Navio sonda vai perfurar na costa do Ceará em Agosto

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A Petrobras já concluiu os estudos técnicos que balizarão a perfuração de dois novos poços de petróleo no Ceará, os primeiros a serem abertos em águas profundas no Estado. De acordo com a assessoria de imprensa da estatal, a sonda que irá realizar a atividade chegará em território cearense no início do segundo semestre, “possivelmente no mês de agosto”. Os resultados desta perfuração podem dar um novo fôlego à produção petrolífera no Estado, que vem apresentando reduções pelo natural envelhecimento dos campos.

Volumes indefinidos

Os estudos feitos se baseiam na análise de dados geológicos e geofísicos, indicando a presença de petróleo (líquido) na chamada Bacia do Ceará, e não descartando a possibilidade de haver ainda jazidas de gás natural. “O próximo passo é executar a perfuração dos poços e, caso haja sucesso (nova jazida de petróleo ou gás), delimitar a extensão e o volume da descoberta”, informou a empresa ao Diário do Nordeste. A Petrobras ainda não possui ideia dos volumes que podem ser encontrados nesta nova área.

“As estimativas do potencial produtor de uma jazida só são possíveis através da realização de testes nos poços perfurados. Assim, apenas após a perfuração dos poços, caso ocorra a descoberta de petróleo ou gás, após uma série de testes e novas análises técnicas, será possível estimar com segurança o potencial produtor da nova jazida”, esclareceu.

Campos próximo a Paracuru

Os novos poços serão localizados a uma distância de 100 quilômetros de Fortaleza e a 80 quilômetros de Paracuru – município que abriga em sua costa os atuais campos marítimos de petróleo do Ceará: Atum, Xaréu, Curimã e Espada, todos estes em águas rasas, de até 50 metros de profundidade.

Navio-sonda

O equipamento de perfuração, um navio-sonda, possui capacidade para perfurar até sete mil metros, operando em profundidade d´água de até três mil metros, conforme já informou anteriormente a estatal. Na Bacia do Ceará, os poços serão perfurados a uma profundidade aproximada de cinco mil metros e a uma profundidade d´água entre 1800 metros e 2100 metros. A Petrobras reforçou ainda: “Não está prevista a perfuração de camadas de sal nos poços que serão perfurados no Estado do Ceará”, referindo-se a uma possível busca por uma jazida petrolífera de pré-sal por aqui.

Investimento

A empresa vai investir, nesta ação em dois poços, um montante de R$ 200 milhões. O trabalho será feito nas atuais concessões que a Petrobras possui na bacia (BM-CE-1 e BM-CE-2). Dependendo dos resultados destas primeiras perfurações, a estatal poderá abrir ainda três outros poços nesta área, totalizando cinco em águas profundas.

Estes poços posteriores, caso confirmados, devem sair até 2013, que é quando termina o prazo de concessão que a empresa tem para realizar as perfurações no local. Estas concessões foram garantidas em 2001, último ano em que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) licitou blocos na Bacia do Ceará.

A Petrobras é a única operadora com direitos de exploração na bacia.

200 milhões de reais é quanto a Petrobras aplicará nas ações de sondagem e perfuração dos dois novos poços de petróleo previstos para o Estado do Ceará, segundo programado.

Veja a área a ser pesquisada – clique para ampliar

PROSPECÇÃO

ANP também faz pesquisa nos mares do Estado

Hoje, o Ceará só produz petróleo em terra nos municípios de Aracati e Icapuí, na chamada Bacia Potiguar.

As águas profundas do Ceará estão no foco não só da Petrobras, mas também da ANP, que procura nestas áreas novas possibilidades de exploração. Para isso, já iniciou, através do consórcio vencedor da licitação por ela lançada, o trabalho de pesquisa para aquisição de dados geoquímicos pelo sistema piston core na região.

Novos blocos

Caso encontre petróleo e gás em condições de comercialização, poderá incluir novos blocos nas futuras rodadas de licitação para exploração. Em dezembro último, foi assinado o contrato, no valor de R$ 13 milhões, com o consórcio Fugro/Ipex para a realização do trabalho. As pesquisas já tiveram início e, até 30 de dezembro, deverá ser entregue o relatório completo à ANP.

Amostras

Serão coletadas 1.000 amostras de piso oceânico em profundidades que variam de 50 metros a 2,5 mil metros de lâmina d´água, em uma área que totaliza 9,45 mil quilômetros quadrados, na porção oeste da bacia. A pesquisa abrange extensões das sub-bacias de Piauí, Acaraú e Icaraí e está incluída no Plano Plurianual de Estudos Geológicos e Geofísicos da ANP.

O conhecimento em águas profundas na margem equatorial do Brasil, que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá, ainda é muito escasso. Até hoje, apenas cinco poços foram perfurados na região.

Atraso no Araripe

Uma outra área incluída no plano da agência é a Bacia do Araripe. As pesquisas, que estão sendo realizadas também pela Ipex, deveriam ter sido entregues no último dia 3, mas, de acordo com a assessoria de imprensa da ANP, vão se estender, agora, até o início de junho. Os levantamentos na bacia englobam a região do Cariri, também envolvendo Pernambuco, Piauí e Paraíba. Nesta área, foram coletados 2.000 amostras de solo, para as efetivas análises laboratoriais e interpretações dos dados estatísticos.

Com as informações – Sérgio Souza / Diário do Nordeste

Por Rodrigo Cintra

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