Exploração do Ártico – Uma jogada de mestre

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O “deal” Rosneft-BP para explorarem juntas o Ártico foi um golpe de mestre, ou melhor, de mestres. De um lado, V. Putin atraiu capital e tecnologia para explorar megarreservas “offshore”. A Rússia é campeã na exploração petrolífera em terra, tecnologicamente falando, mas apenas engatinha (ou nada de cachorrinho) em alto mar, nas latitudes boreais do Mar de Kara.

Isso marca aproximação histórica Moscou-Londres e mais um golaço da diplomacia russa na Europa. Em contraste, os EUA escurraçaram a BP do Golfo do México por conta de um acidente, quase quebrando o grupo britânico.

Por outro lado, Robert Dudley, CEO da BP, deu a volta por cima duas vezes. Primeiro, ele foi, até 2009, CEO da TNK-BP, “joint venture” da BP com três grupos russos que atua na exploração em terra na Rússia. Saiu da Rússia expulso, como “persona non grata”, por desentendimentos entre a BP e os sócios locais.

Então, após o desastre da BP no Golfo do México, “caiu para cima”, como se diz no Brasil, ou seja, foi nomeado CEO da BP. E, como grande conhecedor da indústria petrolífera russa, foi o principal “broker” do acordo com a Rosneft.

Segundo a imprensa local, há acordo entre a BP e a TNK-BP, determinando que a BP deve informar previamente e oferecer parceria à TNK-BP em qualquer “venture” seu na Rússia. Isso parece que não aconteceu no recente acordo com a Rosneft. Mas um “deal” que foi costurado sob a liderança de Putin não deve ser contestado na Justiça pela TNK-BP.

Por fim, a BP deu uma “banana” para Washington, aliando-se no longo prazo com o antigo rival dos tempos da Guerra Fria.

Com as informações – Carlos Serapião Jr / O “R” dos Brics

Por Rodrigo Cintra

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