E o Gás Natural?

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Muito se tem falado nas fabulosas reservas de petróleo do pré-sal, mas quase nada em relação à destinação do gás natural que poderá existir nestes campos. No que se refere ao gás natural do pré-sal, há somente dois panoramas possíveis, a saber: pouca existência de gás, que neste caso seria utilizado nas próprias plataformas para geração de energia e reinjetado para auxiliar na extração do petróleo e volume dos depósitos gigantesco.

No caso da segunda hipótese, até o presente momento, temos somente duas opções viáveis para o seu aproveitamento, visto que o transporte do gás natural através de gasodutos está totalmente fora de cogitação. Tal fato deve-se à distância da costa (quase 300 quilômetros), às altas pressões, que podem alcançar até 300 kg/cm², além de outros fatores, como correntes marítimas e o complexo e alto custo de manutenção.

Malha de Gás Natural no Brasil - clique para ampliar

Assim sendo, a primeira opção seria utilizar o gás natural para a geração de energia em navios do tipo Floating Power Generation Plant – FPGP (Planta Flutuante para Geração de Energia), já utilizados com sucesso em alguns países. Esses navios ficariam ancorados próximos às principais plataformas. A energia gerada seria transportada através de cabos submarinos até o continente, onde seriam conectados às linhas de transmissão.

A segunda opção que, acredito, será a adotada pelas empresas do pré-sal seria levar o gás natural diretamente para um Floating LNG Terminal with Gas Processing and Production, Liquefaction, Storage and Offloading – F(LNG)PLSO (Terminal Flutuante de Gás Natural Liquefeito com Processamento e Produção, Liquefação, Estocagem e Transbordo). Esse terminal para LNG é bastante parecido com os nossos vários Floating, Production, Storage and Offloading (FPSO), usados amplamente e com sucesso na exploração de petróleo (o que varia é o energético).

FPSO de Gás

Acredito que o Ministro Lobão, apesar de não dar maiores detalhes, se referiu a essa solução no seu discurso de posse (03/01/11): “Dois novos projetos de gás natural liquefeito também ganham forma em 2011: o Terminal de Liquefação de Gás Embarcado, visando à área do pré-sal e o mercado interno, e o Complexo de GNL”.

Obviamente, trabalhar com o petróleo é mais simples, visto que, para o gás natural ser transformado em forma líquida (LNG), é necessário que o mesmo passe por um processo de limpeza (sweet gas), desidratado e seja submetido a altas pressões (500 psi = 35,16 kg/cm²) e a baixíssima temperatura (-160º C) para que seu volume seja reduzido em 600 vezes (1 m³ de LNG = 600 m³ de gás natural).

FSRU Golar Winter

Após a liquefação no terminal flutuante, o LNG teria duas opções de transporte para o continente: 1ª) Através de um navio do tipo Floating Storage and Regasification Unit – FSRU (Unidade Flutuante de Estocagem e Regaseificação), como o Golar Winter e Golar Spirit, que já estão em uso no Brasil desde 2009. É importante ressaltar que estes dois navios foram os primeiros no mundo a adotarem a tecnologia de regaseificação on-board.

2ª) A utilização de navios do tipo “Q-Max” (“Q” de Qatar e “Max”, tamanho máximo do navio que pode utilizar o terminal de GNL do Qatar) – os maiores do mundo –, que podem transportar até 266 mil m³ de LNG (estes navios não têm tecnologia de regaseificação on-board).

Al Mayeda - Gaseiro Q-Max

Uma coisa é certa: temos que dar mais atenção ao gás natural do pré-sal, pois, do contrário, corremos o sério risco de, em caso que ocorra grandes reservas, não termos infraestrutura suficiente para o seu processamento e sermos obrigados a reinjetá-lo e queimá-lo, o que é inadmissível.

Os desafios são grandes, e estamos falando de investimentos da ordem de centenas de bilhões de dólares. Dessa forma, é hora de os defensores da velha e ultrapassada política estatizante deixarem de lado a xenofobia e entenderem de uma vez por todas que vamos necessitar, cada vez mais, da tecnologia e investimentos privados nacionais e estrangeiros.

Afinal, petróleo bom é aquele que sai do poço para ser refinado e que gás natural bom é aquele que corre pelos gasodutos até as residências, indústrias e termelétricas.

Com as informações – Humberto Viana Guimarães / Jornal do Brasil

Por Rodrigo Cintra

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