Cais de automóveis atrapalha as operações em Santos

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A principal queixa dos armadores que operam em Santos é relativa à colcha de retalhos para atracação no cais público do Saboó, onde fica o terminal da Deicmar. São 770 metros divididos em quatro pontos, sendo o de número 4 de uso exclusivo do Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi), por questão contratual. Com o aumento do tamanho das embarcações e da movimentação, os conflitos de ocupação se acentuaram.

Uma resolução de maio de 2008 da Codesp tentou regular a questão, mas abriu margem para interpretações de lado a lado. Pelo texto, os 770 metros são distribuídos da seguinte forma: ponto 1, com até 261 metros (onde os navios de carros operam regularmente); pontos 2 e 3, ambos com até 325 metros; e ponto 4, com até 184 metros. Todos com a “alocação dinâmica”.

Mas o item 10 da resolução admite a atracação de navio com comprimento superior a 184 metros no ponto 4, “utilizando parte do ponto 3”. Na prática, quando isso acontece se dá um efeito cascata e o ponto 1 fica com extensão reduzida. “Várias vezes nos deparamos com a situação de o berço estar vazio e não conseguirmos atracar porque o navio não cabia”, diz o gerente da divisão automotiva da NYK, Denis Jorge, com seis escalas mensais em Santos.

Procurado, o Tecondi afirmou em nota que atraca e opera os navios no cais público do Saboó respeitando as regras firmadas pela autoridade portuária – “qual seja, a resolução 73/2008, precisamente nos termos do item 10. E como os demais operadores poderá requisitar e operar, respeitada a mercadoria a movimentar, em qualquer berço público do Saboó”.

A Codesp disse que a resolução está sendo seguida e não tem registro de queixas das companhias de navegação.

O berço do TEV também é público, mas as embarcações de veículos têm preferência – o que garante a atracação de um navio em primeiro lugar mesmo chegando depois na fila. Para o diretor da Grimaldi, Helder Malaguerra, o ideal seria conseguir a prioridade para o ro-ro – o que significa a garantia de desatracação do navio que estiver operando com a chegada daquele que tem prioridade.

Com as informações – Valor Econômico/FP

Por Rodrigo Cintra

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