HRT arrebentando na Bolsa de Valores

1

O que tem a HRT Petroleum, empresa que levantou R$ 2,5 bilhões em estréia no mercado de capitais, em outubro, e desde então supera as veteranas Petrobras e OGX em valorização de ações? Para executivos e analistas do setor, parte da resposta está na carteira de blocos exploratórios “prontos” que a empresa adquiriu – com descobertas já realizadas pela Petrobras no passado. Também conta a favor da companhia a estratégia de buscar petróleo em região da costa africana que, segundo seu fundador, o geólogo Márcio Mello, é análoga ao pré-sal brasileiro.

“A Namíbia é a Bacia de Santos. Aqui no Brasil, a Bacia de Santos já tem dono, então estamos indo para a Namíbia”, conta Mello ao iG, em entrevista concedida na sede de sua empresa, no Rio. O tapete branco e fofo da sala privilegiada pela paisagem da praia de Copacabana é a justificativa para o uso de pantufas ou sandálias de borracha croc por ele e outros funcionários, mas a exigência também era feita para entrar em seu laboratório em Botafogo, onde aparentemente não havia carpete algum.

Além das pantufas, Mello é conhecido por estudos que mostraram o que as perfurações da Petrobras provaram anos mais tarde. Há vinte anos, o geólogo publicou livro em que apontava a semelhança do petróleo brasileiro com o africano, bem como a arquitetura geológica de regiões abaixo do sal que hoje revelam ter bilhões de barris. Os tipos de rochas, os altos de embasamento (montanhas do fundo do mar) e o óleo da costa da Namíbia e de parte de países vizinhos são os mesmos que os encontrados nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo – onde estão as maiores reservas brasileiras. Não siginifica que a empresa encontrará, necessariamente, reservatórios tão grandes, mas as semelhanças apontam para a possibilidade de sucesso exploratório. Entusiasmado, ele mostra à reportagem duas imagens praticamente idênticas em 3D. Uma das áreas da Namíbia e a outra, segundo ele, do campo de Júpiter, na Bacia de Santos.

A empresa pretende realizar neste ano os levantamentos geofísicos necessários para perfurar os blocos que possui na Namíbia. São quatro áreas com extensão equivalente a toda a Dinamarca. Em 2012, a empresa pretende perfurar a profundidade de 4,5 mil metros – o que, segundo Mello, vai diferenciá-la das outras empresas no local. “As outras não perfuraram fundo. Tem que ir muito fundo para encontrar os grandes reservatórios que existem lá”, afirma o ex-presidente da Associação Brasileira de Geólogos do Petróleo (ABGP).

Em 2000, cinco anos antes das primeiras descobertas nos blocos que originaram Lula (ex-Tupi) e vizinhos, Mello defendeu o potencial abaixo da camada de sal. Ele estima, aliás, que as reservas em todo o pré-sal brasileiro superam 100 bilhões de barris. O Brasil hoje possui reservas provadas de 12 bilhões que ainda não incluem as descobertas do pré-sal de Santos.

O conhecimento do geólogo com mestrado e doutorado em geoquímica pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, o levou a prestar serviços para as maiores petroleiras do mundo, depois de 24 anos na Petrobras. “O mercado também precifica isso, a experiência do Márcio é conhecida”, observa Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE).

Semelhanças com Eike

Segundo analistas, o time de funcionários, conhecidos no mercado, também tem dado fôlego à HRT, segundo analistas, assim como contribuiu para a OGX valorizar bastante suas ações nos primeiros anos de criação. Márcio Mello chamou para trabalhar com ele, por exemplo, Nelson Narciso e John Forman, ex-diretores da Agência Nacional do Petróleo (ANP), além de Oswaldo Pedroza, ex-Petrobras que também passou pela reguladora. “O Márcio é um tremendo empreendedor, soube montar um time e tem ampla experiência, por isso está dando certo. Parece com o Eike”, comenta um executivo que já trabalhou com o geólogo.

Pantufas e sandálias de borracha são um padrão na HRT

Um ano após ser criada, em outubro de 2010, a empresa lançou-se no mercado de ações e atraiu cerca de 350 investidores. Desde então, os preços das ações da companhia cresceram 57% – até a última sexta-feira (4). Os papéis da OGX, de Eike Batista, perderam 23,8% de valor, enquanto a Petrobras subiu 15,2% na Bovespa, segundo informações da própria Bolsa. Bem verdade, ponderam especialistas, que a valorização no período pós IPO é comum e também ocorreu com a OGX.

“A HRT tem muitas semelhanças com a empresa do Eike. Eles adquiriram, por exemplo blocos com descobertas realizadas pela Petrobras no passado”, acrescenta Pires. De fato, 11 descobertas já foram realizadas nos 21 blocos que a HRT adquiriu na Bacia do Solimões.

“Mas esta região apresenta dois problemas que acabam por encarecer os projetos da HRT: requer extremo cuidado ambiental e fica longe do mercado consumidor”, pondera Pires. Tanto a OGX como a HRT adquiriram blocos que já foram da Petrobras e que foram deixados de lado não por falta de petróleo, mas porque o preço do barril não compensava tantos desafios, lembram especialistas.

Meta duvidosa

Outro especialista que também conhece Mello reitera o potencial das áreas exploratórias da HRT, mas duvida do cumprimento de suas metas de produção. “Acho praticamente impossível produzir neste ano petróleo naquela região complicada que é a Amazônia”, conta, pedindo para não ser identificado. Os planos da HRT, apresentados aos investidores, incluem a ousada meta de extrair petróleo da bacia do Solimões ainda em 2011, mesmo ano em que vai-se perfurar o primeiro poço.

A campanha exploratória na Amazônia prevê a perfuração de 12 poços. O primeiro está previsto para este mês, se tudo der certo. Para tanto, quatro sondas de perfuração foram contratadas. A primeira está a caminho do ponto em que vai perfurar. Chegou a Manaus de navio e segue por balsas pelos rios da floresta até a base de Paulo Moura. De lá, será transportada por helicóptero até o poço, numa distância de cerca de 14 quilômetros.

A HRT tem 2,03 bilhões de barris em reservas estimadas, das quais metade está na bacia do Solimões e a outra na Namíbia. O maior investidor da empresa é a South-Easten Asset Management, com 12% do capital total. Márcio Mello possui 7% das ações.

Com as informações – Sabrina Lorenzi / IG

Por Rodrigo Cintra

1 COMENTÁRIO

  1. Exemplo de Empresario, Lider e Consolidador, Vai a Campo pois segundos as suas palavras com o conhecimento você tem controle do seu destino, e Claro se não fosse o nosso DEUS, para instruilo, Mas a força de Vontade de crescer Não para ser melhor do que Ninguem mas para construir o desenvolvimento de um Pais Chamodo BRASIL. Ele se mete em Tudo na companhia, pois ele sabe que se Não fosse a vontade de todos os seus colaboradores ele não estaria aqui, e sempre Procurando a cada dia a companhar de uma maneira produtiva e Não destrutiva. parabens Dr. Mácio Rocha Mello, que o Temor do DEUS criador dos Céus e da Terra esteja todos os dias sobre a sua vida.

Deixe uma resposta