Cruzeiros Marítimos – O Fast Food do Turismo

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No encontro anual do WTCC de 2009, realizado em Florianópolis, identificando-me como Diretor da BRASILCRUISE para a Região Sul do Brasil, tiver a oportunidade de questionar os participantes do painel de discussão “Changing Values“, transmitido ao vivo para o mundo todo, sobre como estabelecer um relacionamento efetivo e garantir experiências legítimas quanto ao destino durante as escalas de cruzeiro, em que os passageiros permanecem por poucas horas em terra.

Deepak Ohri, CEO do Lebua Hotel & Resorts, com negócios na Tailândia e na Nova Zelândia que buscam implantar um novo conceito de hospedagem de luxo – www.lebua.com -, reconheceu que se trata mesmo de um grande desafio.
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Porém, a resposta surpreendente veio do jonalista de viagens e turismo Peter Greenberg, mediador do debate, ao afirmar que, mesmo que os hoteleiros não gostem muito dos cruzeiros, têm que entender que as escalas são como “snacks”, ou seja, uma maneira de ter um aperitivo do destino visitado. Logo imaginei aquelas meninas nos supermercados oferecendo aos clientes provinhas de um novo produto, realizando marketing direto ao consumidor.
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Achando tais comentários extremamente precisos, fui pesquisar um pouco mais sobre seu autor e descobri que ele realizou para a CNBC o mais completo documentário já produzido sobre a indústria de cruzeiros: “Cruise Inc: Big Money on the High Seas“. Ou seja, sem saber eu tinha diante de mim, naquela tarde memorável no – ironia! – resort Costão do Santinho, seguramente o maior especialista em cruzeiros fora desta indústria!
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Em seu documentário, Greenberg pôde constatar que o lucro das armadoras não surge da venda de cruzeiros, pois elas precisam ter uma ocupação de 104% das cabines apenas para empatar as despesas. Ele descobriu que elas, na verdade, ganham dinheiro vendendo extras a bordo (bebidas, souvenires, SPA, internet, telefonia, cursos, jogos, cassino) e – boa notícia para os destinos! – principalmente excursões em terra (shore excurisons).
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No site da CNBC existem trechos do documentário que podem ser assistidos on-line, gratuitamente. Um deles, sob o título “Ports of Call“, tratando das escalas, traz na chamada uma declaração de Julio Galindo, Ministro do Turismo de Honduras, acerca do impacto na economia local por conta gastos em terra dos cruzeiristas: “Every time a ship comes in, it’s like Christmas“. A chamada para este trecho do documentário é esclarecedora: “It’s the sweet sound of spending for local ports of call where passengers disembark to enjoy island tours, snorkeling and other excursions“. Vale conferir como uma típica família americana, composta por um jovem casal e três filhos, gastou nas Bay Islands, em poucas horas, perto de US$2.500,00 em terra com compras, excursões, fotos e vídeos: www.cnbc.com/id/15840232?video=1062820596&play=1
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Para assistir ao vídeo completo: Cruise Inc. – Full Length Show – CNBC.com
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A propósito, o site de Greenberg, através do qual ele transmite para uma imensa audiência seu programa de rádio pela internet, é uma prova real do marketing em favor de Florianópolis decorrente da realização aqui do encontro anual do WTTC: fala ao mundo maravilhas sobre a nossa cidade, descrevendo-a como uma grata surpresa para quem achava, como ele, que o Brasil resumia-se ao Rio de Janeiro – vide www.petergreenberg.com/2009/05/15/ask-the-locals-florianopolis-brazil/
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Com as informações – Ernesto São Thiago
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Por Rodrigo Cintra

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