Encontro diplomático entre Bolívia e Chile focou na demanda marítima

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As negociações sobre a concessão de uma saída ao mar à Bolívia pelo Chile foi o principal tema do encontro diplomático presidido pelos chanceleres boliviano, David Coquehuanca, e chileno, Alfredo Moreno, que ocorreu ontem em La Paz. 

Após a reunião da Comissão Binacional de Alto Nível, os dois diplomatas elogiaram o caráter do encontro, classificando-o como uma “expressão mais da vontade que move ambos [os governos] a construir uma relação bilateral de mútuo enriquecimento, fundado no respeito, na diversidade e na confiança que temos desenvolvido”, classificaram ambos em documento divulgado após o encontro.

O vice-chanceler em Santiago, Hugo Fernández, declarou no último fim de semana que o governo da ex-presidente Michelle Bachelet propôs ao governo boliviano a concessão de um enclave sem soberania de 28 quilômetros de extensão na costa norte do país, localizado no entre o sul da Quebrada de Camarões, próximo da Arica, e o norte de Iquique.

Porém, o governo de Sebastián Piñera, segundo apontou Moreno, entende que “um enclave na metade do Chile, desta magnitude, não estava no melhor interesse do Chile”. “No entanto, nós estamos conversando com eles [sobre] outras alternativas para ver de que maneira podemos acomodar os interesses” das duas nações, considerou ele.

O ministro das Relações Exteriores em Santiago destacou que “esta é a primeira visita de um chanceler em várias décadas e acredito que reflita muito claramente a disposição do governo chileno e do governo boliviano de avançar nestas conversas”, iniciadas em 2006 entre o mandatário boliviano, Evo Morales, e Bachelet, e que “têm temas muito amplos e agendas abertas com 13 pontos”.

De acordo com o texto divulgado após a reunião, a comissão analisou o estado de avanço desta agenda, “especialmente o tema marítimo, de recursos hídricos, a ferrovia Arica-La Paz e os temas jurídicos e de desenvolvimento econômico”.

O encontro de ontem gerou grandes expectativas na imprensa, e o jornal La Razón, de La Paz, assinalou que ela seria “de singular importância, pois delimita um marco na relação bilateral e o início de um diálogo do mais alto nível sobre uma saída ao mar”.

O Diário, também boliviano, reproduziu as declarações do ex-chanceler Javier Murillo, que disse que no encontro diplomático a “Bolívia deveria estabelecer com o Chile a entrada de um processo formal de negociação para resolver o enclausuramento geográfico marítimo do país sobre a base da restituição da qualidade marítima”.

O Chile e a Bolívia não têm embaixadores de seus países desde 1978 por causa da falta de acordo para a demanda marítima de La Paz, que perdeu a província de Antofagasta para o Chile na Guerra do Pacífico de 1879.

Em outubro de 2010, o governo do Peru, sob o comando de Alan García, concedeu à Bolívia um acesso permanente ao oceano e a um terminal no porto de Ilo, no sul do país. Lima, que também esteve envolvida na Guerra do Pacífico, também reivindica a revisão de limites marítimos com o Chile revistos após as batalhas.

Fonte: Agência ANSA

Por Marcus Lotfi

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