Pará entra no mapa da exploração petrolífera

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Na segunda metade da década de 1970, o então Ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki, anunciou, em entrevista à imprensa local e correspondentes em Belém, a descoberta de petróleo na ilha do Marajó. No saguão do aeroporto militar da capital, onde conversou com os jornalistas, o ministro, que já ocupara antes a presidência da Petrobras, chegou a exibir alguns vidros cheios de óleo cru. Era a “prova” de uma descoberta que deveria mudar o panorama econômico do Estado, da região e – por que não? – do país.

O assunto, obviamente, ganhou as manchetes em todo o Brasil, criando no Pará um clima de incontida euforia. Mas a alegria, afinal, não teve longa duração. Depois do anúncio, o próprio governo, sob regime militar, se encarregou de baixar o tom. O que havia sido descoberto, conforme se encarregou de informar a nova versão oficial, eram simples indícios da existência de petróleo. O assunto esfriou e só algum tempo depois veio a explicação, já em tom tímido e um tanto discreto, de que não havia petróleo para exploração comercial.

Anos depois, um novo rebate falso sacudiu a opinião pública, local e nacional. Coube ao então Presidente José Sarney anunciar a descoberta de um “lençol gigante” de petróleo. A descoberta, de novo, teria ocorrido na ilha do Marajó. Como da vez anterior, logo em seguida surgiu a nova versão, negando mais uma vez a descoberta e deixando no ar um clima amargo de frustração. O sonho de riqueza, num Estado e numa região tão pobres, desfazia-se pela segunda vez como simples miragem.

Decorridos pouco mais de trinta anos do primeiro anúncio, o Pará volta agora a conviver com a perspectiva de conhecer, finalmente, a fonte da riqueza abundante representada pelo petróleo. Não que haja, até o momento, algo de concreto que possa alimentar objetivamente essa expectativa. Mas a concentração de atividades exploratórias na costa marítima do Pará e do Maranhão, envolvendo empresas gigantes do setor, induz a crer na possibilidade de que importantes descobertas talvez estejam a caminho. Na costa paraense, em frente aos municípios de Viseu, Bragança e Salinópolis, a Petrobras iniciou na última sexta-feira a perfuração de um primeiro poço, o Harpia.

A empresa tem programado ainda um segundo poço. Para fazer a segunda perfuração, porém, a estatal depende ainda de licenciamento ambiental, a ser concedido pelo Ibama.

Alguns rebocadores, a serviço da Petrobras e que deverão ser deslocados para a costa de Salinópolis, já estão fundeados em frente a Icoaraci. Fontes ligadas ao setor informam que cada plataforma marítima de prospecção de petróleo conta normalmente com o apoio de dois a três rebocadores. A antiga base do Tapanã está sendo utilizada no apoio terrestre. Caso venha a se confirmar a descoberta de petróleo, ela será reativada para dar apoio às futuras operações de produção. “Mas aí já será um longo processo”, admite o especialista.

OGX quer iniciar trabalho neste mês

Seguindo os passos da Petrobras e outras empresas do setor, a OGX Petróleo e Gás, empresa do grupo Eike Batista, se prepara também para iniciar as pesquisas em busca de hidrocarbonetos na costa do Pará e do Maranhão. A OGX vai perfurar alguns poços – fala-se em sete, até o momento – nesta área do litoral norte, com o objetivo de encontrar reservas de petróleo e gás natural. A empresa prevê iniciar ainda este mês os trabalhos de perfuração e estendê-los até maio do ano que vem.

A OGX possui cinco blocos na bacia do Pará-Maranhão, todos eles localizados a mais de 120 km de distância da costa.

Como parte dos procedimentos legais para obtenção da licença ambiental, a empresa participou no domingo, na cidade de Bragança, de uma audiência pública convocada pelo Ibama para apresentação de informações sobre a atividade de prospecção a ser realizada na costa marítima daquele município.

Além da preocupação quanto a eventuais prejuízos para a atividade pesqueira, tradicional na região, a população de Bragança questionou a OGX, principalmente, sobre a escolha de São Luís do Maranhão para a instalação de sua base de apoio.

A empresa, pelo que está disposto até agora, não terá instalações físicas de apoio no Pará e nem pretende contratar profissionais locais para atuar no projeto.

Com as informações – Diário do Pará

Por Rodrigo Cintra

3 COMMENTS

  1. ja vi este filme antes.É revoltante saber que a historia ira se repetir ,eles vem aqui tiram o que é nsso e o maranhão fica com o lucro,primeiro foi o nossa ferro agora o nosso oleo .Sera que o Pará um estado rico ao contrario do que diz a materia ,não tem pessos capacitadas para trabalhar na empresa do senhor Eike
    so quero ver es os nossos governantes não iram fazer nada.
    Ainda hoje estarei encaminhando eata materia para nossos jornais e radios para sacudir -mos nossos governandes para ver se eles acordam e desta vez lutem por nosso estado tão rico e tão descriminado

    • É isso aí, Afonso. Só lembro que essa matéria foi publicada no Diário do Pará.
      Essa sua reclamação é a mesma de nós, cariocas e fluminenses, quando querem dividir os royalties de maneira injusta com todos.
      Forte abraço.

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