Segundo Peter Gyde, da Maersk, vai faltar contêiner refrigerado

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O mercado reefer enfrenta a conjunção de dois problemas: o alto índice de sucateamento da frota de navios frigoríficos específicos e a escassez de contêineres para substituí-los, ao passo que o consumo global e a produção alimentícia continuam a aumentar a uma taxa anual de 4% até 2015. “Durante 2010 nós vimos situações em que as transportadoras foram incapazes de atender a demanda conteinerizada ao redor do mundo. Por isso nossa expectativa é de que também neste ano vamos ver exemplos nos quais a demanda pode superar a oferta”, afirma o Diretor-Geral da Maersk Line no Brasil, Peter Grangaard Gyde, em entrevista ao Guia Marítimo.

“Muitos operadores de navios frigoríficos convencionais descartaram as unidades mais antigas e menos eficientes, enquanto que os armadores de porta-contêineres não substituíram suas frotas de equipamentos reefer, em um esforço para reduzir os custos”, pontua Gyde. Com este cenário, a oferta de recipientes tende a cair e a escassez de equipamentos no Brasil é uma possibilidade. “Já não é suficiente ter navios de grande porte com muitas tomadas reefer, você também precisa de recipientes para carregar nos locais certos. O Brasil não é um lugar fácil para conseguir estes equipamentos, pois há pouca importação de reefers. Portanto, muito dinheiro é gasto em trazer as embalagens vazias para o País”.

Segundo Gyde, as transportadoras estão constantemente avaliando se é mais rentável enviar os equipamentos para o País ou para outras áreas nas quais os custos podem ser mais baixos e angariar renda maior. Anteriormente, o armador informou que os trades com a costa leste da América do Sul registraram as maiores quedas das taxas no mercado de cargas refrigeradas, com redução média de US$ 1.000,00 por contêiner. Percentualmente, o tombo foi de aproximadamente 30% sobre os valores originais. “Em 2010, houve uma recuperação dessas taxas, mas ainda não nos mesmos níveis apresentados antes de 2009”.

O executivo ressalta a possibilidade de uma escassez de contêineres e acredita que os transportadores devem priorizar as localidades que geram maiores lucros. “A partir do segundo trimestre deste ano, esperamos um aumento das taxas de frete com base em uma oferta ainda maior em relação à demanda. Isto é necessário para recuperar os custos decorrentes de afretamentos de navios, preços de combustível durante a baixa temporada. Isso sem mencionar as taxas portuárias no Brasil, que continuam a aumentar para níveis muito mais elevados do que em outros países”, conclui.

Com as informações – Guia Marítimo

Por Rodrigo Cintra

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