Portal Marítimo leva alunos da EFOMM em visita a navios

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A tarde de ontem, dia 10 de Janeiro, foi bem agradável ao lado dos Alunos de nossa querida Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante e do nosso colega Jorge Barra, Chefe de Máquinas e Auditor da Gerência de Inspeção Marítima da Transpetro. Mais uma vez tivemos o prazer de, de alguma forma, propiciar o contato dos futuros Oficias da Marinha Mercante com os navios, o que é fundamental para nossa formação como profissionais do mar.

Às 10:30 estávamos todos prontos na lendária Alameda Alegrete, no CIAGA, para partirmos rumo ao navio Brotas, navio que teve como “crias” dois dos Maquinistas mais safos que conheço (os OM’s Carias e Elias, ambos agora na Subsea 7, tripulando o velho Lochnagar e ainda temos o Fabiano Alves, cria dos classe “B” também), que encontra-se fundeado na Baía de Guanabara, em lancha cedida pela Transpetro. A lancha Antônio Carlos “algum número que não me lembro”, acho que era a XIV ou XV (essas lanchas do Antônio Carlos se reproduzem sozinhas, só pode ser), conhecida de muitos marítimos, chegou ao cais do CIAGA na hora marcada e dali partimos para nossa visita.

Durante a viagem até o Brotas, tive o prazer de mostrar aos alunos a quantidade de embarcações fundeadas na Baís de Guanabara e fomos conversando sobre diferentes tipos, o tipo de serviço que fazem, como operam, etc. As dúvidas eram muitas e, dentro do possível, fomos respondendo uma a uma e vendo quão necessárias são as visitas de alunos a embarcações e o contato como os profissionais que estão atuando no Mercado de Trabalho.

Brotas fundeado na Baía de Guanabara

Chegando ao Brotas, após subir uma escada de portaló com uma inclinação, sei lá, de uns 60 graus (posso ter chutado mal…), fomos recebidos pela Comandante Giovana e pelo Praticante de Náutica Delmiro. Após um bate papo com a Comandante no Salão do Navio e assistirmos ao briefing de segurança da unidade, tivemos o enorme prazer de conhecer e conversar com nosso colega Barra, Chefe de Máquinas formado em 1976 no CIAGA, que vibra com a Marinha Mercante como poucos e soube perfeitamente nos passar todo esse orgulho e amor pela profissão não só com suas palavras, mas com seus olhos, que não deixavam restar a menor dúvida do quanto este autêntico vapozeiro (cria dos VLCCs e bombardões da Fronape) ama a profissão que escolheu.

Thaynara, Barra, CMT Giovana e Sabadin

Os Alunos conheceram o navio e suas instalações, e puderam tirar uma série de dúvidas a respeito de equipamentos, rotinas e procedimentos, podendo ter uma idéia de como é a rotina de bordo. O Praticante de Náutica Delmiro fez um tour com os Alunos e mostrou um pouco do que já sabe a respeito do Brotas.

Barra com o pessoal envolvido na visita - foto tirada no convés do Brotas

Tive o prazer de conversar bastante com o Barra e com o Chefe Costa, ex delegado do Sindmar em Macaé e agora Chefe de Máquinas do Brotas, uma conversa muito proveitosa, onde pude tirar uma série de dúvidas sobre a Transpetro, a Fronape, dúvidas técnicas a respeito de Máquinas (todos temos as nossas e, deu mole, eu pergunto mesmo) e até mesmo esclarecimentos sobre a atividade sindical.

Dali saímos e fomos de lancha até a Ilha Redonda, onde o Gurupá, navio gaseiro, muito na marca e de mesmo projeto do Grajaú, navio onde realizei meu PIM (Período de Instrução no Mar – sim, Praticas, isso já existiu um dia – um embarque de 6 meses no primeiro semestre do Terceiro Ano, quando o Curso era em 4 anos) em 2003. O Gurupá estava se preparando para partir em direção à Bahia Blanca, Argentina. Fomos recebidos pelo Comandante Cardoso, que nos foi muito solícito e atencioso, explicando a operação do navio com alguns detalhes, tipo de produtos que carrega, linhas que faz etc, etc e etc… O Comandante Cardoso ainda mostrou os instrumentos do Console de Navegação e o Sistema de Internet que a Transpetro está instalando a bordo, a fim de melhorar mais ainda a qualidade de vida a bordo para seus tripulantes. Foi bom para os Alunos perderem um pouco do estigma que ronda os navios químicos e de gás. Um navio limpo, organizado, visivelmente operacional, confortável, enfim… um Navio 1000, exatamente como o título que ele ostenta.

CMT Cardoso e Chefe Agripino recebem o pesoal a bordo do Gurupá

Dei de cara com o Anselmo, que era Marinheiro de Convés no Grajaú em 2003 e agora é o Mestre de Cabotagem do Gurupá. Muito bom rever as pessoas que nos ajudaram e ele foi um dos que me ajudou muito no meu PIM. Parceiro mesmo. De verdade.

Comandante Cardoso fala um pouco sobre os equipamentos de navegação aos Alunos da EFOMM

Impossível não lembrar do meu PIM no Grajaú, os apertos que levava do Chefe Jatahy, eu tirando o 1OM Veloso do sério, o Vianna toda hora ajudando a mim a ao Caputo, que estava lá de “Pratitica” comigo também, Marinheiro Marco que ficava o dia inteiro conosco, mostrando tudo, Mecânico Gibson, enfim.. a gente lembra de todos, sempre, pois foram pessoas que somaram a minha formação e nunca vou esquecê-las. Quando eu desci na Praça de Máquinas aí é que veio tudo mesmo: as cenas, perrengues, o cabeçote que me deixou de serviço por exatas 23 horas (eu, Veloso, Taketomi e Chefe Costeira), por causa de uma válvula de ar de partida que prendera aberta, o Sistema Automático de Óleo Lubrificante que eu tive que dar meu “J”, a Bomba de Esgoto que eu quase rachei no meio (coisa de Pratitica – rsrs), deixando o Chefe Jatahy “com a macaca”, os purificadores que vivíamos abrindo (Era no mínimo 3 por semana), e outras “poucas e boas” que passei numa Praça de Máquinas exatamente igual àquela. Vi os Geradores da Daihatsu, os melhores com os quais trabalhei, sem sombra alguma de dúvida, e dos quais sinto MUITA saudade. Caterpillar é a negação total, pois não podemos meter a mão nas manutenções mais profundas. Meteu a mão – adeus garantia, mas vamos voltar à nossa “vaca fria”, pois eu me empolgo demais falando de Praça de Máquinas.

Os Alunos ainda puderam encontrar as Praticantes de Máquinas Letícia e Keila, que haviam acabado de embarcar para a fascinante jornada de Praticagema bordo do Gurupá. Chefe Agripino, forjador de maquinistas safos que hoje estão por aí, dentro e fora da Transpetro, também de o ar de sua graça.

Letícia e Keila - Praticantes de Máquinas do Gurupá

O Barra ainda viu estampado no meu rosto o que eu estava sentindo. Pôxa, deu vontade de assinar o rol, mas aí é a hora de parar, pensar, priorizar a família e alguns compromissos em terra e, infelizmente chegar a conclusão que, no atual momento de minha carreira, não posso voltar a navegar na Cabotagem. Quando estive ano passado no Maestra Atlântico foi a mesma coisa. Felizes os que trabalham com o que gostam e eu sou um desses.

Os alunos ficaram visivelmente satisfeitos com a visita e certamente puderam passar bons momentos a bordo dos navios, entre os nossos. Voltamos de lancha ao CIAGA e este que vos escreve pegou “aquele” engarrafamentozinho básico na Avenida Brasil, retornando para o lar na bela Jacarepaguá.

Esperamos poder fazer isso muitas e muitas vezes ajudando, de alguma forma, na formação desses nossos futuros colegas de profissão.

Agradecemos à equipe do Jornal O Pelicano, que esteve presente conosco e deu todo suporte. Valeu, Praticas!

Agradecemos também à Transpetro e ao CIAGA pela parceria e convidamos todas as empresas a fazerem o mesmo pois, além de agregarem valor à formação dos futuros oficiais, atitudes como esta expõem de maneira super positiva a imagem das empresas, agregando mais ainda às mesmas.

Vamo que vamo!

Por Rodrigo Cintra

7 COMENTÁRIOS

  1. Eu acho que a CMT Giovana é a mesma pratica que fez o PIM comigo no N/T Carioca em 2001…Parabéns Giovana!! Fica a referência para a galera/ Praticas do momento e os que estão cursando a EFOMM…dediquem- se, se espelhem nos melhores…tem espaço para todos. A Giovana em 10 anos ou até menos tempo, assumiu o comando de um navio de grande porte…Lembro que ela era muito dedicada no PIM, com certeza continuou na mesma cadência depois de formada! Saudações Marinheiras, Viva a Marinha Mercante!!!

    • Este é o meu back, o cara que me treinou em Polvo A. Grande David Renovato.
      Você está coberto de razão, parceiro. Os Praticas devem espelhar-se nos bons exemplos.
      Com Dedicação, Compromisso e Amor pelo que se faz, todos podemos ir bem longe, só depende de cada um.
      Obrigado por sua presença por aqui, parceiro
      Profissionais do seu gabarito só enriquecem este espaço.

  2. eu fico muito feliz de ver pessoas tão jovems e responsaveis afinal ser maritimo ñ é 1 bixo de 7 cabeça sou maritima tambem (sou ASA)

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