Da crise do petróleo ao louco que te perturba a bordo

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Pelo visto, a turbulência no Oriente Médio e na Líbia que, apesar de ainda não ter reflexo algum no Brasil, está encarecendo o petróleo e seus derivados, doendo diretamente no bolso dos consumidores estadunidenses, esteja de fato pressionando Washington a dar o sinal verde e liberar as perfurações no Golfo do México.

O Bureau of Ocean Energy Management, Regulation and Enforcement (BOEMRE), a ANP dos Estados Unidos, autorizou a empresa Noble Energy a continuar seus trabalhos em um poço offshore localizado a cerca de 70 milhas a sudeste de Venice, Flórida.

Pude perceber que esta autorização veio após o preço da gasolina subir cerca de 17% na última semana, deixando os consumidores revoltados e fazendo com que a pressão da Opinião Pública sobre o Governo aumentasse. Sinais dos tempos? Não! Sinais de uma Economia viciada em petróleo. E o pior é que vejo com muito temor nosso querido Brasil indo no mesmo caminho.

Agora, eis a questão: será que vai haver a liberação das operações de perfuração em outros locais? Essa pergunta é de suma importância, uma vez que, atualmente, os Estados Unidos importam cerca de 60% do petróleo que consomem, segundo o American Petroleum Institute (API).

Uma outra área que poderia contribuir significativamente na redução da dependência que os Estados Unidos têm da importação de petróleo é a plataforma continental do Alaska que, segundo estimativas, tem uma boa reserva de petróleo ainda inexplorado.

Aquela região pode prouzir cerca de 10 bilhões de barris de petróleo e 15 trilhões de pés cúbicos de gás natural até 2057, segundo estudo divulgado pela parceira entre a Consultoria Northern Economics e o Anchorage’s Institute of Social and Economic Research da Universidade do Alaska. Isto faria do Alaska a oitava maior área de produção de petróleo do mundo, posicionando-o à frente da Líbia, Noruega, Nigéria e Rússia. O estudo ainda disse que a perfuração offshore no Alaska ainda poderia criar cerca de 55 mil empregos diretos e indiretos.

Apesar desse estudo, os especuladores ainda não esperam muito, uma vez que a atual política de Washington permanece a passo de tartaruga, praticamente algemando os que pretendiam avançar mais agressivamente com as perfurações nos Estados Unidos. O que vejo, sinceramente, é muito dedo apontado para tudo que é lado, procurando-se responsáveis por isso e aquilo, mas nada de sólido em termos de Legislação Ambiental sendo amplamente divulgado para o mundo. Digo mundo porque, se eles podem dar pitaco na Amazônia, por exemplo, nós podemos dar pitaco no Golfo do México e principalmente no Alaska, donos de ecossitemas extraordinários.

O demorado processo de emissão de autorizações para perfurações de poços nos Estados Unidos vai sufocando a produção doméstica e colocando milhares de empregos em risco não somente no Golfo do México, mas em todo o país, uma vez que a atividade movimenta bilhões de dólares, declarou o American Petroleum Institute. Esta escassez empurra os profissionais estadunidenses, muitos visivelmente acuados e às vias do desepero por manter seus empregos, para o resto do mundo, inclusive aqui para o Brasil, como temos visto diariamente. Esse desespero todo gera problemas de enorme monta, principalmente no relacionamento a bordo com os brasileiros, nós, os verdadeiros “donos do pedaço”, que acabamos por muitas vezes sendo prejudicados por sucessivas atitudes que boicotam nossos profissionais locais, muitas delas envolvendo sabotagem, assédio moral, desrespeito a políticas internas das empresas etc.

Apesar disso, os aspectos ambientais devem ser mantidos como prioridade na emissão dessas licenças, pois o mundo não vai mais aceitar incidentes como o que ocorreu no Poço de Macondo, causado pela plataforma Deepwater Horizon, da Transocean, que estava sob contrato da BP.

Vários colegas vêem faces como esta diariamente a bordo

A situação dos Estados Unidos, causada, principalmente, por desejos colossais do dominar o mundo cada vez mais e mais, causou um problema local, não refletindo no mundo como era de se imaginar, mostrando quem realmente depende de quem quando o assunto é petróleo. Tirando a situação ambiental causada na terra dos Yankees, caríssimos leitores do Portal, todas as outras conseqüências NÃO SÃO NOSSO PROBLEMA. Deixemos isso para eles e protejamos nosso petróleo e nossos empregos.

Este “american style” de perfurar a qualquer custo, sem medir conseqüências e usando tudo até seu limite, caros colegas, definitivamente está com os dias contados.

Aqui no Brasil, apesar dos famosos problemas entre nossa gente e os expatriados, podemos nos dar ao luxo de assistir a tudo de camarote, podendo aprender com os erros deles e criando uma cultura local que não permita que isso aconteça por aqui.

Quer dizer, de camarote mais ou menos, pois de vez em quando aparece um pessoalzinho ali daquela região do Texas ou da Louisiania querendo tirar a gente do sério, não é mesmo?

Vamo que vamo!

Força e Honra! Sempre!

Por Rodrigo Cintra

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