Cruzeiros: Atividades de sobra deixam o mar em falta

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As operadoras de cruzeiros marítimos decidiram que precisam solucionar um dilema peculiar: como fazer com que as pessoas de fato sintam que estão sobre a água.

Isso pode parecer desnecessário durante uma temporada de férias no meio do oceano. Mas em muitos navios frequentemente os passageiros navegam sobre as águas azul-turquesa do Caribe sem a sensação de que isso esteja ocorrendo. Particularmente quando estão no cassino, teatro ou percorrendo um longo corredor de teto baixo e sem janelas em direção à cabine.

“À medida que foram ficando maiores e maiores, os navios ficaram parecidos com fortalezas”, diz Frank Del Rio, presidente da Prestige Cruise Holdings, dona das linhas de cruzeiro Regent Seven Seas Cruises e Oceania Cruises de pequenos e médios navios de alto padrão.

Agora, as operadoras de cruzeiros estão aumentando o tamanho do espaço ao ar livre tanto em navios pequenos para o público de luxo como nos gigantes que atendem às massas. Essas empresas também oferecem uma série de novas atividades ao ar livre.

A mais nova embarcação da Silversea Cruises, Silver Spirit, com capacidade para 540 passageiros, tem 60% mais espaço a céu aberto no convés do que os navios anteriores, incluindo varandas maiores nas cabines e o primeiro restaurante da empresa que serve jantar ao ar livre. (Os hóspedes podem assar seu próprio peixe ou carne sobre pedras vulcânicas em brasa.)

O Silhouette, da Celebrity Cruises, que estreia em julho, terá dois novos restaurantes com mesas fora, um estúdio aberto que oferece aulas de pintura e cabanas VIP de aluguel com vista para o mar. Tudo isso fica no topo do navio, cercado por um gramado de 1.100 metros quadrados.

O Epic, navio da Norwegian Cruise para 4.100 passageiros inaugurado em meados de 2010, tem uma boate ao ar livre: a pista de dança fica sobre a piscina. O Magic, embarcação da Carnival Cruise Lines, que pertence à Carnival Corp., começa a navegar em maio e terá um parque aquático de 900 metros quadrados, uma área externa para videogames e esportes, com bicicletas ergométricas e máquinas de remo. Algumas suítes no novo navio para 1.250 passageiros da Oceania Cruises, batizado Marina, têm varandas com banheiras de hidromassagem e TVs de tela fina de 42 polegadas, feitos sob encomenda para suportar a maresia.

“Existe uma percepção de que as pessoas que estão num gigante de metal no meio do mar estão confinadas”, diz Rod K. McLeod, da consultoria de cruzeiros e turismo McLeod.Applebaum & Partners.

O foco na área externa é parte de um esforço maior para atrair a clientela mais jovem. “O velho ditado de que os cruzeiros são para os recém-casados e os quase-mortos não procede mais”, diz Brad Ball, um porta-voz da Silversea. Nos últimos 15 anos, a faixa etária média dos passageiros da Silversea caiu de 60 e muitos a 70 e poucos anos para a casa dos 50 hoje, de acordo com Ball.

As empresas de cruzeiro querem se livrar da reputação de terem bufês sem graça e atrações piegas para competir mais diretamente com resorts à beira-mar. Nos últimos anos, elas implantaram clínicas de beleza luxuosas, restaurantes de primeira linha, paredes para escalada em rocha e musicais da Broadway como “Chicago” e “Hairspray”.

Para comportar tudo isso, os navios de cruzeiro agora são mais compridos e largos. Navios maiores também oferecem operação mais eficiente.

Na hora de aumentar os espaços ao ar livre, os navios enfrentam desafios alheios aos resorts em terra. Ninguém vai querer comer do lado de fora com uma ventania que joga os guardanapos no coquetel, por exemplo. (Os navios normalmente instalam vidros contra vento para ajudar a proteger as áreas externas.) Quando o vento fica muito forte, a linha Crystal Cruises, da Nippon Yusen Kaisha, às vezes interdita a pista de corrida que circunda o navio Symphony.

Fonte: Valor Econômico

Por Marcus Lotfi

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