Entrega do João Cândido foi adiada

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Quase um ano após o lançamento ao mar, em maio do ano passado, o navio João Cândido ainda passa pela fase de acabamento no cais do Estaleiro Atlântico Sul, em Suape. A entrega da embarcação à Petrobras Transporte (Transpetro), prevista para ocorrer entre abril e maio deste ano, teve que ser adiada para o segundo semestre. Após a conclusão do acabamento, o petroleiro ainda terá que ser docado (rebocado) de volta ao dique seco, onde será realizada a chamada docagem de entrega.

Segundo nota divulgada pelo EAS, os ajustes que estão sendo feitos atualmente no João Cândido envolvem os sistemas de vapor, água e óleo, entre outros, e também a casa de bombas. Quando essa parte for concluída, a embarcação passará por uma faxina geral no dique seco antes de receber a pintura final. O processo é necessário para remover resíduos e algas que se acumularam durante o tempo em que ficou ancorada no cais, sob pena de ter sua performance comprometida.

“Concluída essa fase, o navio passará pelas provas de mar e será entregue aoarmador”, diz a nota do estaleiro. As provas de mar são testes a que o navio é submetido antes de sua entrada em operação comercial. Com uma tripulação mínima, são testados o leme, âncoras, potência do motor etc, em cursos previamente estabelecidos. Os testes podem durar dias e tudo é anotado em planilhas. Caso algum teste não saia satisfatório, a manobra é repetida até a aprovação final.

Como esclarecimento, o EAS disse que o atraso na entrega do João Cândido se deu por diversos fatores. O principal deles teria sido a fabricação do navio paralela à construção da unidade fabril, que exigiu investimento de R$ 2 bilhões e conta “com 160 hectares de área total e equipamentos que só encontram similares nos mais modernos estaleiros da Ásia”. Ao mesmo tempo, 3,5 mil operários tiveram de ser treinados para poder montar a embarcação.

“As dificuldades de praxe na construção do primeiro navio de um novo estaleiro tornaram ainda mais complexo esse cenário com inúmeras variáveis e imprevistos naturais num projeto dessamagnitude e pioneirismo. Como resultado, foi necessária uma nova adequação no cronograma do João Cândido, que será entregue no segundo semestre de 2011”, justifica o EAS.

O estaleiro lembra que o primeiro navio construído é uma espécie de test drive, em que todos os processos partem do zero, desde o detalhamento do projeto da embarcação até a compra e recebimento dos equipamentos, que por sua vez são encomendados a empresas localizadas em diversos países e continentes.

Procurada pela reportagem, a Transpetro disse que analisará as justificativas do EAS para o atraso “na forma prevista no contrato celebrado entre as partes”. A Transpetro está contratando a construção de 49 embarcações dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). Vinte e dois deles foram encomendados ao estaleiro pernambucano.

Com as informações – Micheline Batista / Diário de Pernambuco

Por Rodrigo Cintra

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