The Economist malha o modelo brasileiro para o pré-sal

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A revista britânica “The Economist” faz uma análise do modelo escolhido pelo Estado brasileiro para exploração do pré-sal e traz basicamente três conclusões.

Primeira: a politização deve atrasar e encarecer o projeto. Segunda: o uso do dinheiro do petróleo na área social, a partir de um fundo soberano, abre espaço para fins eleitoreiros. Terceira (agora uma avaliação otimista): os desafios tecnológicos do pré-sal tendem a gerar uma onda de inovações tecnológicas no País, assim como a corrida espacial contribuiu para o avanço científico nos Estados Unidos.

Atraso e preço alto

O modelo de exploração proposto pelo Governo e aprovado pelo Congresso faz da Petrobrás a empresa operadora de todas as novas reservas do pré-sal, com uma participação mínima de 30% em cada.

Além disso, o governo defende que a estatal gaste seu dinheiro em produtos fabricados no Brasil – o que, na visão da “Economist”, tende a encarecer a exploração. Se houvesse a opção de comprar uma plataforma fabricada em qualquer país, a concorrência poderia ser maior, reduzindo (ou aumentando menos) o preço e as chances de ocorrer atrasos no cronograma.

O argumento do Governo é de que a exploração do pré-sal é um projeto tão grande que empresas estrangeiras aceitariam instalar fábricas no Brasil. A Petrobrás é responsável por 22% da produção mundial de petróleo em águas profundas. Para explorar a camada pré-sal, a companhia precisará comprar 45 novas plataformas flutuantes. Hoje, existem apenas 75 dessas no mundo inteiro, e cada uma custa entre US$ 4 e US$ 5 bilhões.

Fundo soberano

A revista aposta que haverá uso político e até eleitoral de parte do dinheiro do pré-sal. A reportagem lembra que o Brasil está em 69º no ranking de percepção da corrupção da Transparência Internacional.

O Governo defende que parte do dinheiro gerado pelo petróleo seja destinado ao Fundo Soberano, que, por sua vez, pode ser usado para comprar dólares e impedir uma alta excessiva do real, bem como para concretizar projetos na área social, incluindo educação.

Tecnologia

“Mais otimista é a expectativa de que o progresso tecnológico liderado pela Petrobrás, possa diversificar a economia brasileira”, afirma a “Economist”. Hoje, a estatal trabalha junto a 85 universidades e centros de pesquisa.

“Um grupo tecnológico está brotando em volta dos laboratórios da Petrobrás no Rio, com instalações universitárias ao longo de novos laboratórios de US$ 50 milhões construídos por empresas do porte de General Electric e Schlumberger”, conta a revista.

Mais US$ 40 bi

O Presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, quer dobrar a produção de petróleo no Brasil, conforme relatou o jornal também britânico “Financial Times“. Para isso, ele prevê que a companhia precise captar entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões no mercado até 2014.

Leia a reportagem no site da “Economist” (em inglês)

Com as informações – Estadão

Por Rodrigo Cintra

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