Pequenas empresas aproveitam o “boom” do petróleo

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A descoberta de volumes gigantescos de petróleo na camada pré-sal em 2006 mudou radicalmente o perfil dos investimentos do setor petroquímico brasileiro. Depois de mapear a total dimensão do achado, a Petrobras almeja dobrar sua produção até 2020, chegando a 5,4 bilhões de barris diários, um salto que pode demandar mais de US$ 700 bilhões em recursos. É muito dinheiro, que acabará absorvido por toda a cadeia de fornecedores de bens e serviços ligada à estatal, em grande parte, micro e pequenas empresas.

Por mais monstruosas que sejam as dimensões do setor petroquímico, ele não sobrevive sem o dinamismo das empresas de menor porte, tanto que a Petrobras tem investido na capacitação desse segmento, aportando inicialmente um total de R$ 32 milhões em recursos para esse fim.

Uma oportunidade sem igual para micro e pequenos empresários segundo César Prata, diretor da Asvac Bombas, empresa de pequeno porte que tem explorado esse cenário de expansão já há algum tempo. Prata conta que ao longo dos últimos 10 anos viu o faturamento da sua empresa crescer 70%. E com as perspectivas dos bilionários investimentos futuros do setor, já projeta dobrar os ganhos atuais nos próximos cinco anos.

A Asvac fabrica bombas para transferência de combustível, refrigeração, entre outras, para navios e plataformas de exploração. Com a descoberta do potencial petrolífero brasileiro, a empresa passou a ser cada vez mais acionada. Precisou ampliar a linha de produção rapidamente – passando de 26 para 46 funcionários –, além de promover modificações técnicas na linha para se adequar às novas especificações do setor.

É justamente essa flexibilidade das empresas de pequeno porte que as tornam importantes para o setor do petróleo e gás, que frequentemente se depara com novos desafios e necessidades. “As micro e pequenas empresa se adaptam mais rapidamente às necessidades e demandas. São mais ágeis tecnicamente e burocraticamente, no que tange as questões fiscais e documentais”, diz Prata.

Segundo a Petrobras, no período de 2004 a 2010, mais de 3 mil micro e pequenas empresas foram capacitadas pela estatal para se tornarem fornecedoras da cadeia produtiva de petróleo e gás. Também já foram realizadas 65 rodadas de negócios envolvendo essas empresas, que geraram expectativas para fornecimento de bens e serviços em torno de
R$ 2,6 bilhões.

A Petrobras é, sem dúvida, a principal desencadeadora dos investimentos. Mas não é a única. Jerônimo Azevedo, gerente de cadastro da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), lembra que há outras 40 operadoras estrangeiras explorando o setor no Brasil, sendo que todas elas demandam fornecedores de serviços, bens, além de mão-de-obra nacional.
Apenas como mais um exemplo do potencial mobilizador de mercado que tem esse setor, para dar vazão ao potencial energético escondido no subsolo brasileiro, será necessária a construção de, pelo menos, 800 estruturas flutuantes – entre elas, navios petroleiros, navios de apoio e plataformas de exploração.

Estaleiros movimentam cadeia

Para atender à produção de petróleo, já estão em projeto pelo menos mais 20 estaleiros. Sua construção mobilizará escritórios de engenharia e empresas da construção civil, por exemplo. Quando os navios estiverem em construção, demandarão peças e componentes de empresas menores, como as bombas da Asvac. E a cadeia não para aí. “Tenho pelo menos mais cem subfornecedores, fabricantes de tintas, parafusos, e assim por diante”, disse o diretor da Asvac Bombas, César Prata.

A legislação brasileira exige que pelo menos 65% dos componentes usados na construção de quaisquer estruturas do setor petroquímico sejam nacionais. Essa cota é considerada pequena pelos empresários que fornecem para o setor, mas já é uma garantia de que a cadeia do petróleo e gás envolverá necessariamente uma parcela de empresas brasileiras, abrindo oportunidades. Algumas plataformas encomendadas pela Petrobras são construídas na Holanda, mas boa parte de seus componentes é importada do Brasil, para fazer valer a legislação nacional.

Outros serviços – As micro e pequenas empresas não estão envolvidas apenas na expansão do setor, mas também na sua manutenção, como explica Jerônimo Azevedo, gerente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). Segundo ele, o dia a dia da exploração de petróleo exige o vínculo com uma série de prestadores de serviços, como, por exemplo, lavanderias.

“Todos os dias uma quantidade enorme de uniformes dos trabalhadores do setor precisa ser lavada. Um serviço que não pode ser feito na casa desses trabalhadores, mas em lavanderias especializadas” disse.

Mas ele adverte: para prestar serviço ou fornecer produtos para o setor petroquímico, é preciso ser capacitado. No caso das lavanderias, por exemplo, somente as que souberem dar o devido destino à sujeira retirada dos uniformes serão contratadas. Nesse caso, a água utilizada deve ser tratada, uma vez que contém óleo combustível que não poderá ir simplesmente para o ralo.

A Onip, em parceria com o Serviço de Apoio para Micro e Pequenas Empresa (Sebrae), possui programas de qualificação para as empresas que queiram fornecer para o setor petroquímico. Detalhes podem ser obtidos pelo site da organização (www.onip.org.br).

Com as informações – Diário do Comércio

Por Rodrigo Cintra

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