Maior desafio é quebrar mitos no pré-sal

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Dos três painéis apresentados ontem pela manhã, na Unimep, durante o Encontro “Piracicaba Petróleo, Gás e Energia”, o representante do Ciesp, Julio Dias, resumiu o recado da Petrobras e do Governo brasileiro para o público de cerca de 180 pessoas, a maioria representantes comerciais de empresas. No linguajar do mercado, ele literalmente colocou as cartas na mesa, sem criar ilusões: “a Petrobras garante os investimentos, mas é função de vocês, empresários, viabilizarem o atendimento às demandas do pré-sal”.

Trocando em miúdos, todas as possibilidades criadas com a descoberta da nova camada de petróleo no litoral brasileiro dependem não apenas do know how tecnológico das empresas, mas também da competência para investimentos na capacidade física para atender a demanda que será produzida por aplicações financeiras de 224 bilhões de dólares até 2014, como está previsto em plano da gigante petrolífera brasileira. O encontro foi o pontapé inicial de uma partida que já está em andamento e, para participar dela, é necessário correr para não perder as melhores oportunidades de pontuar.

Em todos os discursos, há o componente de que o Brasil precisa transformar as riquezas do pré-sal e do setor petrolífero – que, é bom salientar, vão muito além da camada recém-descoberta – em benefícios sociais. Para que isso ocorra, o governo brasileiro adotou o discurso de abrir oportunidades para a indústria local, especialmente às pequenas e médias.

Julio Dias, do Ciesp, usou metáfora para se fazer entender. “Imagine que se tornar um fornecedor da Petrobras é como passar por 10 estações de uma linha de trem”, disse. “Algumas empresas estão na primeira estação, outras na penúltima, com poucas lacunas a serem preenchidos, mas muitas vezes nenhuma sabe em qual situação está, por que não faz ideia de como proceder para passar todas as etapas”, esclareceu o representante do Ciesp.

E, como explicou Gerson Rentes Borges, representante da Petrobras, o início para tornar-se fornecedor da estatal é cadastrar a empresa no portal da petrolífera. Esse registro não garante a venda de um produto, mas já qualifica o empreendimento, porque, para constar no banco de dados da petrolífera, é preciso comprovar estabilidade financeira, condição técnica para atender demanda a que se propõe, situação legal em dia, entre outros aspectos, alguns deles baseados na atividade ambientalmente sustentável do empreendimento.

Alberto Machado Neto, da Abimaq, se lembrou do “Custo Brasil”, soma dos gargalos como infra-estrutura, formação técnica e tributação, responsável por retirar da indústria nacional sua capacidade competitiva. Mas destacou que, com o pré-sal, o Brasil deve figurar entre os cinco maiores produtores de petróleo do mundo, ao lado de países como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque, e, neste caso, tem a vantagem de ser o único com tradição democrática. “É bom se perguntar que tipo de país nós queremos, porque as divisas de petróleo não garantem uma sociedade com boa qualidade de vida”, disse.

Com as informações – A Tribuna

Por Rodrigo Cintra

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