Palestra mostra que combustível fóssil ainda não tem substituto

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A crise do Japão reacendeu o debate sobre o problema energético em todo o mundo. Embora o futuro do petróleo seja questionado e a busca por fontes alternativas constitua um desafio, o combustível fóssil tende a permanecer como a matriz energética mundial. A previsão foi apresentada em Santa Cruz pelo Geólogo da Petrobras Ricardo Latgé Milward de Azevedo, que ministrou a palestra Pré-Sal: oportunidades para o Brasil, no auditório central da Unisc. A promoção foi do Diretório Central de Estudantes (DCE).

Para Azevedo, é ilusão imaginar a possibilidade de dispensar o petróleo. “Encontrar uma solução energética diferente da energia fóssil é muito difícil”, justifica. Em reforço ao prognóstico, o geólogo foi enfático ao apontar a futura demanda por petróleo novo. Atualmente são produzidos cerca de 86 milhões de barris por dia, mas para 2030 estima-se o uso de 106 milhões. No entanto, caso não ocorram descobertas de poços e considerando um possível declínio, a produção mundial de petróleo daqui a 19 anos será de 31 milhões de barris diários.

Na contramão da necessidade, incorporar novas reservas não é um processo simples. Segundo Azevedo, o Brasil ocupa uma situação privilegiada, com grande potencial a ser explorado – pelo menos 15 bacias marítimas e 20 terrestres –, alta tecnologia, base industrial diversificada e grande mercado consumidor, porém precisa superar desafios. Os principais dizem respeito às questões de logística, onde processos otimizados e automatizados fazem a diferença. Como as plataformas ficam pelo menos 150 quilômetros distantes da costa, por exemplo, é vantajoso elaborar estratégias para movimentar o mínimo de pessoas possível no local. Outro aspecto importante é a perfuração do sal, que exige cuidados para evitar o risco de prender a ferramenta no solo. “Para isso, é fundamental saber se o sal tem heterogeneidade e evitar isso”, destaca Azevedo. O geólogo afirma que o aluguel de uma sonda, por exemplo, pode custar até US$ 600 mil por dia. Por isso, outro objetivo a ser alcançado é a aquisição de materiais próprios, a fim de evitar esse dispêndio.

Na busca pela autossuficiência, a pesquisa por reservas migrou dos campos em terra para águas profundas e ultraprofundas. A estratégia mostrou sucesso no pré-sal já concedido, levando a descobertas e dobrando as reservas naturais. No entanto, exige domínio sobre exploração e exportação. Assim, devem ser adquiridos, até 2013, novos navios grandes, de transporte, além de barcos de apoio.

Saiba mais

O pré-sal é um pacote de rochas de composição carbonática e microbiana que ocorre sob espessa camada de sal. Formou-se em condições paleogeográficas especiais no Atlântico Sul primitivo.

Ocorre na porção distal das bacias de Santos e Campos, entre 5 mil e 7 mil metros abaixo do nível do mar. Tem alto potencial para armazenamento de óleo e gás natural. A distribuição por meio de poços exigiu novas tecnologias para superar dificuldades impostas pela camada de sal. Para perfurar o solo, é preciso observar a existência de rocha geradora, lama preta, rocha reservatória para armazenar o petróleo e selo (de preferência, sal).

Com as informações – Roseane Bianca / Gazeta do Sul

Por Rodrigo Cintra

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