Com crise na Líbia, petróleo quase bate os R$ 200

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Os conflitos internos da Líbia refletiram mais uma vez no mercado mundial e fizeram o preço do barril de petróleo subir, pelo décimo dia seguido, para quase R$ 200 (em torno de US$ 119,79) no momento de maior alta nesta quinta-feira (24). Desde o dia 14 de fevereiro, quando os primeiros protestos começaram no país árabe no norte da África, o preço saltou de cerca de R$ 162 (ou US$ 98) para os atuais valores.

As conversões foram feitas pela reportagem do R7 a partir do valor do dólar e do real nesta quinta-feira (US$ 1 valendo R$ 1,66). Os valores de hoje são os mais altos para o produto desde meados de 2008, quando a crise financeira sacudiu os mercados mundiais.

Desta vez, a crise está restrita ao Oriente Médio. Na Líbia, a população pede a saída do ditador Muamar Gaddafi, que está no poder líbio desde os anos 1970. O país é um dos maiores produtores de petróleo e desde o início desta semana está com a produção da matéria-prima comprometida por causa dos protestos.

O barril de óleo cru extraído do Mar do Norte para entrega em abril chegou ao pico de mais de quase R$ 200, mas recuou para R$ 189,27 (US$ 114,02) na InterContinental Exchange de Londres (a Bolsa equivalente à nossa BM&F). Esse preço é o maior desde setembro de 2008 e está US$ 2,75 acima do valor registrado ontem.

No Nymex (New York Mercantile Exchange), nos Estados Unidos, o barril do petróleo cru do Texas para entrega em abril subia US$ 1,10, para R$ 164,67 (US$ 99,20). No começo da manhã, o preço havia passado dos R$ 171 (US$ 103).

O petróleo é um tipo de produto negociado em um mercado chamado futuro. Nesse “comércio”, o que define o preço é a confiança do investidor e as expectativas dele sobre como os preços podem estar dentro de um prazo determinado. Como os preços aumentaram vertiginosamente, a confiança dos investidores não parece muito boa.

Faltará petróleo?

A Líbia é um dos 12 membros da Opep (que ainda tem Angola, Arábia Saudita, Argélia, Equador, Emirados Árabes, Irã, Iraque, Kuwait, Nigéria, Qatar e Venezuela), organização que fabrica mais de 40% de todo o óleo consumido no planeta.

De acordo com a AIE (Agência Internacional de Energia), a Líbia produz 1,6 milhões de barris de petróleo por dia. Apenas no mercado europeu, a Líbia é responsável por 10% do abastecimento. A Itália é sua maior compradora.

A atividade petrolífera é fundamental para a economia líbia, representando quase todas as suas exportações (95%) e um quarto de todas as suas riquezas (ou 25% de seu Produto Interno Bruto).

A própria Opep afirmou ontem que os conflitos não seriam suficientes para causar escassez do produto.

Nesta quinta, a Casa Branca divulgou que os Estados Unidos e a comunidade internacional como um todo têm a “capacidade de agir” em caso de uma interrupção do fornecimento de petróleo após os eventos na Líbia.

As principais petroleiras que exploram a matéria-prima na Líbia dizem que estão produzindo só um quarto do volume diário, ou algo em torno de 400 mil barris de petróleo. Entre elas estão a Total, da França, a Repsol, da Espanha, a austríaca OMV e a italiana ENI.

David Hufton, analista da PVM Oil Associates, diz que a maior preocupação do mercado não é se o petróleo está sendo tirado dos poços, mas se ele está saindo do país.

Embora o Brasil não compre petróleo ou derivados da Líbia, essa alta de preços da matéria-prima se estende pelo mundo. Na pior das hipóteses, a gasolina pode ter aumento por aqui, refletindo eventuais reajustes de preços dos contratos da Petrobras, na avaliação do economista Plinio Louzada, da corretora Uniletra.

– A Petrobras tem segurado o preço do combustível, mas, apesar de ter seu lado de empresa atuante no mercado, ela tem também certo compromisso com o lado social [por isso não mexeu nos preços]. Se a crise naqueles países se tornar insustentável, no entanto, aí pode se tornar inviável continuar nessa linha.

Petróleo fica mais caro no mundo

Fonte: R7

Por Marcus Lotfi

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