Maersk pra tudo que é lado

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No apagar das luzes de 2010, a Maersk Oil fechou a aquisição, por US$ 2,4 bilhões, dos ativos da SK do Brasil. O negócio, se aprovado pela ANP, colocará a empresa no seleto grupo de petroleiras estrangeiras com produção no Brasil, já que envolve participação de 40% no campo de Polvo, na Bacia de Campos, operado pela Devon, mas que passará para as mãos da BP. Além disso, a compra inclui participações nos blocos exploratórios BM-C-30 (20%) e BM-C-32 (27%), ambos em águas profundas da Bacia de Campos e que abrigam os prospectos de Wahoo e Itaipu, respectivamente.

O negócio faz parte de uma estratégia global da Maersk para tornar o Brasil um país relevante em seu portfólio de produção nos próximos anos. Esse plano parece ter sido iniciado em março do ano passado, quando a empresa comprou da Devon participação de 20% no BM-C-34, em Campos. O bloco está localizado a 150 km da costa do Rio de Janeiro, com profundidades variando entre 2.300 m e 2.700 m. A área foi arrematada na 7ª rodada da ANP, em 2005.

A petroleira fechou 2009 (os números de 2010 não foram divulgados até o fechamento desta edição) com uma produção média de 700 mil barris de óleo equivalente (BOE)/dia. Com Polvo, a Maersk irá agregar cerca de 10 mil barris diários de óleo a esse volume. A expectativa, porém, é crescer nos próximos anos no Brasil.

Novo poço em Carambola

A Maersk está bastante otimista com os primeiros resultados da perfuração do prospecto de Carambola-A, no BM-C-37, e já iniciou a perfuração de Carambola B. Os dois prospectos estão separados por uma distância de 4 km. Os trabalhos estão sendo conduzidos pela sonda Blackford Dolphin. O poço 1MRK5RJS deverá atingir profundidade final de 3 mil m, em lâmina d’água de 130 m.

“Consideramos os resultados iniciais positivos. Entretanto, essas atividades e as análises adicionais serão necessárias para tomar decisões relativas à comercialidade e à produção desses recursos”, esclarece o Diretor-Geral da Maersk Oil Brasil, Luis Paulo Costa.

A empresa tem a OGX como sócia na área. A petroleira do Grupo EBX afirma que analisa a possibilidade de os reservatórios encontrados nos prospectos de Carambola e Pipeline, no BM-C-41, estarem conectados, o que renderia uma unitização.

Investimento crescente

Apesar de a Maersk não falar em números, é certo que os investimentos para o desenvolvimento da produção dos prospectos de Wahoo e Itaipu farão crescer o aporte de recursos no país. As duas descobertas serão testadas ainda este ano, e é possível que produzam o primeiro óleo em 2016 (Wahoo) e 2018 (Itaipu).

No caso de Wahoo, a ANP aprovou o plano de avaliação da Anadarko, operadora da área, em meados de janeiro. Projetado para cinco anos, o programa prevê um poço firme de avaliação e outros contingentes, além da possibilidade de realização de um teste de longa duração na área. A empresa busca uma sonda para cumprir o cronograma.

Operado atualmente pela Devon, Itaipu, na parte capixaba da Bacia de Campos, já possui uma descoberta no pré-sal, o que torna a área ainda mais atrativa. O poço pioneiro – 1DEV15ESS – foi perfurado pela sonda Deepwater Discovery e atingiu profundidade máxima de 4.750 m, em lâmina d’água de 1.339 m.

“Consideramos as descobertas de Wahoo e Itaipu muito promissoras. Ambas deverão ser avaliadas em 2011 para determinar a extensão de seus reservatórios, mas acreditamos existir potencial exploratório adicional nos blocos, pois ambos estão próximos ao complexo do Parque das Baleias, com múltiplas descobertas no pré-sal”, frisa Costa.

A participação da Maersk em futuros leilões da ANP dependerá tão somente dos blocos colocados em leilão. “Só sabendo o que será oferecido é que poderemos fazer mais comentários”, esquiva-se Costa.

Com as informações – Felipe Maciel / Energia Hoje

Por Rodrigo Cintra

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