Mediterrâneo em perigo

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Uma investigação lançada há dez anos terminou em 2010 o projeto que pretendia fazer um censo a toda a vida marinha. O estudo permitiu saber que existem cerca de 239 668 espécies em todos os oceanos, mas serve também de alerta para os problemas do mar, como o Mediterrâneo.

Não se via um único peixe no mar. Alexandra Cunha, Presidente da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), estava num congresso sobre pradarias marinhas na Croácia e, com os seus colegas biólogos marinhos, resolveu ir explorar o fundo do Mediterrâneo. O que encontrou surpreendeu-a: “Fiquei pasmada. Perguntei aos meus colegas croatas o porquê de não haver vida marinha e eles disseram-me que a sobrepesca é a responsável.” A esta conclusão chegou também o recente censo feito ao fundo marinho. A investigação de dez anos conclui que o Mediterrâneo é o mar mais ameaçado do mundo, bem à frente dos outros.

Sobrepesca, destruição do habitat, contaminação das águas, aquecimento global e pressão demográfica estão a afectar o Mediterrâneo e as 17 mil espécies que lá vivem. E isto tudo está à vista: “Tenho colegas que vão fazer observação nos barcos de pesca e vêm de lá impressionados. Não vêem um mamífero na água, sejam golfinhos ou tartarugas”, conta a presidente da LPN.

Este Censo da Vida Marinha foi feito em todo o mundo. O objetivo era identificar as diversas espécies existentes em cada mar, saber a área ocupada e volume de água, assim como descortinar aquilo que mais afeta os oceanos.

Além da perda de biodiversidade, o Mediterrâneo foi invadido por mais de 600 espécies alóctones (de fora). A maioria delas entraram pelo Canal do Suez, vindas do Mar Vermelho. Outras espécies (22%) chegaram por barco, vindas de todo o mundo. Há ainda 10% associados a fugas de explorações aquícolas: “Houve uma alga, natural do Índico, que fugiu do aquário do Mônaco. Este tipo de alga cresce e forma uma rede que cresce em cima de tudo”, contra Alexandra Cunha.

Para os autores do estudo, o cenário futuro será pior: “As ameaças vão aumentar no futuro, em especial as associadas às alterações climáticas e à degradação do habitat”, explicou ao jornal espanhol Público uma das coordenadoras do estudo, Marta Coll, do Instituto de Ciências do Mar de Barcelona.

Com as informações – Bruno Abreu / DN Ciência

Por Rodrigo Cintra

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