Entrevista: Rodrigo Rosa – Um exemplo de sucesso da Modec

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De Operador de Produção a Gerente de Operações. Este é o campista Rodrigo Rosa,  33 anos, Engenheiro por formação, Músico por amor e Jogador de Golfe nas horas vagas. Um exemplo de dedicação à carreira e da busca constante do aperfeiçoamento profissional. Leia esta entrevista e saiba um pouco mais sobre esse profissional que é um exemplo de sucesso na Indústria do Petróleo.

Hoje temos um sério problema nas empresas, que é justamente termos profissionais que, apesar de terem e merecerem todo nosso respeito, não tiveram uma vivência operacional realmente sólida antes de assumirem cargos gerenciais, ou então que não tiveram a devida preparação para assumir cargos gerenciais. Isso gera uma série de conflitos e problemas como procedimentos impraticáveis, determinações estranhas e comunicação truncada, pois muitas vezes o executivo simplesmente não fala a língua do embarcado e, por mais que queira, não consegue colocar-se no lugar do embarcado, por simplesmente não saber de fato as nuances e particularidades de nossa atividade. Rodrigo Rosa, meu xará que por muitas vezes já foi confundido comigo quando eu trabalhava na Modec (para quem não sabe meu nome é Rodrigo Luís Cintra Rosa), é um exemplo de uma carreira operacional de sucesso que veio a culminar numa carreira executiva sólida.

William Cabral e Rodrigo Rosa – Nesta época, Eletricistas na Transocean na NS 23, Deepwater Navigator

Alguém que conhece a vida de bordo, esteve embarcado, “olhou pra boca da dala”, como custumamos dizer e que, por isso, tem plenas condições de falar sobre os “dois lados da moeda”.

Rodrigo trabalhou em grandes empresas como Transocean e Schulmberger e hoje trabalha na Modec.

Da ferramenta ao papel, Rodrigo Rosa conhece como poucos a atividade offshore.

Vamos à entrevista:

Portal Marítimo – Qual sua formação?

Rodrigo Rosa – Sou formado em Engenharia de Produção e pós graduado em Engenharia de Manutenção.

Portal Marítimo – Como e quando começou no offshore?

Rodrigo Rosa – Em 2000, saí do setor siderúrgico e iniciei minha carreira  offshore, trabalhando como Técnico de Elétrica em uma plataforma da Petrobras chamada Cherne-1 (PCH-01) na Bacia de Campos.

Portal Marítimo – Quando começou a ocupar funções administrativas?

Rodrigo Rosa – No início de 2007, fui convidado a participar de um processo seletivo na Modec do Brasil para trabalhar como Engenheiro de Operações Junior do FPSO Cidade do Rio de Janeiro e FSO Cidade de Macaé, ambas na Bacia de Campos.

Portal Marítimo – Como seu conhecimento técnico ajudou no desempenho de sua atual função?

Rodrigo Rosa – Ao iniciar minha carreira administrativa em 2007, já havia trabalhado oito anos no regime offshore em plataformas e navios de produção e perfuração, tanto na função de Técnico em Eletrotécnica como operador de produção. Esses oitos anos foram fundamentais para meu início de carreira como Engenheiro. Por mais que não dominasse alguns assuntos específicos, essa experiência prévia facilitou consideravelmente a compreensão de cada assunto e a administração de minhas atividades.

Rodrigo e Gary Walls, Supervisor de Elétrica na Transocean

Outro fator extremamente importante foi a relação interpessoal com os colaboradores do navio. Embora descansar 14 dias seja muito agradável, trabalhar os outros 14 dias em alto-mar nem sempre é uma situação fácil de lidar. Problemas profissionais e principalmente pessoais precisam ser muito bem administrado para não tornar-se uma situação de descontrole. Ter trabalhado embarcado, facilita a compreender os meus colaboradores, sabendo o momento e a maneira certa de exigir, advertir e elogiar.

Rodrigo e Ritchie Harrison, Supervisor de Eletrônica na Transocean

Portal Marítimo – Quais suas principais atribuições hoje?

Rodrigo Rosa – Em Setembro de 2010, surgiu uma oportunidade interna na Modec do Brasil e fui promovido a Gerente de Operações do FSO – Cidade de Macaé. Uma das principais atribuições de qualquer Gerente de Operações é garantir a disponibilidade operacional, maximizar os lucros e minimizar os custos operacionais.

Além da função de Gerente, tenho trabalhado com a otimização do sistema de Manutenção, dando suporte a equipe de manutenção offshore a adequando as rotinas de manutenções preventivas e preditivas conforme requerido pelos fabricantes de nossos equipamentos e às necessidades operacionais e legislativas.

Portal Marítimo – O que faz no tempo livre?

Rodrigo Rosa – Atualmente sou vocalista de uma banda de Pop Rock Nacional e internacional – Banda Racum-  na minha cidade natal, Campos dos Goytacazes- RJ. Desde os tempos da Escola Técnica na década de 90, comecei a cantar com amigos e esse hobby permanece até hoje.

Banda Racum em mais um show – Rodrigo no vocal

Também tenho praticado todos os fins de semana golfe no Clube de Golf em Búzios-RJ. Depois das primeiras tacadas, tornou-se uma paixão!!! O Golfe requer estratégia, disciplina, concentração e alto- confiança. Uma simples tacada pode levar todo o jogo por água abaixo. Por ser um jogo praticado em silêncio, a paz e o contato com a natureza ajuda a abstrair bastante da agitação do dia-a-dia.

Rodrigo se prepara para mais uma tacada

Infelizmente tive de abandonar o Muay Thai por falta de tempo para os treinamentos, mas ao menos tive a felicidade de conquistar o título de Campeão Amador do Estado do Rio de Janeiro em 2006. Na minha função atual, chegar com o rosto cheio de hematomas na empresa, principalmente em reunião com o cliente, não ficaria muito bem (sorrindo).

Portal Marítimo – Aonde pretende chegar e como pretende chegar?

Rodrigo Rosa – Bem, atualmente penso em solidificar mais a atual função de Gerente de Operações. Tenho ainda muito a aprender na cadeira gerencial, mas tenho como meta pessoal a posição de diretor nos próximos quatro a cinco anos. Planejo em abril fazer meu segundo MBA, atualizando alguns conceitos gerencias e aprendendo outros até então desconhecidos.

Portal Marítimo – Na sua opinião, o que falta a nós para finalmente dominarmos nossa atividade, aumentando o número de brasileiros em funções de supervisão, coordenação e gerenciamento no Petróleo?

Rodrigo Rosa – Infelizmente, há uma grande dificuldade em conseguirmos brasileiros com experiência prévia no regime offshore. O Governo brasileiro tem investindo pesado em sua auto-suficiência petrolífera, todavia esqueceu-se da mão-de-obra qualificada, no qual será  um fator extremamente impactante para o desenvolvimento desse setor. Estudos acadêmicos mostram que em 2014 haverá um “apagão do petróleo” devido a quantidade de mão-de-obra qualificada não atender a oferta de empregos.

As empresas também, desde o início da década de 90,  têm minimizado consideralvemente seus investimentos em treinamentos, apenas fornecendo os treinamentos legislativos obrigatórios, o que tem afetado diretamente na melhor capacitação do profissional internamente e externamente. Se houvesse um estudo nessa época que definisse melhor um plano de carreira e retenção de seus colaboradores, as empresas não criariam aquele famoso mito: “não posso qualificar meus colaboradores, pois posso perder para o Mercado”. O que as empresas hoje têm feito é exatamente o que deveria ter sido considerado no início dos anos 90: otimizar benefícios para assegurar que o “turn over” (rotatividade) de suas organizações não impactassem diretamente em seus negócios.

Em qualquer organização, os maiores custos estão em pessoas. A falta de profissionais, principalmente no ramo offshore cujo os adicionais salarial de embarque giram em torno de 130% , cria-se um déficit orçamentário bastante considerável. Na minha visão, as operadoras que não investirem em plano de carreira e treinamentos para aperfeiçoar sua mão-de-obra, terão grandes dificuldades de se manter no Mercado Petrolífero.

Atualmente, os estudantes e profissionais que investirem em cursos profissionalizantes, universidades e treinamentos específicos nas funções que almejam no mercado offshore, terão grandes chances de conseguirem iniciar suas carreiras ou crescerem internamente em suas próprias organizações.

Rodrigo Rosa com Jefferson Lopes (Engenheiro de Facilidades Jr do FSO Cidade de Macaé), Fernanda Estofel (Gerente de Contratos Petrobras) e Luiz Mário Linhares (Gerente Setorial Petrobras)

Portal Marítimo – Deixe uma mensagem para nossos leitores.

Rodrigo Rosa – Os profissionais marítimos, aqueles que atendem cursos na Marinha do Brasil, têm sido as posições mais carentes atualmente no mercado offshore nacional. Os cursos profissionalizantes tais como eletrotécnica, eletrônica, mecânica, instrumentação entre outros, embora existam muitos formandos, ainda há bastante vagas disponíveis no mercado.

A língua inglesa é fundamental para conseguir emprego nas médias e grandes empresas nacionais e multinacionais. O número de profissionais, tanto no nível médio quanto superior que falam a inglesa inglesa é mínima. Quem fala inglês, com toda certeza tem uma visão diferenciadas pelas empresas.

A Equipe do Portal Marítimo agradece pela entrevista e deseja muito sucesso na carreira de mais este colega embarcado que agora ocupa uma função gerencial em terra.

Conheço Rodrigo há alguns anos, posso considerá-lo um grande parceiro e excelente profissional. Quem trabalhou com ele sabe direitinho do que estou falando.

Nunca desistam de seus sonhos, pois todos eles são possíveis. Só depende de cada um.

Por Rodrigo Cintra

7 COMENTÁRIOS

  1. Grande exemplo de visao e persistencia…. eu tive a felicidade de me perder nos cavaleiros e acabei passando na frente da MODEC. rsrsr Bem, desde que cheguei da Bahia estou procurando esse tipode experiencia para conseguir alcansar os meus objetivos. Valeu Rodrigo Rosa Exemplo de profissional.

  2. Tive o privilégio de ter feito curso técnico com Rodrigo Rosa e posso definí-lo numa só palavra “LUTADOR”. Exemplo a ser seguido!
    Que Deus continue te abençoando!

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