De um prejuízo de milhões a um lucro de bilhões – Conheça o “Zero Um” da Maersk

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Ser o grande “Zero Um” do conglomerado AP Möller-Maersk – o maior operador de navios e contêineres do mundo, deve ser um tanto quanto estimulante. Em um minuto você perde £$ 641 milhões e menos de um ano depois você já está brindando com a Diretoria, comemorando um lucro record de £$ 3,2 bilhões.

Muito gentil e extremamente modesto, Nils Andersen, com 52 anos de idade, Chief Executive Officer (CEO) da Maersk, dificilmente fala com a Imprensa, mas em recente entrevista concedida ao Financial Mail, ele foi surpreendentemente franco: “Grandes lucros movem-se de uma forma que te deixa realmente apreensivo, muitas vezes nervoso. É incrível”.

“Grandes lucros movem-se de uma forma que te deixa realmente apreensivo, muitas vezes nervoso. É incrível”

Nils trabalhava para a Cervejaria Carlsberg e admite que ainda sente falta da cerveja gratuita. Após três anos no cargo,  fez uma grande transformação na fortuna acumulada pela empresa, transformando-a na empresa mais lucrativa da Dinamarca. Em qualquer grande porto do mundo, seria muito difícil não ver uma das 1300 embarcações da Maersk.

Nils em 2004, ainda na Carlsberg – Saudades da cerveja gratuita

O Grande Império da Maersk não se limita aos seus mais de 100 mil funcionários e a seus navios, mas vai além. A empresa cresce hoje assombrosamente, entrando com força total nos Negócios de Petróleo e Gás, Construção Naval, Construção de Portos e Terminais, Linhas Marítimas, Linhas Aéreas de Carga e até mesmo uma participação de 20% no maior banco da Dinamarca, o Banco Danske.

Maersk – Um verdadeiro Império

Para se ter uma idéia, somente no Reino Unido, o Grupo AP Möller-Maersk tem 3.530 empregados em atividades de transporte e afins. O Grupo também é dono dos Supermercados Netto em grande parte da Europa continental, mas vendeu a fatia do Netto no Reino Unido e suas 193 lojas de Asda por £$ 778 milhões no ano passado.

Andersen diz: “Foi um bom negócio, mas recebemos uma boa oferta por ele. Esse dinheiro vai agora ser reinvestido nas filiais do Netto na Alemanha e na Polônia, onde poderemos fazer melhor uso dele. “

Em qualquer lugar do mundo, é difícil não vermos um navio da Maersk – Às vezes vemos mais de um

O executivo “cortou a gordura da empresa”, eliminando algumas camadas de gerenciamento e deu às várias empresas do Grupo o poder de tomar decisões de forma mais autônoma. Ao fazer isso ele reduziu as despesas da Maersk Line, maior empresa do Grupo, em cerca de  cerca de £$ 1,3 bilhão. “Originalmente, a estrutura de gerenciamento da Maersk foi dividida em países, regiões e sede. As regiões ficaram com muito poder concentrado e com diversos funcionários. Para sermos práticos, decidimos eliminá-las, o que nos deixou mais perto de nossos clientes, facilitando a tomada de decisões”, diz o CEO.

Falando um Inglês perfeito, Andersen é bastante eloqüente ao comentar os desafios que enfrente à frente do Grupo Maersk. “Eles não são apenas financeiros – o Meio Ambiente e a ameaça de piratas trazem preocupações ainda maiores. Como CEO de uma grande companhia de navegação, como é o caso da Maersk, as atividades dos piratas ao largo da costa nordeste da África, são profundamente preocupantes”.

Como CEO da maior companhia de navegação do mundo, a preocupação com a Pirataria e a questão Socioambiental é uma constante, além de uma

“O dinheiro e os navios não são tão importantes. Estes podem ser substituídos. A questão-chave é a segurança de nosso pessoal”, diz ele. Apenas dois navios da Maersk foram atacados e isso já foi o bastante para a empresa desenvolver formas de se defender dos piratas que ficam ao largo da costa da Somália. Alguns navios da Maersk fazem agora viagens mais longas para evitar o Canal de Suez, outros foram projetados de forma a poderem participar comboios, navegando o mais rápido possível através das águas perigosas. A Segurança a bordo dos navios da Maersk tem sido intensificada, com sistemas de defesa baseados em uso de alta pressão de água e arame farpado na balaustrada e costado dos navios, protegendo toda a área de convés aberto.

A Maersk já tomou uma série de medidas para proteger seus navios dos Piratas

A preocupação com a Segurança e o Bem-Estar de seus funcionários é uma conseqüência inevitável da estrutura fenomenal que a empresa possui. Cerca de 40% é de propriedade da Fundação Möller-Maersk, que tem 50% dos votos entre os acionistas. Os dividendos de ações da sociedade (que em média rendem cerca de £$ 2 milhões por ano) são usados pela Instiuição em ações beneficentes para o povo dinamarquês.

Opera House, em Copenhagen – A Maersk é maior do que você pode imaginar

A Opera House em Copenhagen, foi paga pela Fundação e os parques da cidade foram renovados com o dinheiro da AP Möller-Maersk. A qualidade dos serviços prestados, a Responsabilidade Social e o Meio Ambiente são de vital importância para o grupo, talvez desempenhando um papel maior do que em outras empresas.

Andersen, que foi pessoalmente escolhido para o cargo pelo ex-Presidente da Empresa, Sir Maersk McKinney Moller, de 97 anos de idade (ele ainda está ativo e aparece no escritório ocasionalmente), tem feito seu trabalho de forma a manter este perfil do grupo. Não é pois de se estranhar quando ouvimos Andersen declarando: “O Meio Ambiente é o maior desafio que enfrentamos”.

Maersk McKinney – Cavaleiro do Império da Dinamarca

“Nós estamos trabalhando intensamente em questões ambientais, questões estas que esperamos que sejam, ao longo do tempo, mais importantes para o mundo e também para os nossos clientes”.

Estudos recentes revelaram que o setor de transportes é mais agressivo ao Meio Ambiente do que se pensava anteriormente. A ONU afirma que o setor é responsável por 4,5% das emissões globais de Carbono. Assim, a Maersk está trabalhando forte em projetos de navios porta contêiners que serão 25% menos poluentes até 2020.

Os novos navios “verdes” terão os cascos redesenhado, comportando um maior vlume de carga, e serão pintadas com tinta de alta tecnologia para reduzir o atrito com a água, embora isso torne as embarcações mais pesadas e mais lentos. Novos sistemas de navegação irão direcioná-los para áres sob pouca influência de ondas e ventos.

É significativo que Andersen está enquadrando seus novos navios “verdes” no que ele considera como a mais importante área de novos negócios no transporte marítimo.

O tráfego principal é entre os EUA, Europa Ocidental e Ásia, mas as áreas de maior potencial são a África e a América Latina. A falta de bons portos em diversos lugares apontam mais um nicho de negócios onde a empresa vai investir, contruindo portos e terminais de altíssima tecnologia.

NIls declara: “Não… eu não tenho um barco!”

O preço a ser pago por comandar este grande “Império” é bem alto. Andersen gasta boa parte de seu tempo em um jato corporativo visitando as diversas filiais da Maersk pelo mundo. Quando lhe sobra um tempo e ele vai para casa passar o tempo com sua esposa, a Empresária Kirsten, e seus três filhos adultos.

Sua maneira de relaxar é fazendo longas caminhadas pelas florestas e esquiando e avisa logo: “Nem me pergunte! Eu não possuo um barco “.

Texto adaptado do site This is Money

Por Rodrigo Cintra

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