Crescimento da Economia brasileira aumenta entrada de estrangeiros no país

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O crescimento da economia brasileira, marcadamente no setor de petróleo, é apontado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) como o principal fator do aumento de autorizações concedidas para trabalhadores estrangeiros no país, que deverão bater recorde em 2010, após estabilidade no ano anterior. Até o terceiro trimestre do ano passado, o número de autorizações chegou a 39.057. Desse total, quase 12 mil foram para trabalho a bordo de embarcação ou plataforma estrangeira. Os números finais do ano passado devem ser divulgados ainda este mês.

“O aumento do número de autorizações de trabalho concedidas desde 2006 está relacionado ao aumento dos investimentos no Brasil, especialmente nos setores industrial, de óleo e gás e energia, caracterizado pela aquisição de equipamentos no exterior e implantação no país de novas empresas de capital estrangeiro”, afirma o coordenador-geral de Imigração do MTE, Paulo Sérgio de Almeida. “A imensa maioria das autorizações concedidas (mais de 90%) é temporária, isto é, o profissional estrangeiro permanece no Brasil por prazos que vão de alguns dias a no máximo dois anos, executam a tarefa designada, transferen conhecimentos aos trabalhadores estrangeiros e depois deixam o país.”

Para conceder um visto, levam-se em conta resoluções aprovadas por consenso entre os três blocos que formam a Coordenação Geral de Imigração (CGIg): governo, com nove ministérios, centrais sindicais (cinco) e confederações empresariais (cinco). A CGIg monitora permanentemente a evolução dos dados de autorizações concedidas, diz Paulo Sérgio.

Das 37.064 autorizações temporárias concedidas de janeiro a setembro de 2010, 11.070 tinham prazo de até 90 dias e 10.514, de até um ano. Entre os setores, 11.943 foram dadas para trabalho a bordo de embarcação e plataforma estrangeira. Em seguida, vêm estrangeiro na condição de artista ou desportista, sem vínculo empregatício (6.601), marítimo a bordo de embarcação de turismo estrangeiro que opera em águas brasileiras (5.919) e assistência técnica por prazo de até 90 dias, sem vinculo empregatício (5.157).

No setor de óleo e gás, afirma o coordenador de Imigração, a entrada de estrangeiros implica na vinda de equipamentos como navios-sonda, plataformas de perfuração e navios para apuração de dados geofísicos. “Esses navios e plataformas estrangeiros ingressam no Brasil com tripulação estrangeira e gradualmente, ao longo do tempo de sua permanência nas águas brasileiras, vão incorporando profissionais brasileiros a suas tripulações.”

Ele destaca também o forte de crescimento para tripulantes estrangeiros em embarcações de turismo. “Esse setor teve forte crescimento no Brasil nos últimos anos, e por causa disso crescimento exponencial no número de vistos concedidos, saltando de algumas centenas para mais de 8 mil vistos/ano nos últimos dois anos”, observa.

O principal destino dos estrangeiros que vêm trabalhar no Brasil é o Rio de Janeiro, em boa parte devido às atividades da exploração na bacia de Campos. No ano passado, até o terceiro trimestre, 16.584 (42,5% do total) das autorizações foram para o Rio. Em seguida, devido a atividades industriais, vieram São Paulo (14.801) – e, bem atrás, Minas Gerais (1.582), Paraná (559) e Rio Grande do Sul (456).

A expansão de atividades ligadas ao petróleo chama a atenção também da Agência de Fomento Paulista, que espera um aumento de 40% na carteira de crédito em 2011. A expectativa é de que a exploração cresça mais com a descoberta de campos na bacia de Santos, com o pré-sal.

Quanto à nacionalidade do trabalhador, 5.891 autorizações foram dadas a norte-americanos. Outros 4.113 vistos foram para filipinos, principalmente para atividades marítimas. Na sequência, Reino Unido (2.910), Alemanha (2.171) e Índia (2.112). O primeiro país da América do Sul na lista é a Colômbia (692).

Segundo o coordenador, a presença dos trabalhadores estrangeiros não representa ameaça ao emprego local. “Além de transferir seus conhecimentos aos brasileiros, ao atuar na viabilização de investimentos e consequente desenvolvimento do Brasil, esses profisionais contribuem para a criação de empregos para brasileiros nas novas indústrias e atividades econômicas que ajudam a implementar”, afirma. “Muitos desses profissionais também vêm ao Brasil para compor o quadro inicial de novas empresas estrangeiras recém-instaladas no Brasil. São muitas vezes responsáveis pela implantação do negócio e depois de algum tempo retornam a seus países de origem.”

Com as informações – Vitor Nuzzi / Rede Brasil Atual

Comentário do Colunista – Vemos os filipinos em segundo lugar em número de vistos concedidos e, particularmente, mais de 90% dos filipinos que conheço em atividade no Brasil são Marinheiros  de Convés ou de Máquinas , Eletricistas  e Mestres. Há também Mecânicos e Oficiais, mas as funções que citei se destacam pela quantidade de filipinos envolvidos. Não entro no mérito da qualidade pois, ao contrário do que muitos falam por aí, a maioria dos filipinos com os quais trabalhei conhecem de verdade a atividade marinheira, são bons no que fazem e, sinceramente, qualidade independe, na minha opinião, de nacionalidade, pois não trabalhamos com países, mas sim com pessoas. Com a quantidade de gente que o CFAQ e o CAAQ joga no Mercado de Trabalho por ano, muito me estranha que esse pessoal não tenha sua vez nas embarcações, só podendo atribuir isso a incompetência de nossos Políticos, desde a esfera sindical até Brasília, que deveriam estar “quebrando o pau” no Congresso para colocar esses profisisonais no Mercado de Trabalho. Por outro lado, temos NORMAMs que atrapalham a ascenção profissional do pessoal oriundo deste curso, muitas vezes contradizendo o próprio STCW, e ainda por cima profissionais que não querem aprender o Inglês alegando que estão no Brasil, sendo que o Inglês é o Idioma Internacional dos Negócios e das Operações. Não se trata de ser melhor ou pior que quem fala Inglês,  mas sim de inserir-se num Mercado de Trabalho globalizado. Na atividade de Marinha Mercante e Offshore em todo o mundo as pessoas falam Inglês. Por que aqui seria diferente? Pensar assim, na minha opinião, é a mais pura demonstração de um complexo de inferioridade e comodismo arraigado em muitos dos que reclamam. Somos tão profissionais quanto qualquer estrangeiro. Acho que está mais que na hora das empresas que operam plataformas e navios sonda ou contribuam para a abertura do Ensino Profissional Marítimo para a iniciativa privada ou então que contribuam para o Ensino Profissional Marítimo junto à DPC podendo, dessa forma, usufruir  dos privilégios que as empresas de navegação usufruem no tocante à formação, treinamento e qualificação de marítimos.

Por Rodrigo Cintra

6 COMMENTS

  1. Admitir estrangeiros que venham a agregar conhecimento é altamente positivo. Admitir mão de obra que temos disponível, ou possibilidade de desenvolver é uma vergonha. Tenho certeza que os órgãos competentes, vão priorizar e desburocratizar os processos de formação dos marítimos. A falta de pessoal qualificado é um dos maiores gargalos logísticos, para nosso desenvolvimento, principalmente na cadeia produtiva de óleo e gás.

    • Você tocou no ponto exato, Paulo. Não é questão de xenofobia ou algo do tipo, mas sim de priorizar nossa mão de obra local, fazendo com que o Mercado da Marinha Mercante e da Indústria do Petróleo gere emprego e renda em nosso país. O gargalo que você cita realmente existe, só não é tão grande da forma como tentam colocar. Há muita gente qualificada fora da Indústria hoje, verdadeiros talentos sub utilizados. Tive péssimas experiências com profissionais expatriados de terceirizadas a mim subordinados na plataforma onde trabalho. Mecânico que não troca selo de bomba, eletricista que não troca nem um fusível e por aí vai. Pessoas que querem dar uma de cacique simplesmente por falarem outro idioma. Profissionais visivelmente limitados e sem o menor compromisso para com seu cliente que, no caso, era representado por mim. Esses não voltam mais lá, tenha certeza disso. Eu resolvo esse problema da minha forma e quem trabalha comigo sabe como é. O que me decepciona é conhecer, ao menos uns 50 profissionais brasileiros que colocam estes citados literalmente “no bolso” e, ao encaminhá-los para os RHs das empresas, outro setor muito mal administrado aqui em nosso país, as “experts” do RH não admitem-nos simplesmente porque partem da falsa premissa que “o que vem de fora é melhor”, atitude típica de quem não valoriza seu País, seu Povo e sua Cultura. Pior, atitude típica de gente capaz de trair a Pátria, de vender a própria mãe. Esse é um paradigma a ser quebrado, mas fica difícil quando se tem gente desta estirpe em muitas empresas. Enquanto os brasileiros não se ajudarem e também não colocarem na cabeça que o Inglês é necessário, bem como uma qualificação de verdade, os expats vão “deitar e rolar” em nossa costa.

  2. Concordo com vcs, em boa parte do que disseram, porem o que esta havendo e um protecionismo escancarado das empresas estangeiras, com seu pessoal, pois o mercado de petroleo la fora esta em baixa, apenas dois paises nao diminuiram seus investimentos em petroleo, que foram Brasil, e India, temos estrangeiros trabalhando aqui em funcoes que sobram no mercado brasileiro, como, mecanicos, eletricista, e ate areas nao tao qualificadas como torristas, guindasteiros, etc. isso tudo agente tem aqui de sobra, mas ate para essas vagas eles estao colocando essa raca de gringo, pq no Golfo do Mexico por ex, nao tem trabalho para els Digo isso pq trabalho na industria do petroleo, e conheco essa area em especias. Nenhum estrangeiro tem permissao para trabalhar no golfo por ex. a lei deles nao permitem. A Africa comecou tb a limitar os vistos para estrangeiros por,e o prazo de nacionalizacao e de 3 anos. mas aqui no Brasil, e casa da mae joana, essas pragas vem pra e ninguem fala, ou faz nada pq a propina rola solta nos orgaos federais, e eles mandam essa de que o motivo e pq nao temos mao de obra especializada. se nao temos , o que nao e verdade, entao vamos formar. As universidades formam tec, e engenheiros as pencas, em todas as areas, grande parte deles com diploma, e sem emprego. Pow entao nao vem com essa que nao temos gente capacitada, pq temos sim, e muito, e falta e coragem, e vergonha na cara pra dizer pra esses gringos… aqui NAO. e se tiverem que vir temos alguma condicoes poe ex, vao ter que falar portuques para melhorar a comunicacao entre os expats, e Brasileiro. Morei por 9 anos fora do meu Pais, falo ingles com fluencia, e sinceramente, nao acho que e a falta da lingua inglesa que esta fazendo com que os gringos atropelem nossa boa mao de obra que temos por aqui, mas sim, a falta de vergonha, e de patriotismo da nossa gente que acham que esses caras sao muita coisa, mas na verdade, muitos nao chegam aos pes dos nossos profissionais.

  3. A mão de obra estrangeira hoje está tomando conta do Brasil pelo fato de não termos mão de obra qualificada. Mesmo não tendo, toda embarcação estrangeira que opera em solo brasileira tem que operar com pelo menos 2-3 (dois terços) de trabalhadores brasileiros e 1-3 (um terço) de trabalhadores estrangeiros. O que deve ser feito é qualificar os brasileiros, investir em escolas técnicas, e criar um curso profissionalizante para profissionais no ramo do petroleo no Brasil, pois não adianta termos a tecnologia e nao ter profissionais suficientes para explorar.

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