembra que, no auge da crise, em artigo para o Journal of  Ship Productions, em 1999, salientou que o Brasil era um país potencialmente competitivo na construção naval.

Hoje, ele além de criticar a dispersão de estaleiros por diversos pontos do país, aponta que falta investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D & I).

– O Brasil terá um forte desafio pela frente, pois sua atual fase positiva ocorre em momento de depressão lá fora. O Brasil terá de expandir sua construção naval em momento de baixos preços e prazos curtos no exterior. Um fato altamente positivo é que o Brasil tem demanda cativa.

Citou que o índice de nacionalização dos estaleiros japoneses chega a 98%, e a 90% na Coréia. Na China é menor, em razão da necessidade de importação de peças essenciais.

– O fator tecnológico hoje é importante para o Brasil. Há também desafio em sistemas, em cadeia produtiva, recursos humanos e ainda em Custo Brasil e Tempo Brasil. Falta mobilização industrial e há um problema, na dispersão de investimentos públicos na área de tecnologia.

Comentou que dificilmente, em cinco anos, o Brasil alcançará a produtividade da Coréia do Sul, mas isso será compensado por sua mão de obra razoavelmente barata e pelo bom mercado.

Lembrou que não só Lula como empresários citam a chegada aos estaleiros de trabalhadores vindos do corte da cana, mas cita ser praticamente impossível um profissional atingir alto nível de eficiência, pouco tempo após essa mudança.

– O ideal seria a formação de bom número de profissionais e não a realização de cursos em cada estaleiro.

Afirmou que nacionalização de 70% é índice alcançável para o Brasil.

Leia na íntegra em – CEGN

Por Marcus Lotfi

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