Petrobras fala sobre suas operações no Golfo do México

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Leia a matéria “Petrobras inicia operação no Golfo e gera temor em ambientalistas” publicada nesta segunda-feira (14/02) pelo Valor Econômico e clipada pelo Portal Marítimo. Confira, abaixo, a resposta encaminhada pela Companhia ao veículo.

Pergunta: Uma entidade ambientalista, a SkyTruth, levantou algumas questões importantes sobre a segurança da tecnologia de FPSO que será usada pela primeira vez no Golfo.

Segundo o Presidente da entidade, John Amos, derramamentos de óleo como o da BP são eventos muito raros, mas acontecem, apesar de todas as medidas de segurança e tecnologias empregadas pelas empresas para evitá-los.

O navio-tanque da Petrobras tem capacidade para armazenar 600 mil barris de petróleo. Se houver um desastre, todo esse óleo vazaria em poucas horas, ao contrário de um vazamento numa plataforma tradicional, em que o vazamento ocorreria ao longo de vários dias. Se o desastre for num petroleiro que faz o transporte de petróleo da plataforma para a refinaria o impacto seria ainda maior, se ele estiver perto da costa. O transporte por oleodutos, diz ele, é mais seguro. Ele lembra o que o desastre da Exxon Valdez foi de um petroleiro e, apesar de ter menos óleo, teve efeitos mais devastadores que o da BP.

Ele diz que o procedimento de transporte do navio-plataforma para as refinarias inclui procedimentos que não são necessários na operação do oleoduto e, por isso, está muito mais sujeito a erros humanos e falhas de equipamento.

Ele questiona qual seria a capacidade e os planos de contingência da empresa para lidar com um derramento de petróleo das dimensões do que ocorreu com a BP. A Petrobras teria capacidade financeira e disposição para arcar com todos os custos de contenção, limpeza, multas e indenização, como a BP, que por exemplo resolveu não observar o limite legal de US$ 75 milhões para indenizações e criou um fundo de US$ 20 bilhões para cobrir custos relacionados ao desastre?

Também pergunta qual é o investimento e a estratégia de contingência da empresa para, no caso de um vazamento, conter o petróleo e para limpar o mar.

Ele também diz que o fato de o poço estar em profundidades duas vezes maior do que o da BP e quatro vezes mais distante da costa dificulta muito o socorro em caso de vazamento. No caso de vazamentos, afirmou, tempo é um fator muito importante.

Diz que, ao contrário da plataforma tradicional, os navios plataforma não têm equipamentos necessários para uma eventual ação em casos de vazamentos. O apoio teria que vir de terra firme, o que exige mais tempo para uma resposta adequada.

Por fim, diz que, respeitadas eventuais diferenças geológicas e de legislação de cada país, essas são questões que devem ser levantadas sobre operações de FPSO em outras partes do mundo, como Brasil e África.

Resposta:

A produção de petróleo por FPSOs, com transporte para terra por intermédio de navios aliviadores, é tão segura quanto a produção por plataformas, sem estocagem de óleo e transporte através de oleodutos. Essa comparação já foi extensivamente analisada pela indústria do petróleo mundial. A Petrobras é a empresa operadora de campos de petróleo que utiliza a maior quantidade de FPSOs no mundo, realizando cerca de 600 operações de offloading por ano na costa do Brasil, ao longo de várias décadas, sem nenhum acidente relevante.

Os equipamentos para combate a vazamentos localizados em FPSOs são equivalentes aos utilizados em outros tipos de plataformas de produção. O apoio logístico é o mesmo. FPSOs são utilizados largamente em diversas partes no mundo com o mesmo grau de segurança de quaisquer outros tipos de plataformas de produção.

O transporte de óleo por navios aliviadores é semelhante ao realizado, sistematicamente, por navios de grande porte em todo o mundo. Os riscos operacionais de oleodutos são equivalentes aos riscos de navios aliviadores, quando avaliados de forma integrada em termos de equipamentos, procedimentos e pessoal.

O Plano de Contingência da Petrobras para contenção de eventual derramamento de óleo em Cascade e Chinook – validado pelas autoridades norte-americanas – já contempla a localização dos poços e as profundidades de água do projeto. O Plano de Contingência é focado tanto na prevenção como na resposta rápida e abrangente a situações emergenciais.

Com Cascade e Chinook, a Petrobras contribuirá com a maneira de operar nas águas do Golfo do México, onde estão sendo aplicadas tecnologias bem-sucedidas no Brasil. Entre as principais vantagens do FPSO está a possibilidade de ser rapidamente desconectado dos poços quando houver ameaça de furacões. Esta característica garante a segurança das pessoas a bordo, a preservação do equipamento e uma redução do tempo de inatividade operacional.

Com as informações – Petrobras

Por Rodrigo Cintra

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