Voga picada em Angra: Com mais embarcações, vigilância redobra

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Com o movimento da alta temporada, a fiscalização no mar se torna mais do que necessária, e em Angra dos Reis a situação não é diferente. Por conta do excesso de embarcações marítimas, a Capitania dos Portos já registrou dois naufrágios de escuna em apenas dois meses – um novembro e outro no último final de semana.

Em novembro do ano passado, cerca de 80 turistas foram resgatados do mar quando voltavam da Ilha Grande e iam para Mangaratiba. De acordo com a Defesa Civil, um problema no casco da escuna permitiu a entrada de água, assustando as pessoas que estavam na embarcação.

Os bombeiros e a Capitania dos Portos foram acionados, e os turistas foram resgatados por barcos de apoio da Marinha. Ninguém ficou ferido. A Marinha abriu inquérito para descobrir o que provocou o problema na embarcação, mas até agora o resultado da investigação não foi divulgado.

Novo acidente, sem vítimas

No sábado da semana passada, outro naufrágio assustou os turistas que desfrutavam das belezas naturais de Angra. Uma escuna com cerca de 70 turistas a bordo afundou na Baía de Angra, próximo à Ilha Saracura. Os ocupantes da embarcação – entre os quais dez crianças – estavam de colete salva-vidas. Todos conseguiram nadar até a ilha, localizada a 30 metros do local do acidente.

O casco da escuna Magia I, alugada pelos turistas para um passeio pela baía, chocou-se contra uma laje de pedra. A embarcação adernou e afundou em seguida. Segundo informações de testemunhas, o mestre-arrais passou o comando da escuna, durante alguns minutos, para ir ao banheiro. O então responsável teria se descuidado e não conseguido desviar da laje, que está nas cartas náuticas da baía. A delegacia da Capitania dos Portos em Angra abriu um inquérito para apurar as responsabilidades no naufrágio.

O presidente da TurisAngra, Daniel Santiago, disse que a escuna tem capacidade para transportar até cem passageiros e está com a documentação em dia. Ele explicou que a fundação deu toda a assistência aos turistas, mas ressaltou que a investigação do naufrágio cabe à Capitania dos Portos.

– Só podem transportar turistas escunas e demais embarcações que estejam inscritas no programa Angra Legal. A escuna Magia estava com a lotação regular e com todo o equipamento de salvamento em dia. Só o inquérito da Capitania dos Portos poderá esclarecer o motivo do acidente – explicou o presidente da TurisAngra.

Ambos os naufrágios despertaram a preocupação de turistas que utilizam os serviços das embarcações.

– Acidentes são normais mesmo, mas é bom ver o que aconteceu para que não volte a se repetir. Angra é uma cidade muito bonita e tem ilhas maravilhosas para serem visitadas, mas a segurança é prioritária. Tanto que toda vez que embarco procuro utilizar de embarcações que sejam conhecidas, principalmente de agências de turismo confiáveis. Queremos diversão, e não problemas como esse – destacou a enfermeira argentina Luiza Bustamani Argolo.

A alemã Karen Hanniken passa todas as férias no Brasil. Assustada com o último naufrágio, ela conta que já desistiu de dois passeios na cidade devido à falta de segurança no barco.

– Uma vez andei em um barco pequeno e quase batemos. E quando fui pela segunda vez o barco estava velho, com várias coisas estragadas, e acabei desistindo de ir visitar as ilhas. Mas tem embarcações muito seguras, pois já visitei vários lugares maravilhosos em Angra. Só é necessário verificar as condições – ressaltou Karen.

O barqueiro Antônio Cláudio Rodrigues trabalha há 20 anos fazendo passeios no mar. Ele destaca que a segurança é essencial em qualquer meio de transporte, principalmente marítimo.

– Infelizmente muitos profissionais acabam trabalhando com o barco em péssimo estado só para ganhar dinheiro nessa época do ano, que tem muito movimento na cidade. Mas, o importante não é lucrar e sim garantir a segurança e a diversão dos passageiros – disse Antônio.

Fiscalização intensificada

Continua em Angra a “Operação Verão” da Capitania dos Portos. No período de dezembro de 2010 a março de 2011, a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ) e Organizações Militares subordinadas (Delegacias da Capitania dos Portos em Angra dos Reis, Macaé e Itacuruçá; e Agências da Capitania em Cabo Frio e Paraty) estão intensificando suas ações de fiscalização e de presença em todas as suas áreas de jurisdição. Na região da Costa Verde, o trabalho será intenso devido aos últimos acidentes registrados.

O objetivo da ação é garantir a segurança da navegação, da vida humana no mar e a prevenção da poluição hídrica durante o período que acontece o maior fluxo de embarcações de esporte e recreio e turismo náutico. Segundo a capitania, a área de maior concentração de embarcações fiscalizada pela Capitania dos Portos é a região da Costa Verde, que possui cerca de 23 mil embarcações registradas nas Agências e Delegacia da Capitania na região.

Durante essa concentração de esforços, os principais aspectos verificados são: habilitação dos condutores, documentação da embarcação, material de salvatagem (coletes e bóias), extintores de incêndio, luzes de navegação, a lotação e estado da embarcação. O reforço no trabalho da Capitania, durante o período da Operação Verão, incluiu ações de presença em entidades náuticas e colônias de pescadores apoio a eventos esportivos e culturais, bem como a realização de palestras educativas para divulgar as principais normas de segurança da navegação, além de atividades da Marinha do Brasil, inclusive com a divulgação da “Amazônia Azul”.

Dez embarcações apreendidas em 2010

Para evitar que iates e jet-skis – além de outras embarcações – se aproximem do espaço dos banhistas e provoquem acidentes, a Capitania dos Portos está fiscalizando toda a orla angrense durante a alta temporada, que vai até 15 de março. O trabalho conta ainda com o apoio da Inspetoria de Proteção Ambiental da Secretaria de Ordem Pública e Controle Urbano do município. Os objetivos da fiscalização são examinar a documentação das embarcações e dos condutores, orientar sobre segurança e detectar o nível alcoólico por meio do etilômetro (bafômetro).

A Operação Verão visa manter a ordem e a segurança dos usuários de embarcações e banhistas durante a temporada.

No ano passado, a Capitania dos Portos apreendeu dez embarcações na Baía da Ilha Grande, que engloba as cidades de Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty. Em cinco dias de operação, duas pessoas foram flagradas bêbadas e perderam a habilitação.

Nesse ano, ainda não há resultados da operação. Para evitar novos acidentes, o trabalho também será intensificado na época do carnaval, quando o litoral da Costa Verde recebe um grande número de turistas.

Fonte: Diário do Vale

Por Marcus Lotfi

1 COMENTÁRIO

  1. Eu não recebi nenhuma assistência desta Fundação, como diz nesta manchete. Tanto que quem efetuou o resgate foi um barco que estava ancorado na Petrobras. e ao Descer no porto cais central, não obtive nenhuma orientação. A proprietária da escuna Magia Ainda trocou de telefone para não atender mais as minhas ligações.

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