Barão de Mauá e Eike Batista – Homens à frente de seu tempo

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Em 1830, começava a história de um homem que redefiniu a estética da economia brasileira através de pura iniciativa. Irineu Evangelista de Souza ainda não era o Barão de Mauá quando aos pouco mais de 11 anos empregou-se na firma de importação do inglês Ricardo Carruther.

Eike Batista

Cento e quarenta anos depois, a história de um outro homem também se iniciava rumo a dar uma nova moldura ao cenário business brasileiro. Este outro homem chamado Eike Fuhrken Batista também não era ainda o dono da gigantesca holding EBX quando foi morar em Frankfurt, com sua família. O destino destes homens pregou a peça de serem iguais.

Irineu Evangelista aprendeu com a sabedoria dos ingleses a vender. Não demorou muito até que tornou-se gerente e depois sócio da Companhia de Carruther. Com a mesma idade, Eike Batista se lançou no mercado de compra e venda de ouro se aventurando no Mato Grosso após chegar da Alemanha, onde tinha aprendido a comercializar de baixo, vendendo seguros de porta em porta.

Bancos, ferrovias, estaleiros.. tudo era investimento da industrialização do Brasil

Em uma viagem à Inglaterra, Irineu Evangelista teve o insight de investir na industrialização do Brasil. Para isso, precisava de dinheiro, e conseguiu. Rumou feroz ao progresso e construiu em pouco tempo os estaleiros da Companhia Ponta de Areia e, em 1846 colocou de pé a indústria naval brasileira, situada em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Um ano após, já tinha a maior indústria do país.

Visão – Eike é um homem à frente de seu tempo

Curiosamente, no mesmo momento da vida, Eike Batista fez uma aposta parecida, que foi a de modernizar a produção do ouro mato-grossense. E fez isso da seguinte forma: Pegou meio milhão de reais emprestados de joalheiros do Rio de Janeiro e de São Paulo e comprou uma mina de um dos garimpeiros mais conhecidos de Alta Floresta. E – também como Irineu – um ano depois, obteve com ela uma soma de seis milhões de reais.

A partir de então, Irineu Evangelista encheu o Brasil de novos empreendimentos. Criou bancos, uma companhia de gás, a primeira estrada ferroviária do país, ajustou o assentamento do cabo submarino que ligava o Brasil à Europa, entre tantas outras coisas revolucionárias para a época. Eike Batista, do Mato Grosso para cá, construiu uma holding que carrega consigo sempre o sinal da multiplicação.

A EBX concentra empresas de mineração, logística, petróleo e gás, energia, serviços em petróleo e é responsável por iniciativas em pé de igualdade com as de Mauá. Exemplo disso é o Superporto do Açu, com funcionamento previsto para 2012, que trata-se de um terminal portuário privativo de uso misto elaborado num dos conceitos mais modernos na área de construção de portos, que é o  de Porto-Indústria.

Estaleiro da Ponta da Areia – Atual Estaleiro Mauá

Uma outra semelhança entre os dois é a proximidade no tocante aos investimentos nos negócios do mar. Irineu Evangelista é patrono da Marinha Mercante, e isso, claro, não é gratuito. Atualmente, o grande responsável pela retomada desta Marinha, desde a quebra do Lloyd Brasileiro, foi o petróleo. Área em que Eike Batista investe pesado neste exato momento. Daqui a 200 anos, provavelmente o busto do Barão que se encontra no Centro de Instrução Almirante Graça Aranha, instituição pública de ensino mercante, terá a seu lado o de Eike Batista.Em 44 anos de vida ativa como empreendedor, Irineu Evangelista de Souza tornou-se o Visconde de Mauá. Em 41, Eike Batista se tornou Eike Batista – o homem mais rico do Brasil e o oitavo homem mais rico do mundo. A explicação para isto está na nossa época, que já não confere mais os Títulos de Nobreza, mas confere os sub-títulos, nas manchetes dos jornais afora, seguidos aos principais nomes da história.

Por Marcus Lotfi

9 COMENTÁRIOS

  1. Eike Batista tem a visão de poucos. Enxerga o país como um todo e vê, aqui mesmo, as oportunidades para tocar seus negócios, desenvolvendo o país e ganhando seu dinheiro. As semelhanças com o Barão de Mauá realmente são fantásticas.
    Parabéns pelo texto, Lotfi.

    • Considero que existem mais diferenças do que semelhanças, O barão de Mauá não contava com o apoio do imperador, haja vista profundas divergências pessoais. Eike Batista foi um produto da mídia cujo pai, homem influente na política, foi presidente da extinta Companhia do Vale Rio Doce, catapultando o sucesso do filho seja no meio político e econômico. Outra coisa, o Barão de Mauá foi à bancarrota mas depois se reergueu.

  2. E virão muito mais! Esse texto, na verdade, é uma pincelada nas semelhanças que existem entre os dois. Vamos cair dentro disso e, prometo, mais semelhanças serão descobertas aqui, no PortalMaritimo.

  3. Marcus, parabéns pela excelente matéria. Esse levantamento que você realizou foi fantástico. Já enviei ao amigo Eike, tenho certeza que ela vai gostar muito.
    Grande abraço.

    Sony Matos

  4. Meus Amigos!!! Sem Sombra de Duvida Ficou muito show essa Materia Sobre o Eike, Meus Parabéns.
    Rodrigo Cintra, Uma coisa que me deixou Encantado. Eu a 33 anos morador do Municipio de Niterói. Ver Essas Fotos Antiga do Estaleiro Mauá da Ponta da Area, uma Senhora Reliquia bem Antiga.
    Ficou Deslumbrante, Um Grande Abração…..
    f

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